Negócios

Saiba o quanto Kevin Spacey pode perder depois das acusações de assédio

Getty Images

Escândalo provocou a demissão do ator da série “House of Cards” e vai prejudicar outros projetos (Getty Images)

A primeira acusação de assédio contra Kevin Spacey acabou de completar uma semana e o papel do ator em “House of Cards” já foi encerrado. Além disso, sua carreira corre sério risco. Só o cancelamento da participação do ator em uma das séries mais bem-sucedidas da Netflix representa a suspensão de mais de US$ 6,5 milhões em ganhos futuros. Para ele, integrante da lista FORBES dos atores mais bem-pagos da televisão, com rendimentos de US$ 12 milhões no último ano, os papéis com salários de mais de sete dígitos e patrocínios que estava acostumado a receber são, provavelmente, coisa do passado.

VEJA MAIS: 10 atores de TV mais bem pagos do mundo

No domingo (29), o ator Anthony Rapp alegou, segundo uma reportagem do “BuzzFeed News”, que Spacey o teria assediado quando ele tinha apenas 14 anos. Spacey respondeu com uma desculpa amplamente criticada em que declarou ser gay. Desde então, outras vítimas apareceram – incluindo uma alegação que levou a Scotland Yard, sede da Polícia Metropolitana de Londres, a lançar uma investigação contra o ator -, levando a Netflix e a produtora Media Rights Capital a anunciar que suspenderiam o trabalho de Spacey na sexta temporada de “House of Cards” para que pudessem “revisar a situação atual e analisar qualquer preocupação do nosso elenco e equipe”.

Na quinta-feira (2), oito antigos e atuais funcionários da série alegaram à “CNN” que o ator criou um ambiente de trabalho tóxico por meio de assédios e abusos sexuais, incluindo toques não consensuais e comentários inapropriados.

Ao mesmo tempo em que Spacey não comentou sobre a nova acusação, a Netflix respondeu, no início, que “vai continuar trabalhando com a produtora MRC durante esse tempo para avaliar nosso caminho, já que isso se relaciona com a produção”. A MRC disse que vai “investigar completamente todas as reclamações atuais e qualquer nova alegação”. Ambas empresas também se comprometeram em tornar o set um ambiente seguro para a equipe e o elenco e afirmaram terem conhecimento sobre um incidente que ocorreu e foi resolvido em 2012.

LEIA TAMBÉM: Netflix conquista mais assinantes que o previsto no 3º tri

Na noite de sexta-feira (3), Spacey foi oficialmente demitido da série, apesar de ainda não estar claro se o programa continuará sem ele. A Netflix anunciou na segunda-feira (30) que a sexta temporada seria a última, uma decisão que, segundo a empresa, não teve ligação com as acusações.

A perda do papel e seu crédito na produção executiva da série pode custar a Spacey mais de US$ 6,5 milhões em ganhos futuros – ou US$ 500 mil por episódio da temporada que teria, provavelmente, 13 episódios de duração. Pelo fato de o ator ser tanto o protagonista quanto o produtor executivo da série, ele ganha mais do que qualquer outro integrante do elenco, incluindo a colega Robin Wright.

As perdas de Spacey dependem tanto do quanto ele já recebeu quanto das cláusulas de seu contrato, que “proíbe que funcionários façam coisas imorais e algumas das consequências poderiam ser uma redução de pagamento ou sua perda total”, afirma o procurador Philip K. Bonoli.

E MAIS: 10 séries que mais ganharam Emmys na história

Como Spacey e “House of Cards” foram importantes para o sucesso da Netflix em termos de conteúdo original, é provável que o ator tenha negociado pelo menos algum pagamento pela sexta temporada e é improvável que a Netflix ou a MRC consigam recuperar esse dinheiro, mesmo que o ator se torne a causa do cancelamento da série. “É muito difícil para um empregador recuperar as remunerações que já foram pagas”, explica Bonoli.

Além de perder seu papel em “House of Cards” e qualquer participação em futuros spin-offs que a Netflix tenha planejado, Spacey também já perdeu outros trabalhos. Ele não vai mais lecionar em um curso de atuação online. Apesar de já ter ganho um adiantamento de cerca de US$ 100.000 da empresa de e-learning, ele vai perder 30% da receita gerada por suas aulas (que estava recebendo adiantado). Cada estudante paga US$ 90 para se matricular, mas não foi divulgado quantos estudantes tiveram aula com o ator.

Além disso, a Netflix anunciou o cancelamento do filme biográfico de Gore Vidal no qual Spacey interpretaria o romancista. O papel provavelmente significaria um pagamento de sete dígitos para Spacey e, assim como seu acordo em “House of Cards”, não é conhecido quanto já foi pago com a assinatura do contrato e quanto ele vai perder com o cancelamento do projeto.

VEJA TAMBÉM: Netflix amplia reinado no mercado internacional com séries originais

O Oscar planejado para Spacey pela atuação no filme “All the Money in the World” também foi cancelado, de acordo com a revista “Variety”, assim como o plano da International TV Academy de homenageá-lo com um prêmio. Essas perdas podem não impactar seus ganhos financeiros diretamente, mas o tornariam um candidato mais atrativo para novos trabalhos.

Há futuros milhões que o ator vai perder por ter manchado seu nome que não são possíveis de ser mensurados: nunca será possível saber quais projetos lucrativos o ator poderia ter conseguido em Hollywood ou no teatro.

Enquanto os atuais cancelamentos são, certamente, um problema financeiro para Spacey, o mesmo não se pode dizer para a Netflix. Quando “House of Cards” estreou, houve uma mudança no modelo de serviços de streaming, já que foi a primeira série original da plataforma e conquistou grande popularidade e atenção. Desde então, a Netflix produziu diversos títulos originais, muitos dos quais com grande repercussão nas mídias sociais e classificações não oficiais e, portanto, mais propensos a atrair assinaturas. Isso significa que, enquanto o streaming e o fãs se despedem de Frank Underwood, quem mais está saindo prejudicado é Kevin Spacey.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).

Comentários
Topo