Executiva da Sanofi no Canadá combina ciência e diversidade

Apesar de tudo que viveu e do que acredita, Niven não se identifica como feminista, mas sim como uma mulher que acredita na inclusão e no poder da diversidade.

Niven Al-Khoury, líder das áreas de Diabetes e Cardiovascular para mercados emergentes da Sanofi, esteve no Brasil no final de novembro para um congresso sobre o tema que recebeu mais de 300 especialistas de toda a América Latina. Nomeada líder da unidade canadense da gigante farmacêutica em 2015, a executiva tem na carreira passagens por vários países e atuação em diversas empresas, entre elas, Johnson&Jonhson.

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Formada em farmácia pela Universidade de Montreal, no Canadá, Niven diz ter escolhido o curso pela paixão que tem pela ciência e pela forma como ela pode impactar a vida das pessoas. Sua principal motivação, ainda hoje, é buscar soluções para aqueles que mais precisam, objetivo que combina com uma preocupação constante com a diversidade social e cultural.

Com mais de duas décadas de experiência em vendas, marketing, assuntos governamentais, relações públicas e estratégias de comunicação corporativa, a executiva teve sua primeira experiência sólida em um mercado emergente quando mudou-se para o Egito, em 1996, ao casar com um canadense que tinha negócios no país árabe. A mudança despertou várias habilidades em Niven, incluindo a detecção de possíveis inovações na indústria farmacêutica. “Sair da minha zona de conforto fez com que eu encontrasse meu potencial de liderança, me adaptasse a uma nova cultura e, principalmente, desse um novo rumo à minha profissão e carreira. Eu trabalhei como farmacêutica, mas descobri a indústria e as pesquisas, e com isso eu também me descobri, me encontrei”, contou em entrevista à FORBES Brasil.

Durante a chamada Revolução Egípcia – série de manifestações de rua, protestos e atos de desobediência civil que ocorreram no país em 2011 -, a mãe de dois filhos ganhou ainda mais notabilidade ao se tornar diretora geral da Sanofi, não só no Egito, mas também no Sudão, dando início à presença e influência da empresa farmacêutica no mundo árabe.

Vivendo atualmente em Paris, na França, Niven relembra as dificuldades enfrentadas ao viver em países árabes enquanto ainda estava crescendo na carreira. “Minha família tinha certeza que eu ia voltar rapidamente, e isso fez com que eu acabasse encarando a experiência como um desafio.” Na época da mudança, a tecnologia ainda não era tão avançada, o que deixava a situação ainda mais difícil. “Eu não tinha GPS, não sabia onde eram os hospitais, nem onde fica minha casa direito. A comunicação também era muito difícil – as pessoas percebiam o meu sotaque e muitas delas não conseguiam se comunicar comigo”, conta.

Como mulher, os obstáculos foram ainda maiores. Em uma sociedade altamente machista, Niven, no papel de líder e diretora de uma grande empresa local, tinha um legado a deixar na terra dos faraós: a percepção de que o gênero não importa na carreira. “Não existem líderes homens ou mulheres, existem líderes. Um líder de verdade, com credibilidade e respeito, deve ser tratado como um mestre, e não como homem ou mulher. As pessoas têm que dar o valor que você tem, e só então começarão a ignorar a qual gênero pertencem.”

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Apesar de tudo que viveu e do que acredita, Niven não se identifica como feminista, mas sim como uma mulher que acredita na inclusão e no poder da diversidade. “É muito importante dar empoderamento, confiança, coragem e suporte não só às mulheres, mas a todas às pessoas. Eu acreditaria em qualquer pessoa que investisse em seus sonhos e tivesse ambição, independentemente do sexo.”

O equilíbrio de gênero é uma meta pessoal para a atual Presidente da Sanofi do Canadá. Segundo ela, existem vários motivos pelos quais a igualdade entre homens e mulheres no mundo corporativo são importantes. Um deles é o próprio argumentos comercial – algumas pesquisas provam que empresas que conquistaram essa condição desenvolvem melhor e mais rapidamente diferenças na forma de pensar e entendimento das necessidades do cliente. “Cerca de 80% das decisões poderiam ser tomadas por mulheres. A mulher é a mãe, a filha, a esposa, uma amiga, uma colega de trabalho. Se estamos em uma empresa, não podemos ignorar a opinião das mulheres. Se queremos falar de inovação, temos que falar de igualdade de gênero.”

O discurso é seguido de ações práticas. “Nós precisamos apoiar e suportar umas às outras”, diz. Convidada com frequência para falar sobre sua carreira em palestras ao redor do mundo, Niven considera o “boca-a-boca” entre as mulheres uma parte importante do processo de mudança da sociedade. A CEO aconselha outras mulheres a seguirem seus sonhos e as estimula a definirem e equilibrarem suas vidas pessoais e profissionais. “Esse equilíbrio é um tesouro. Os desejos variam de pessoa para pessoa, mas saber conciliar as coisas é o que nos deixa felizes e realizadas.” Acreditar em si mesma, dominar as situações e sair da zona de conforto ajudaram a executiva a chegar onde chegou. “Sente-se no banco da frente do carro, mas não se esqueça de uma coisa: você é a motorista e deve saber para onde ir. Mas não está sozinha no veículo e, muito menos, na estrada. Por isso, vá com cuidado.”

No que diz respeito à atuação na sua área, Niven diz que todas as pessoas, independentemente da classe social, raça ou gênero, podem ser altamente afetadas pela diabetes, tanto do tipo 1 quanto do tipo 2. “A falta de diagnóstico ainda é comum, especialmente em países menos desenvolvidos. E, mesmo quando diagnosticada, a doença ainda não é controlada como deveria”, diz. Por isso, ela afirma ter como prioridade a busca de inovações e soluções para a diabetes e doenças cardiovasculares. Segundo a executiva, a educação é um aliado importante no processo de tratamento. “A conscientização geral do público significa praticamente tudo nesses casos”, explica ela, que já fez parte de diversas campanhas de informação que miravam não apenas pacientes, mas também cuidadores. “A pessoa com diabetes tem que pensar na doença mais como amiga do que como inimiga. Costumo orientar total atenção à doença, como se ela fosse um amigo próximo. Se você a ignorar, ela pode se tornar sua inimiga número 1. É melhor controlar do que ser controlado por ela.”

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