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Boom de riqueza na China cria nova geração de mulheres bilionárias

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Os últimos anos têm sido memoráveis para as executivas chinesas, tanto que o país é, atualmente, a verdadeira capital do clube de mulheres bilionárias que construíram suas próprias fortunas. (iStock)

A maioria das pessoas está ciente da enorme extensão do empreendedorismo na China. A economia do país continua a crescer todos os dias, com o número de registro de novos negócios 13,2% maior na primeira metade de 2017 do que no mesmo período do ano anterior.

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Ainda assim, há um grupo minoritário do qual raramente se fala – as mulheres empreendedoras. Os últimos anos têm sido memoráveis para as executivas chinesas, tanto que o país é, atualmente, a verdadeira capital do clube de mulheres bilionárias que construíram suas próprias fortunas. Ainda assim, 2017 foi um ano especialmente significativo, em que nove empreendedoras mulheres fizeram sua estreia no ranking FORBES de bilionárias self-made, muito à frente do segundo colocado, os Estados Unidos, que listaram apenas cinco mulheres neste ano.

Hoje, quase 6% de todos os bilionários chineses são mulheres que construíram suas próprias fortunas, índice superior ao de qualquer outra parte do mundo, onde não chega a 2% segundo a lista de bilionários FORBES de 2017.

Há duas características-chave que distinguem as bilionárias chinesas de suas colegas ao redor do mundo. Primeiramente, elas tendem a focar em uma só indústria. Em segundo lugar, elas são geralmente inativas politicamente em comparação aos seus conterrâneos homens.
No passado, o mercado imobiliário era o caminho mais rápido para a riqueza desse grupo. Mesmo em 2017, as três primeiras posições na lista de mulheres mais ricas da China foram ocupadas por fortunas que têm os imóveis como fonte, nas mãos de Yang Huiyang, Wu Yajun e Chen Laiwa.

No entanto, a maior parte das bilionárias dos imóveis na China entraram na lista antes de 2010. Muitas novas chinesas bilionárias, como Wu Lanlan, Chen Liying e Tan Jianfang, adquiriram suas fortunas por meio da otimização de cadeias de fornecimento, especialmente nas indústrias de logística, embalagem e serviços postais.

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As mulheres mais ricas da China também parecem ser mais caridosas do que seus colegas homens. Uma a cada três mulheres bilionárias da lista lançou projetos filantrópicos com suas fortunas de dez dígitos. A iniciativa de preservação da empreendedora ambientalista He Qiaonv é apenas um exemplo desta tendência. Ela é fundadora do Beijing Orient Landscape & Environment Co Ltd, uma das maiores empresas de paisagismo da Ásia, e recentemente dedicou US$ 1,5 bilhão para a conservação da vida selvagem, um valor muito maior do que qualquer outra pessoa já doou à causa.

Outra executiva filantropa, Lei Jufang, fez doações por meio de sua empresa, a Tibet Cheezheng Tibetan Medicine, da qual é uma das fundadoras. Ela destinou pelo menos US$ 7 milhões para apoiar educação, artes, cultura e serviços sociais. Além disso, sua empresa fez uma doação de US$ 1 milhão para estabelecer um fundo especial de patrimônio e proteção da cultura tibetana e mais um US$ 1 milhão em suporte médico às vítimas do terremoto de Sichuan em 2008.

Em alguns casos, os super ricos da China fazem doações por meio de suas empresas devido à falta de talento no campo da filantropia e à desconfiança em relação ao sistema de governança atual das fundações. Nos próximos anos, a tendência é o aumento no número de mulheres filantropas no país, especialmente considerando o crescimento das empreendedoras que construíram suas próprias fortunas.

Essas mudanças criaram um novo precedente, em que a arquitetura global da riqueza mudou de multi-geracional a propriedade empreendedora ao longo da última década. Essa mudança teve implicações visíveis para as mulheres da China, especialmente considerando que elas, no passado, eram majoritariamente beneficiadas de capital herdado.

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A riqueza total combinada das bilionárias que têm como fonte as heranças caiu em 20%, enquanto a riqueza construída pelas próprias mulheres dobrou desde 2010. Além disso, elas conseguiram se tornar bem-sucedidas de um modo sem precedentes ao misturar negócios com família. Esse padrão trouxe uma nova compreensão do antigo termo “negócio de família”: acionistas-chave da operação familiar têm relação de marido e mulher em vez do tradicional parentesco de pai e filho.

Trabalho duro, cultura adaptativa e pequenas parcerias familiares associadas ao triunfo rápido nos negócios estão conectando os pontos de um formato que descreve as mulheres ricas chinesas de hoje.

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