Reforma tributária de Trump impulsiona ganhos recordes da Berkshire, de Warren Buffett

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A Berkshire atribuiu cerca de US$ 29,11 bilhões de seu lucro líquido à redução da carga tributária corporativa de 35% para 21%, que Trump transformou em lei em dezembro. (Getty Images)

A Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, 3º maior bilionário do mundo com fortuna de US$ 86,9 bilhões, divulgou ontem (24) lucros trimestral e anual recordes, impulsionados por um grande corte tributário corporativo nos Estados Unidos, defendido pelo presidente Donald Trump.

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O lucro líquido do quarto trimestre aumentou quase cinco vezes, para US$ 32,55 bilhões, ou US$ 19,79 por ação classe A, ante US$ 6,29 bilhões, ou US$ 3,823 por ação, de um ano antes. O lucro operacional trimestral da Berkshire caiu 24%, para US$ 3,34 bilhões, ante US$ 4,38 bilhões.

O conglomerado atribuiu cerca de US$ 29,11 bilhões de seu lucro líquido à redução da carga tributária corporativa de 35% para 21%, que Trump transformou em lei em dezembro. Muitas companhias norte-americanas divulgaram resultados distorcidos devido ao impacto da lei.

“Buffet foi rápido em dizer que achava que as mudanças na política tributária iriam ajudar a Berkshire e seriam positivas no geral”, disse Bill Smead, diretor executivo da Smead Capital Management de Seattle, acionista da Berkshire. “É um pouco irônico que a sua candidata não tivesse qualquer interesse nisto.”

Buffet apoiou Hillary Clinton, uma democrata, na eleição presidencial dos EUA em 2016. “Buffett não fica muito tempo na política”, disse Smead.

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Ainda no anúncio de ontem, Warren Buffett lamentou sua incapacidade de encontrar grandes companhias para comprar e disse que sua meta é fazer “uma ou mais aquisições enormes” em negócios fora do setor de seguros para impulsionar os resultados de seu conglomerado.

Buffett admitiu que encontrar coisas para comprar por um “valor de compra razoável” se tornou um desafio e é a maior razão pela qual a Berkshire está inundada com US$ 116 bilhões em capital de baixo rendimento e títulos do governo.

O bilionário disse que um “frenesi de compras” impulsionado por presidentes-executivos ávidos por acordos por meio de dívidas baratas dificultou a tarefa. A Berkshire normalmente paga todas as suas aquisições em dinheiro. “Nossos sorrisos vão se alargar quando tivermos redirecionado o excesso de capital da Berkshire em ativos mais produtivos”, escreveu Buffett.

“A meta da Berkshire é aumentar substancialmente os lucros de nosso grupo fora do setor de seguros. Para que isso aconteça, nós precisaremos fazer uma ou mais grandes aquisições”, completou. Já faz mais de dois anos desde que a Berkshire fez uma grande compra, a aquisição da fabricante de peças para aeronaves Precision Castparts, por US$ 32,1 bilhões.

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No mês passado, Buffett aumentou a supervisão do executivo do ramo de energia Gregory Abel aos negócios da Berkshire fora do setor de seguros, como a ferrovia BNSF, a Precision Castparts e os sorvetes Dairy Queen, enquanto o especialista em seguros Ajit Jain acumulou a supervisão das operações de seguros como a seguradora automotiva Geico. Ambos são considerados candidatos para eventualmente substituir Buffett, 87 anos, como presidente-executivo da Berkshire. Muitos investidores consideram Abel, que é uma década mais jovem que Jain, o favorito.

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