Por dentro da bilionária indústria de medicina animal

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Embora as estimativas variem, acredita-se que o mercado de medicina animal seja de cerca de US$ 2,5 bilhões por ano atualmente nos EUA

Quando a Pfizer desmembrou seu negócio de saúde animal, em 2013, poucos poderiam imaginar que, cinco anos depois, o valor de mercado da unidade, chamada Zoetis, teria aumentado cerca de 150%. Mas essa é, precisamente, a trajetória da empresa, que hoje vale US$ 39,5 bilhões.

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A farmacêutica Eli Lilly também considera seriamente fazer o mesmo com a sua unidade de negócios de medicina animal, Elanco. E não é de se admirar que mesmo empresas muito menores estejam no mesmo movimento.

No último dia 7, os investidores da Kindred Biosciences colheram os bons frutos depois que o Centro de Medicina Veterinária da Food and Drug Administration (FDA) aprovou o Mirataz, um medicamento terapêutico para controlar a perda de peso em gatos. Em 2013, no mesmo ano em que a Zoetis foi desmembrada da Pfizer, a Kindred Biosciences abriu o capital em US$ 12 por ação, alcançou US$ 24 em 2014 e depois experimentou queda e passou a valer entre US$ 8 e US$ 10.

O preço das ações da Kindred Biosciences está relacionado aos atrasos com a aprovação da FDA de duas drogas para o mercado de pets, que é o único foco da empresas. Mas o período de seca para os seus investidores está perto do fim, segundo alguns profissionais de Wall Street. A aprovação da Mirataz pela FDA vai “impulsionar o crescimento”, diz Kevin DeGeeter, analista de ações da empresa de investimentos Ladenburg Thalmann. Ele elevou sua meta de preço dos papeis da empresa para US$ 12,75 por ação. Na última quarta-feira (9), as ações fecharam a US$ 9,65.

“Esperamos que a Mirataz gere um pico de vendas de US$ 70 milhões e forneça um caminho claro para a lucratividade”, afirma DeGeeter. No médio prazo, o especialista diz esperar que uma linha de produtos biológicos da Kindred Biosciences, incluindo o Epocat, para o tratamento da anemia felina e da dermatite atópica canina, ofereça um potencial maior de vendas.

Ainda neste ano, a empresa, que tem mais de 20 medicamentos em desenvolvimento para gatos, cães e cavalos, espera que o Centro de Medicina Veterinária da FDA aprove o Zimeta, um medicamento aplicado por via intravenosa para controlar pirexia, a febre em cavalos.

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Andrew D’Silva, analista de ações da empresa de investimentos B. Riley, diz que há mais de nove milhões de gatos nos EUA com inapetência (perda de apetite) e mais de 700 mil cavalos que em algum momento tem febre a cada ano. “Esses mercados oferecem oportunidades significativas de crescimento para a empresa”, afirma.

Embora as estimativas variem, acredita-se que o mercado de medicina animal seja de cerca de US$ 2,5 bilhões por ano atualmente nos EUA. Mas esse número pode estar subestimado, já que existem poucos medicamentos desenvolvidos nesse setor. Até agora, o foco principal dos provedores de saúde para pets tem sido o tratamento de gado e de outros animais de fazenda, cujo mercado é maior.

As vendas relacionadas à pecuária equivalem a quase 60% da receita total da Zoetis, por exemplo. E grande parte do foco da empresa está nos produtos contra carrapatos e pulgas, conhecidos como parasiticidas, que não é um mercado que a Kindred Biosciences busca.

Outras grandes empresas de saúde animal incluem a Merck Animal Health, uma divisão da Merck, e a Bayer Animal Health, uma divisão da Bayer AG.

“Quando você pesquisa o conjunto competitivo, percebe que a Kindred Biosciences é a única realmente focada no mercado de medicamentos para animais de estimação”, observa um acionista.

O objetivo comercial imediato da Kindred Biosciences é identificar compostos de medicamentos já aprovados para humanos e desenvolver versões seguras que abordem a fisiologia de animais de companhia, ou seja, gatos, cães e cavalos. Segundo a empresa, muitas vezes, animais de estimação sofrem das mesmas condições médicas que os seres humanos.

Ao contar com compostos de remédios já aprovados para seres humanos, a empresa pode comercializar tratamentos aprovados pela FDA em um período de três a cinco anos, incluindo o período de testes clínicos, e a um custo de cerca de US$ 5 milhões por indicação. Em comparação, o prazo para o desenvolvimento de um medicamento para humanos bem-sucedido varia entre 10 a 15 anos e custa cerca de US$ 1 bilhão.

É importante ressaltar que, cada vez que a Kindred Biosciences for a primeira a comercializar um novo tratamento aprovado pela FDA para pets, terá direito a cinco anos de proteção por patente ou exclusividade de mercado. A Kindred Biosciences também tentará introduzir esses medicamentos na Europa, onde a Agência Europeia de Medicamentos concede 10 anos de proteção exclusiva a novas drogas. E essa exclusividade pode se estender a cada nova formulação..

A nova linha de produtos da Kindred Biosciences também inclui produtos biológicos, baseados em anticorpos derivados de cães, gatos e cavalos. Mas, por enquanto, Mirataz e Zimeta são os destaques.

A perda de apetite afeta nove milhões de gatos anualmente e as causas incluem tudo, desde doença crônica a infecção. Em média, um veterinário vê sete ou mais gatos por semana com essa condição. Se não for tratada e um gato perder 10% do seu peso, o dano hepático se instala e pode ser fatal em muitos casos. Estabilizar o peso de um gato fornece ao veterinário a oportunidade de tratar a condição subjacente.

Antes do Mirataz, um veterinário prescrevia uma dose humana do ingrediente ativo mirtazapina, que aumenta o nível de serotonina no cérebro e equilibra a atividade da substância no trato gastrointestinal, aliviando assim a náusea e a perda de apetite. O dono do animal cortava o comprimido em pedaços para tentar dá-lo ao gato doente.

A Kindred Bioscience projetou uma pomada transdérmica que é aplicada no interior da orelha de um gato. Em ensaios clínicos, o Mirataz resultou em alta e previsível absorção, além de provocar o retorno do apetite do animal. Por conta disso, as perspectivas de lucro são grandes.

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