Estácio amarga prejuízo líquido de R$ 12,8 mi no 4º tri

O fluxo de caixa operacional ajustado foi positivo em R$ 306 milhões no quarto trimestre (iStock)

A Estácio Participações amargou um prejuízo líquido de R$ 12,8 milhões no quarto trimestre, ante lucro líquido de R$ 124,3 milhões no mesmo intervalo de 2016, em um resultado afetado por eventos não recorrentes e reestruturação interna.

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Em dezembro, a companhia desligou centenas de professores, travando um embate com sindicatos que acabou chegando aos tribunais. A decisão, que conforme material de divulgação do balanço visava “ganhos de eficiência”, gerou um impacto pontual de R$ 117,1 milhões no último trimestre do ano passado.

Descontando esses e outros itens extraordinários, a segunda maior empresa de ensino superior do país teve um lucro líquido ajustado R$ 180,2 milhões entre outubro e dezembro.

Já o desempenho operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado subiu 87% ante o último trimestre de 2016, para R$ 238,4 milhões, com a margem Ebitda ajustada subindo 12,4%, para 28,4%.

A receita operacional líquida da Estácio no quarto trimestre cresceu 5,2% ano a ano, para R$ 838,5 milhões, apoiada na alta de 8,9% do ticket médio presencial e de 2,6% no EAD. Ao mesmo tempo, as despesas comerciais, gerais e administrativas cresceram 113% na mesma base comparativa, para R$ 322,1 milhões.

O fluxo de caixa operacional ajustado foi positivo em R$ 306 milhões no quarto trimestre, ante fluxo negativo de R$ 58,3 milhões um ano atrás. Com isso, a empresa encerrou 2017 com R$ 524,4 milhões em caixa, reduzindo a dívida líquida a R$ 144,6 milhões, ante R$ 760,4 milhões em dezembro de 2016.
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A alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda caiu para 0,2 vez no fim de 2017, de 1,1 vez um ano antes.

A Estácio tinha 515,4 mil alunos matriculados em dezembro, alta de 1,5% ano a ano. A base de estudantes no EAD cresceu 17%, para 170,7 mil, enquanto a do presencial encolheu 4,8%, para 344,7 mil.

Apoiada no novo marco regulatório para ensino à distância, a Estácio elevou a 394 o número de polos EAD no quarto trimestre, ante 209 um ano atrás. Por outro lado, a empresa reduziu a 93 o total de unidades presenciais, após fechamento de quatro campi.

Em teleconferência com analistas e investidores sobre o balanço trimestral, o presidente da companhia, Pedro Thompson, disse que vê o segmento EAD como estratégico para o crescimento da Estácio em 2018, embora a nova regulação tenha acirrado a concorrência entre as instituições de ensino. “Em relação ao preço do EAD, é uma verdade absoluta que vai ser mais competitivo, mas estamos conseguindo impor nosso ticket médio, ampliar polos e manter uma captação saudável e dentro do esperado”, afirmou o executivo.

Segundo Thompson, o principal desafio para as empresas de educação superior no país este ano será a receita, e a postura conservadora da Estácio em termos de precificação será visível no primeiro trimestre.

“2018 continuará sendo um ano de muito trabalho para a Estácio, principalmente nas frentes para ganhos de eficiência”, contou o presidente.

Às 11h54, as ações da Estácio subiam 4,76%, cotadas a R$ 34,99, figurando entre os destaques positivos do Ibovespa, que subia 0,54%.

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