Conheça a indiana que fundou o primeiro serviço de táxi exclusivo para mulheres

Ao perceber a demanda por motoristas mulheres na cidade, como resultado da quantidade alarmante de assédios sexuais, ela fundou a Forshe (Getty)

Revathi Roy ficou sozinha com os três filhos quando o marido entrou em coma. Após dois anos acumulando contas hospitalares, ele sucumbiu à doença e morreu. Revathi, em vez de se entregar ao sofrimento, reuniu forças e começou um negócio próprio.

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Revathi sempre era a motorista designada do grupo de amigos após festas. Irritada com a falta de reconhecimento deles, decidiu transformar a paixão em negócio. “Foi como se eu tivesse tido uma epifania”, conta. Logo após a revelação, ela pegou um táxi emprestado e começou a transportar passageiros do Aeroporto Internacional de Chhatrapati Shivaji, em Mumbai.

Ao perceber a demanda por motoristas mulheres na cidade, como resultado da quantidade alarmante de assédios sexuais, ela fundou a Forshe (trocadilho com a expressão em inglês ‘for she’, que significa ‘para ela’), o primeiro serviço de táxi exclusivo para mulheres e administrado por mulheres.

 
Sempre em frente

A Forsche criou uma academia de treinamento para mulheres pobres e marginalizadas, que as ensina a dirigir. A empresa já treinou mais de mil mulheres, o que as possibilta ganhar um salário entre US$ 230 a US$ 310 (ente 15.000 e 20.000 rupias indianas), acima da linha de pobreza.

“O modelo de negócio era muito simples, o principal desafio foi convencer as mulheres a aderirem à iniciativa”, diz Revathi, que visitou vilas remotas e favelas, além de abordar mulheres na rua, como tentativa de educá-las sobre a importância de serem independentes. Uma das funcionárias mais importantes da empresa foi encontrada enquanto ela dirigia pela cidade. “Essas mulheres são a minha inspiração”, conta a empresária.

Um novo risco

A companhia de finanças IL&FS e o serviço japonês de financiamentos ORIX investiram na Forsche. Infelizmente, a parceria não funcionou e Revathi a deixou em 2009.

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Hoje, aos 57 anos, ela é a CEO da primeira startup de entregas 100% feminina na Índia, a HeyDeeDee. A empresa contrata mulheres de famílias de baixa renda e as treina para pilotar motos e trabalhar no delivery. Companhias como Amazon, Subway e Pizza Hut já são clientes da HeyDeeDee.

Além de atender às necessidades logísticas de outra empresas, o modelo de negócio da HeyDeeDee, assim como a Forsche, tem o princípio de empoderar mulheres e as tornar auto-suficientes. O treinamento de 45 dias inclui tanto aulas didáticas quanto práticas, treinamento em inglês, etiqueta profissional e habilidades financeiras.

A única diferença da HeyDeeDee em relação a Forsche é que a empresa não é proprietária dos veículos. Uma parceria entre Revathi e organizações financeiras possibilitou que as mulheres recebessem empréstimos razoáveis, o que permitiu que elas comprassem os próprios veículos. Hoje, o negócio opera em Mumbai, Pune, Nagpur e Bangalore.

Atualmente, a HeyDeeDee tem 2.800 funcionárias, número que não foi fácil de alcançar devido à sociedade patriarcal indiana. Revathi diz que já recebeu até ligação de um marido, que reclamava que a esposa não ficava em casa para cuidar do filho e fazer os serviços domésticos. Ainda assim, as dificuldades não a impedem de planejar um grande futuro para os negócios, como vender sua startup para a Amazon.

A ideia não é tão surreal quanto parece. Segundo a Morgan Stanley, empresa de serviços financeiros, o crescimento de lojas online na Índia é estimado em 1.200%, para US$ 200 bilhões, até 2026.

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