Você é o que come – e tudo aquilo que lê

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Entender que o público recebe informações de forma diferente pode melhorar a efetividade do alcance da mensagem a ser transmitida.

Quando chega um novo ano, eu penso — talvez como você — no que quero fazer pelos próximos 12 meses. Claro, eu tenho objetivos. Alguns deles até espero alcançar. Gosto de ler. No ano passado, li mais de cem livros. Faça as contas: dá cerca de dois livros por semana, ou um a cada três ou quatro dias. Talvez não seja muito para os padrões de Bill Gates, mas, ei, ele é um bilionário e aparentemente tem muito tempo livre. Ainda assim, foi um esforço respeitável.

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Aprendi desde cedo que ler faz bem para a alma. Isto é, se você lê coisas que são dignas de alimentar o seu interior.

Além de pilhas de livros, minha leitura inclui artigos, notícias, artigos de opinião e vários posts de blogs. Os posts de blogs oferecem um ponto de vista sobre um determinado assunto. O local que encontrei para ter uma dose diária lições de elevação é o blog de Frank Sonnenberg, autor de livros como “Soul Food: Change Your Thinking, Change Your Life” (Alimento da alma: mude seu pensamento, mude sua vida, em tradução livre).

O FrankSonnenbergOnline foi considerado um dos “Melhores Blogs de Liderança do Século XXI” e está entre os mais compartilhados na internet. O foco do blog está no caráter, nos valores e na responsabilidade pessoal. Como eu disse, algo bom para a alma.

Sonnenberg, que atua em várias diretorias e presta consultoria para conhecidas e respeitadas empresas, escreve sobre questões importantes para o sucesso. É como o seu tio favorito, conversando com você do outro lado da mesa da cozinha. Não se trata de textão chato. Apenas simples (e breves) observações e conselhos sobre temas importantes.

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Eu conversei com ele para aprender mais sobre a sua abordagem em desenvolvimento pessoal:

FORBES: Você diz que o propósito do seu trabalho é compartilhar lições valiosas para aumentar a felicidade e o sucesso das pessoas. Como e quando decidiu seguir essa paixão?

Frank Sonnenberg: Eu sempre fui um estudante da vida e continuo aproveitando todas as oportunidades que surgem para aprender e crescer. Sempre me fiz perguntas do tipo: como as pessoas constroem confiança? O que faz um modelo superior? Quais são os traços de caráter de um líder eficaz? Qual é a diferença entre sucesso e felicidade? Eu tenho trabalhado para descobrir as respostas.

Minha missão é simples: reavivar nosso compromisso com o caráter, os valores e a responsabilidade pessoal. É importante notar que isso não é um negócio: é a minha paixão. Eu simplesmente quero fazer a diferença, compartilhando o que aprendi.

F: Em um de seus ensaios, intitulado “Você consegue o que espera”, você escreve sobre Roger Bannister, o grande atleta que provou que é possível correr 1,5 km em quatro minutos. Você acha possível também que as pessoas não se deixem reter pela “sabedoria convencional”? Qual o antídoto para isso?

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FS: Você já percebeu que ao pesquisar sobre carros na internet surgem anúncios de automóveis além do habitual? O mesmo acontece com noções preconcebidas. Ao esperar um resultado específico, você busca evidências para apoiar sua visão. Isso pode ter um impacto significativo no seu comportamento e nos resultados. Por exemplo: se você acredita que será bem-sucedido, verá suas perspectivas de maneira diferente do que se achar que as pessoas nunca têm chance.

É fácil se deixar tomar pelo pensamento de um grupo. Mas o que o faz pensar que os outros são mais sábios do que você? Talvez eles tenham um chip no ombro ou uma agenda oculta. Seja sua própria liderança e tenha força e coragem para determinar seu próprio destino. Acredite em si mesmo e na sua capacidade de ser bem sucedido. Sua mentalidade é mais importante do que você pensa. Invista no seu crescimento pessoal. Prove que você pode superar desafios difíceis. Isso lhe dará força e determinação para enfrentar o que estiver por vir. Faça boas escolhas. A vida é determinada pela soma das decisões que a gente toma.

