Conheça a startup de US$ 3,5 mi por trás de “Star Wars” e “Mulher-Maravilha”

Em 2013, Kate McLaughlin lançou a We Got Pop para tentar consertar o pesadelo dos trabalhos feitos à mão

Vestida com o icônico uniforme vermelho, azul e dourado, a Mulher-Maravilha observa através de um dos cartazes que revestem as paredes do escritório da We Got Pop, em Londres. Mas a verdadeira heroína, para milhares de pessoas que trabalham na indústria do cinema, é a fundadora da startup.

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“O que todo mundo espera é o que se vê na tela – tecnologia de ponta”, diz Kate McLaughlin, que passou quase duas décadas trabalhando para grandes franquias de filmes como “James Bond” e “Piratas do Caribe”. A realidade de trabalhar na indústria, explica ela, não poderia estar mais longe da verdade. “Eu vi, em primeira mão, os pontos negativos ao gastar 16 horas de trabalho todos os dias para entregar projetos que envolviam muito copiar e colar”, lembra. “Tudo foi organizado offline, em emails, conversas e pedaços de papel espalhados.”

O resgate da indústria

Em 2013, Kate lançou a We Got Pop para tentar consertar esse pesadelo de trabalhos feitos à mão. Trata-se de uma plataforma online que conecta as pessoas que trabalham com a produção do filme ao elenco e à equipe, e que foi desenvolvida para agilizar o processo de “encontrar, reservar, gerenciar e pagar”. “É como um Airbnb, mas para filmes, com ferramentas de RH e comunicação embutidas”, diz Kate.

Hoje um enorme sucesso, a We Got Pop conecta uma comunidade de 25 mil profissionais do cinema e foi usada em 30% de toda a seleção de elenco no Reino Unido no ano passado.

A startup ajudou na criação de cerca de mil filmes, programas de TV e comerciais até o momento, com créditos que incluem tanto franquias de filmes “Star Wars”, “James Bond” e “Mamma Mia” a séries de TV como “The Crown”, “Black Mirror” e “Humans”.

As 400 pessoas que trabalharam no set de “Mulher-Maravilha”, em 2016, usaram a plataforma no fim da jornada. “Normalmente, você tem longas filas e uma equipe de pessoas rabiscando em pedaços de papel e tentando descobrir as contas de todas as horas extras”, explica Kate.

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“Esta é uma indústria muito atrasada, mas nós tivemos os primeiros adeptos da plataforma em filmes, programas de TV e em programas indies e grandes”, diz a idealizadora da ideia.

A criação da empresa

Kate comanda a We Got Pop de um escritório em Shoreditch, um dos cantos criativos de Londres. É o tipo de rua de paralelepípedos que você pode encontrar em um filme de “Bridget Jones” ou “Paddington” – outras franquias que se beneficiaram da ferramenta de Kate. O novo filme “Missão Impossível” teve até cenas filmadas na esquina, acrescenta ela.

Em 2015, a primeira rodada de investimentos da empresa – de cerca de US$ 660 mil – incluiu financiamento do Pinewood Studios (que produziu filmes como “Harry Potter”, “James Bond” e “Star Wars”). “Quando você é um peixe pequeno, ter um nome como Pinewood foi uma validação importante da indústria”, lembra a fundadora. No início deste ano, outra rodada, liderada pela Octopus Ventures, captou US$ 2,7 milhões.

Kate conta que um dos principais desafios que teve que superar foi o fechamento do negócio ao mesmo tempo em que estava grávida e, logo em seguida, com a filha recém-nascida, Robyn, nos braços. Mas, com o apoio do marido e da equipe, a empreendedora conseguiu levar o bebê para reuniões de trabalho e de negócios e amamentá-la sempre que necessário.

Confiar na equipe para fazer o que ela não poderia fazer foi a chave para superar este ato de malabarismo entre vida pessoal e profissional. “Permitir que as pessoas tenham uma noção das coisas é fundamental para a nossa cultura. Temos muitas pessoas excelentes e confiamos uns nos outros para fazer o melhor”, diz ela.

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Rumo a Hollywood

Talvez não seja nenhuma surpresa o fato de Kate querer levar sua plataforma aos Estados Unidos. “O país é muito importante para nós, já que muitos dos principais executivos da indústria estão lá”, explica ela sobre o lançamento de 2017 em Nova York. “É também um mercado empolgante, pois acho que eles estão cinco ou 10 anos atrás em termos de tecnologia neste cenário.”

A façanha envolveu foco nos detalhes diabólicos, acrescenta, tanto em termos de adaptação da linguagem para o inglês norte-americano quanto em relação às regulamentações do país.

O futuro do cinema

Kate está agora se preparando para iniciar outra rodada de financiamento, o que deve acontecer no final de 2018. E, embora a empresa esteja focada em elenco e equipe, sua plataforma poderá se conectar a outros locais, instalações ou serviços, diz ela.

Com a We Got Pop liberando tempo – e dinheiro – para a simplificação da produção de filmes, ela espera capacitar os profissionais da criação para oferecer o conteúdo mais inovador possível. “Quando não há tempo para encontrar uma maneira melhor de fazer as coisas, os processos estagnam”, diz ela. “Queremos ser os melhores da classe em toda a indústria.”

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