Primeira cerveja espacial pode custar mais de US$ 1 milhão

Primeira cerveja espacial pode custar mais de US$ 1 milhão - Vostok Space Beer
Surgido em 2010, o projeto da cerveja espacial está em fase de arrecadação de fundos para produção.

A ideia de passar férias fora deste mundo não é mais um sonho com a previsão de lançamento do Aurora Station, um hotel de luxo no espaço, para 2.022. Diante da nova possibilidade, digamos que você desembolsou US$ 9,5 milhões para passear por 12 dias pela órbita terrestre. Quais seriam suas expectativas para um jantar no espaço?

VEJA TAMBÉM: Novo rótulo de cerveja homenageia casal real

Provavelmente é hora de mais empresas de alimentos e bebidas adaptarem sua linha de produtos à nova realidade. Duas companhias – de setores distintos – já voltaram seus esforços para essa possibilidade. Atualmente, a 4 Pines Beer, fabricante australiana, e a Saber Astronautics, norte-americana cuja missão é encurtar as barreiras para a conquista do espaço por meio da tecnologia, estão em fase de criação da primeira cerveja espacial do mundo.

A ideia surgiu em 2010, quando os fundadores, Jaron Mitchell, da 4 Pines, e o Dr. Jason Held, da Saber Astronautics, se conheceram. O engenheiro espacial já havia encontrado o pai de Mitchell um ano antes e estava familiarizado com os sabores nítidos e complexos da cerveja 4 Pines quando comparada a outros produtos do mercado. O Dr. Held propôs de cara à cervejaria: “O que você acha de colocar sua cerveja no espaço?”, perguntou.

Inicialmente, Mitchell achava que a ideia era “louca e brilhante, em partes iguais”. Mas, como um ávido amante do espaço com uma mente curiosa, ele imediatamente aceitou ir em frente. Junta, a dupla nomeou a cerveja de Vostok, uma reverência à nave espacial de 1961 dirigida por Yuri Gagarin, e trabalhou incansavelmente por oito anos (e contando) para viabilizar o projeto.

Obviamente não foi fácil. De acordo com os fundadores, para alcançar as três qualidades-chave que o cervejeiro mestre possui – absorção de álcool, conforto e paladar -, houve uma série de desafios impostos pela gravidade zero.

Primeiro, gases e líquidos não se separam no espaço. As bolhas se agrupam e formam uma grande bola de gás cercada por uma casca de cerveja, o que cria uma condição embaraçosa (ainda que inofensiva) chamada “arroto molhado”, em que o gás e o líquido saem juntos. Por isso, qualquer bebida gaseificada – cerveja ou refrigerante – pode causar desconforto.

E AINDA: Nível de emprego na indústria da cerveja dos EUA dobrou em uma década

Em segundo lugar, a cabeça naturalmente incha quando não há gravidade para acumular sangue nos pés, o que resulta em falta de sensibilidade na língua e capacidade reduzida de distinguir os sabores.

Portanto, para fazer uma cerveja que atenda aos padrões universais de Mitchell, a dupla precisaria criar uma maneira de reduzir a carbonatação o suficiente para que, ao apreciar a bebida, a pessoa se sinta confortável. E, ao mesmo tempo, fortalecer o sabor que complementa as bolhas menores.

Outra consideração importante é a embalagem. Sem gravidade, conseguir fazer com que a pessoa coloque a cerveja na boca é um desafio. A tensão superficial faz a cerveja grudar na garrafa – em vez de ir a outro lugar. Mitchell inevitavelmente se perguntava: “Como tirar a cerveja da garrafa sem precisar apertar ou sugar com um canudo?”.

Para atingir o objetivo, a equipe considerou várias opções, como sistemas alimentados por pressão e canudos. No entanto, para oferecer uma experiência de degustação mais próxima da Terra, ela decidiu que o mecanismo dos tanques de combustível – que tem um suplemento interno para ajudar a espalhar o líquido na direção de uma válvula – funcionaria melhor para controlar a trajetória da cerveja no espaço. O conceito foi testado e confirmado pelos pesquisadores durante um voo em fevereiro de 2011.

Depois da preparação e das dificuldades técnicas preliminares resolvidas, a empresa começou a procurar fabricantes para o produto no final de 2017. Até agora, a equipe gastou mais de US$ 250 mil. Com base na recente campanha de financiamento coletivo na Indiegogo para a Vostok, é possível saber que a produção terá custo superior a US$ 1 milhão. Até o momento, foram arrecadados quase US$ 30 mil, aproximadamente 3% da meta estipulada.

VEJA AQUI: 10 países que mais beberam e compraram cerveja no mundo em 2017

De acordo com o Dr. Held, os quesitos cobertos pelo custo são design industrial, instrumentos e fabricação. Não estão incluídas aí as despesas com a pesquisa e o desenvolvimento adicionais para o bocal da garrafa e com voos parabólicos, caso a equipe enviasse 50 pessoas para provar a cerveja.

Quem puder – e quiser – tornar-se um patrocinador do projeto, terá direito a algumas gratificações. Por um mínimo de US$ 90, você recebe uma garrafa da cerveja espacial Vostok até dezembro de 2019 – parece um pouco demais para uma garrafa vazia, mas ao considerar o “bem maior” da descoberta espacial, talvez isso valha a pena. Já os patrocinadores que pagarem US$ 20.000 ou mais terão direito à garrafa e a uma sessão de teste para degustar a cerveja em gravidade zero.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).