Conheça o aplicativo que quer mudar a maneira como o mundo se alimenta

Conheça o aplicativo que quer mudar a maneira como o mundo se alimenta - Nutrifix
Joel Burgess, fundador do Nutrifix, diz querer expandir os negócios para cidades movimentadas, como Sydney e Nova York.

A rotina profissional, cada vez mais, tira o nosso tempo e comer fora se faz, frequentemente, uma necessidade. Muitas vezes, não se alimentar em casa, corretamente, torna-se uma regra, e não uma exceção. A boa notícia é que, também cada vez mais, é possível fazer escolhas mais saudáveis.

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Um recém-lançado aplicativo para iOS, batizado Nutrifix, tem essa proposta. Ao acessá-lo, os usuários preenchem suas necessidades e restrições nutricionais, além dos objetivos, na configuração da ferramenta. Em seguida, o aplicativo apresenta a melhor escolha de refeição em cada ponto do caminho que você costuma fazer.

Ainda fora da AppStore brasileira, o Nutrifix tem crescido de forma exponencial. Em novembro de 2016, foi uma das primeiras startups convidadas a participar da iniciativa Just Eat Food Tech Accelerator, que investiu £ 20.000 no aplicativo, bem como ofereceu à equipe um programa de coaching intensivo de 10 semanas. Em março de 2017, o aplicativo iniciou uma campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) na Crowdcube, que levantou 200 mil libras.

Em entrevista, Joel Burgess, responsável pelo desenvolvimento do Nutrifix, fala sobre a ideia e conta quais os planos para o aplicativo.

FORBES- Quais são as métricas utilizadas para determinar/definir os objetivos de cada usuário?

JOEL BURGESS- Para permitir que o aplicativo faça recomendações de refeições personalizadas, perguntamos ao usuário o quanto ele é ativo fisicamente, quais são seus objetivos fitness, preferências para dietas e informações físicas (altura, peso e idade). Com base nestes dados, aplicamos um algoritmo para classificar cada refeição segundo as necessidades estabelecidas pelo usuário, bem como a quantidade de açúcar, fibra e gordura saturada contidas nela. Quanto maior a pontuação do Nutrifix, melhor!

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F- Ao trabalhar com tantos restaurantes e redes de fast food em Londres, quais tendências são observadas nos menus e nos hábitos de consumo dos clientes?

JB- O hábito de comer fora, ou enquanto faz outra coisa, é crescente e os restaurantes tendem a aceitar as demandas dos consumidores para se adaptar.
Acreditamos que a maioria das pessoas quer comer de forma saudável em um dia normal. Dito isto, parece haver muita confusão e uma preocupação frustrada quanto ao que é se alimentar de forma saudável. Os consumidores querem cada vez mais conhecer as informações nutricionais dos alimentos que ingerem para que possam tomar decisões mais assertivas. Quem entender esta necessidade estará em vantagem.

Quarenta por cento dos nossos usuários têm preferência alimentar, as mais comuns são dietas sem lactose e sem glúten. No entanto, a partir de um levantamento feito com clientes da nossa plataforma, notamos que a maioria das pessoas que compram alimentos sem glúten, lactose ou açúcar, busca benefícios à saúde, e não por ter algum problema de intolerância. Acreditamos que esta tendência para dietas flexíveis só aumenta e que restaurantes que oferecem opções para esse tipo de personalização irão prosperar.

F- Qual é a sua ambição com o aplicativo?

JB- Nossa missão é fornecer transparência total sobre os ingredientes da comida de rua e ajudar as pessoas a se alimentarem de forma saudável. Não estamos aqui para ditar se alguém deve ou não consumir uma fatia de bolo. O importante é que as pessoas saibam o que vão comer para que possam tomar melhores decisões.

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Ao olhar para o futuro, a Nutrifix mira três tendências em crescimento: nutrição pessoal, bem-estar e alimentação. O crescimento no setor de alimentos de conveniência e bem-estar impulsiona a demanda. No entanto, cabe à nossa inovação de produtos tornar a nutrição personalizada uma realidade e fornecer consistentemente uma experiência surpreendente para um dia a dia mais saudável. Estamos especialmente empolgados com as melhorias no rastreamento e na acessibilidade dos testes de DNA, o que colocará a Nutrifix em uma posição única para tornar a nutrição altamente personalizada uma realidade.

F- Em um mercado saturado, o que este aplicativo oferece que ainda não estava disponível?

