Como o negro mais rico dos EUA e seu sócio bilionário se tornaram grandes filantropos

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“Eu nunca vou me esquecer de que a minha trajetória foi pavimentada por meus pais, avós e gerações de afro-americanos cujos nomes eu nunca saberei”, escreveu Smith em uma declaração. (Reprodução/FORBES)

Todos os anos, na época do Dia de Ação de Graças e do Natal, o bilionário Robert Smith e sua esposa, Hope Dworaczyk, convidam um grupo de 30 adultos que cresceram em abrigos para passar os feriados com sua família. O gesto tem origem nos dias que Smith passou na Universidade Cornell, onde conheceu uma jovem que cresceu como criança órfã e estava buscando um lugar para ficar no campus durante as férias de inverno, já que não tinha idade para ser atendida pelo sistema social.

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“A menina conseguiu entrar em Cornell e, mesmo assim, não tinha ninguém que se preocupasse com ela e nenhum lugar para ir nas férias”, relembra o bilionário. “Isso sempre ficou na minha cabeça.”

Sensível às dificuldades dos marginalizados, Smith, engenheiro de formação, desenhou um programa filantrópico ambicioso que enfatiza a diversidade e a igualdade de oportunidades. Com patrimônio de US$ 4,4 bilhões, ele é agora, aos 55 anos, o afro-americano mais rico e está concentrado em canalizar sua riqueza para construir caminhos para os afro-americanos e as mulheres.

“Eu nunca vou me esquecer de que a minha trajetória foi pavimentada por meus pais, avós e gerações de afro-americanos cujos nomes eu nunca saberei”, escreveu em uma declaração – que não foi publicada – quando ele se tornou o primeiro norte-americano negro a assinar o Giving Pledge, comprometendo-se a contribuir com metade do seu patrimônio para causas filantrópicas durante sua vida. “Nós vamos apenas aproveitar o incrível potencial do tempo no qual vivemos hoje para criar caminhos que estimulem todas as pessoas a participar, independentemente do contexto, do país de origem, da crença religiosa, do gênero ou da cor da pele.”

O emprego de Smith como CEO da Vista Equity Partners, empresa de private equity que administra US$ 31 bilhões em investimentos exclusivamente em software, o mantém ocupado. Mas ele está empregando mais tempo a seus trabalhos fora dos negócios. Smith é presidente da sala de espetáculos Carnegie Hall e da organização Robert F. Kennedy Human Rights, na qual se envolveu em projetos específicos, como ajudar detentos que não podem arcar com o pagamento de fiança.

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Esses cargos não são sempre fáceis. “Afro-americanos bem-sucedidos se tornam alvos de racismo”, diz Ibram Kendi, um dos principais estudiosos de temas ligados à discriminação nos Estados Unidos que é próximo de Smith. “Robert, que é um homem de negócios bem-sucedido como nenhum outro nos Estados Unidos, precisa de coragem para se posicionar em público.”

Os esforços filantrópicos de Smith existem em dois formatos. Ele faz contribuições pessoais diretas, como os US$ 20 milhões que destinou ao Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington D.C., para apoiar um programa de digitalização que tem como objetivo preservar as histórias das famílias de todos os negros norte-americanos. Recentemente, doou também US$ 2,5 milhões ao Prostate Cancer Foundation, um suporte para as pesquisas focadas em homens afro-americanos e aos veteranos que estejam lutando contra o câncer de próstata.

Smith também é presidente da Fund II Foundation, estabelecida em 2014 para conceder a obras de caridade os ativos de uma reserva estabelecida quando o primeiro fundo de private equity da Vista foi fundado, em 2000. O propósito da reserva era assegurar um passivo contingente para o primeiro investidor da empresa, mas uma vez que qualquer passivo foi liquidado, o que restou foi destinado a causas solidárias. A entidade começou com US$ 247 milhões em 2014 e recebeu outros US$ 101 milhões em contribuições e dividendos em 2015, mostram as declarações de impostos.

A Fund II Foundation fez grandes doações ao longo desse tempo. Entre elas, os US$ 40,6 milhões destinados a Susan G. Komen para pesquisa e conscientização do câncer de mama e os US$ 50 milhões doados à UNCF, organização para educação de minorias. Outros US$ 50 milhões contribuíram para melhorar a representação de mulheres e minorias na pesquisa científica na Escola de Engenharia da Universidade Cornell.

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A instituição também fez uma doação de US$ 9,3 milhões à Global Wildlife Conservation, criada há uma década com a ajuda do bilionário Brian Sheth, sócio de Smith e presidente da Vista Equity Partners. Ao aprender com o exemplo de Smith, Sheth, aos 42 anos, está tentando trazer o mesmo rigor financeiro que utiliza como um grande negociador de tecnologia às causas com as quais ele se importa. Sheth é presidente da Global Wildlife e o principal financiador da ONG que está trabalhando em 45 países para salvar espécies e habitats.

A Global Wildlife liderou um esforço para adquirir e proteger 2.428 hectares de floresta tropical da Guatemala que um grupo pretendia desmatar. Sheth está, agora, apoiando um novo aviário na Nova Zelândia e empregando outros esforços para salvar o pernilongo-da-nova-zelândia, ave pernalta mais rara do mundo. Na Indonésia, a organização está trabalhando para recuperar o rinoceronte-de-sumatra, a mais ameaçada de extinção entre as cinco espécies do animal do mundo, com menos de 100 indivíduos. Além das iniciativas de conservação, a Sangreal Foundation de Sheth também apoia causas educacionais, como uma academia de música em Anguilla.

Para Smith, seu rancho Lincoln Hills Colorado parece ser a maior fonte de alegria. Quando criança, sua família passava as férias em Lincoln Hills, um dos primeiros resorts onde afro-americanos podiam alugar cabanas. Ao longo do tempo, sua condição se deteriorou. Smith comprou o rancho e o reformou. Lá, ele desenvolveu um programa de verão para cerca de 5 mil crianças de cidades menos desenvolvidas.

Um ávido praticante de fly fishing (pesca com mosca) que gosta de fisgar trutas no rio Fryingpan, no Colorado, Smith gosta de compartilhar seu esporte favorito. Há um programa para veteranos lesionados no rancho, que inclui rampas e tratores para ajudá-los a entrar na água para que possam pescar.

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Para Lonnie Bunch, diretor do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, Smith representa uma nova geração de liderança corporativa negra, seguindo os passos de Ken Chenault e Richard Parsons. “É uma nova geração que entende a tecnologia. Eles não são a American Express ou a Time Warner e o que eu amo é que eles têm uma liberdade para serem eles mesmos”, diz Bunch. “Robert pode se orgulhar de ser um executivo bem-sucedido.”

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