O impacto econômico da WeWork nas cidades

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Com a ascensão de freelancers e startups, a maneira como as cidades geram empregos por meio do empreendedorismo tem mudado

Com a ascensão de freelancers e startups, a maneira como as cidades geram empregos por meio do empreendedorismo tem mudado. Esses profissionais trabalham em cafeterias, em casa e, cada vez mais, em espaços de trabalho compartilhados, onde dezenas de empresas ocupam um único andar.

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As cidades estão ansiosas para atrair este trabalhador da próxima geração. Miami, por exemplo, associou-se à gigante WeWork para oferecer descontos temporários a empreendedores locais.

Mas vale realmente a pena para os governos apoiar esses espaços de coworking?

A WeWork tentou estimar seu valor para as cidades com um novo relatório de impacto econômico, baseado em mais de 10 mil respostas a uma pesquisa e em um modelo econométrico dos benefícios fiscais e trabalhistas das indústrias nas quais seus usuários atuam.

Antes de se aprofundar no estudo, é necessário saber um pouco da teoria econômica geral sobre como a WeWork poderia estimar seu valor. Enrico Moretti, economista da Universidade de Berkeley, mostrou que nem todas as indústrias são igualmente valiosas para as cidades. Em “New Geography of Jobs” (“Bova Geografia dos Empregos”, em tradução livre), ele estima que cada trabalho na área de tecnologia cria cinco vagas adicionais.

Outras indústrias, como a manufatura, têm um “multiplicador” menor, porque geram menos riqueza por posição. Moretti usa o exemplo da Apple, que cria dezenas de milhares de vagas em sua sede na Califórnia, em parte porque empresas de todo o mundo compram seus produtos, o que injeta bilhões de dólares nas cidades vizinhas. Ou seja, os produtos “comercializáveis” (globais) da Apple se transformam em empregos “não-negociáveis” em serviços locais e outras indústrias.

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Assim, ao usar a teoria econômica geral, a WeWork estima que seus membros tenham um multiplicador de empregos de 2,1 vezes nas principais cidades. Com base nos tipos de indústrias mais comuns entre seus membros, também estima que paga uma quantia considerável de receita tributária. Segundo o estudo, 74% dos membros da WeWork em Los Angeles, por exemplo, são indústrias do setor de “inovação”. Como resultado, a WeWork diz que gera US$ 93 milhões em impostos apenas para a Califórnia.

Em Nova York, estima-se que 73% dos associados não tenham trabalhado na vizinhança antes de se juntar à WeWork, o que é uma evidência adicional de que a empresa tem trazido para as cidades receitas que poderiam ter sido geradas em outros lugares.

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