JB- Não há nada no mercado como o Nutrifix, já que os aplicativos de nutrição atuais abordam o que já aconteceu ou exigem horas de planejamento, o que, quando se vive uma vida agitada, pode ser difícil ou impossível. O Nutrifix é projetado para ser rápido e fácil, e vem no momento perfeito, quando há uma tendência crescente de comer em qualquer lugar. O app permite que você saiba, instantaneamente, qual é a coisa mais saudável no cardápio para atender às suas necessidades nutricionais. Achamos que isso, em si, é muito inovador. Ele permite que os usuários tomem decisões saudáveis ​​e bem informadas onde quer que estejam, segundo o que querem comer.

F- Como surgiu a ideia do Nutrifix e como o conceito mudou de sua ideia original para o que vemos agora no mercado?

JB- Eu comecei o Nutrifix por interesse próprio. Eu era uma adolescente saudável, que praticava atividades físicas. Amava esportes, particularmente, rugby. Até consegui ser pago por isso, mas, quando completei 20 anos, coloquei um fim às minhas ambições esportivas profissionais. Naquela época, eu trabalhava para uma empresa imobiliária que indicava locais para restaurantes em Londres. Era divertido, mas eu estava sempre em movimento, com pouco tempo para fazer minha própria comida. Com isso, veio um pouco de peso extra e, antes que eu percebesse, tinha 30 anos e não era mais a pessoa que se exercitava regularmente e comia de forma adequada que eu costumava ser.

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Tentei seguir inúmeras dietas, com sucesso limitado. Comia constantemente enquanto fazia outra coisa, tinha pouco tempo para ler os rótulos, era uma luta saber o que comer. Então, fiz uma lista detalhada das melhores coisas para consumir nos dia a dia. Listei uma série de refeições, classificadas segundo o que era melhor para as minhas necessidades nutricionais.

Foi quando as pessoas começaram a me pagar para fazer listas nutricionais para elas, e as sementes do Nutrifix foram costuradas. Pensei em transformar minha lista em um aplicativo, que qualquer pessoa pudesse acessar, para ajudar a encontrar alimentos saudáveis ​​adaptados às suas necessidades nutricionais. A ideia rapidamente se tornou uma missão. Um ano depois, o Nutrifix nasceu.

F- Que insights você teve com a mentoria que recebeu?

JB- A incubadora Just Eat foi inestimável para nós. Quando começamos a construir nosso aplicativo beta, tentávamos resolver todos os problemas sob a ótica de uma alimentação saudável. E a Just Eat nos apresentou a abordagem do ‘lean startup’: construir, medir e aprender. Isso nos forçou a lançar nosso produto antes do planejado e fazer os ajustes necessários bem mais cedo do que se não tivéssemos seguido a mentoria.

F- Como é um dia comum na sua rotina?A que horas você se levanta? Vai, principalmente, a reuniões? Passa o dia no desenvolvimento da tecnologia do aplicativo? Como você trabalha com seus restaurantes parceiros?

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JB- Não há dois dias que sejam iguais para o fundador de uma startup em estágio inicial. Mas eu sempre começo meu dia da mesma maneira: na academia. Para mim, é o único momento que tenho para fugir do mundo e a única vez que não penso no Nutrifix. Exercitar-me antes de verificar e-mails ou meu celular me permite começar o dia com a cabeça arejada. Nos estágios iniciais do Nutrifix, trabalhei em todas as partes do negócio: execução das mídias sociais, marketing, desenvolvimento de produtos, reuniões e conversas com todos os nossos restaurantes parceiros. No entanto, com base em uma captação de recursos recente, recrutamos um chefe de marketing, um executivo de marketing e um gerente de negócios para desenvolvimento e vendas. Isso significa que agora me concentro muito mais no produto e nas possíveis oportunidades de parcerias, além de garantir que todos estejam alinhados com a minha visão. À medida que o número de usuários continua a crescer, espero trabalhar cada vez mais com restaurantes, para que os dados do aplicativo tenham maior valor agregado e nossos insights permitam aos nossos parceiros personalizarem seus cardápios segundo as tendências dos nossos usuários, o que resultará em uma presença maior de espaços saudáveis nas ruas.

F- Qual a quantidade de usuários inscritos? E de restaurantes? Quais são suas ambições quanto a esses números?

JB- Poucos dias após o lançamento do app, já estamos com mais de 1.000 usuários ativos. Nossa ambição é de chegar a 50.000 usuários mensais até o final do ano. Registramos mais de 90 restaurantes no aplicativo, o que nos dá cobertura de mais de 10.000 pontos de venda no Reino Unido. Para 2018, nosso foco será Londres. Queremos dobrar esse número.

Assim que conseguirmos provar nosso conceito, esperamos lançar o app internacionalmente, com foco em cidades movimentadas e com uma indústria de saúde em expansão, como Nova York e Sydney.

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