F: Os ensaios que você escreve são otimistas e positivos. Até que ponto eles são autobiográficos? Você fala para si mesmo, bem como para o seu público? Se sim, como isso afeta sua escolha de temas?

FS: Alguns dos meus ensaios são baseados em minha filosofia e nas minhas experiências, enquanto outros têm por base as observações que faço como consultor ou a análise de desafios que vejo outros enfrentarem.

Eu mantenho uma lista de temas, e acho que não vou ficar sem assunto tão cedo. Quando termino um, simplesmente olho para os tópicos que anotei e escolho o que me intrigar naquele momento.

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Quando escrevo sobre assuntos como carma, relacionamentos de ganho mútuo ou sobre a importância da honra e da integridade, não estou recorrendo a chavões; esses são princípios com os quais me preocupo profundamente, de verdade. O caráter é o DNA do sucesso e da felicidade, e estou aqui para provar isso a você.

F: Suas mensagens são geralmente breves — apenas dois ou três parágrafos seguidos por uma pequena lista em que propõe etapas de ação. Que dicas os líderes podem tirar desse formato?

FS: Passo tanto tempo pensando em como me comunicar quanto no conteúdo que vou transmitir. As pessoas têm preferências diferentes com relação ao modo de receber informações. Por esse motivo, construo minhas mensagens em vários formatos: uma citação do dia, pôsteres para download gratuitos, publicações em blogs e livros. E os textos são sempre curtos. Meus ensaios possuem cerca de 650 palavras, portanto, a leitura não leva mais que cinco minutos.

Além disso, em vez de ditar regras sobre caráter, valores e responsabilidade pessoal (o que é chato), eu procuro incutir esses princípios em cenários do mundo real para tornar a lição relevante. Eu ponho hyperlinks no texto para aqueles que querem aprender mais. Também me certifico de que cada ensaio contenha conselhos úteis. Por último, mas não menos importante, antes de escrever cada peça eu escolho arbitrariamente três pessoas e, na minha cabeça, escrevo para elas para manter o estilo de escrita pessoal.

Compare isso com a forma como alguns líderes se comunicam nos negócios. Primeiro, eles se isolam em reuniões a portas fechadas e pontificam sua estratégia. Preparam apresentações elaboradas em PowerPoint que detalham de modo exaustivo como e por que devem tomar uma nova direção. Então, sem muita premeditação, eles enviam um memorando ou um vídeo entediante — que é tão longo que pode ser transformado em minissérie — para os funcionários. Acham que os colaboradores vão parar o que estão fazendo para consumir esses materiais. Além disso, presumem que os funcionários entenderão a lógica, mesmo que ela nunca seja apresentada. Então, ficam surpresos quando a iniciativa não tem adesão de ninguém.

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F: Você sugere se cercar de pessoas positivas porque a energia delas é contagiante. Que conselho tem para alguém que, pelo menos a curto prazo, trabalha em um ambiente onde os relacionamentos são tóxicos?

FS: Os resíduos tóxicos têm um tremendo impacto no meio ambiente. Agora, considere o impacto que as pessoas tóxicas têm em sua vida. Eles podem minar sua autoconfiança e levá-lo a reduzir seus padrões ou a comprometer seus valores.

Quando você era criança, seus pais influenciavam seu comportamento. Quando você cresceu, seus amigos preencheram esse papel. Agora, é hora de tomar o bastão e viver uma vida que o deixe orgulhoso. Não permita que suas atitudes sejam influenciadas por outras pessoas que não compartilham dos seus valores. Mantenha-se em um alto padrão — sua consciência.

O fato é que as pessoas não podem obrigá-lo a nada. Estabeleça níveis elevados, seja fiel aos seus valores e ouça a sua consciência — é para isso que você tem uma. Estamos falando da sua vida. Tenha o poder sobre ela.

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