Como montar um dragão: lições de GoT para a carreira

Reprodução HBO
Programa de maior sucesso da história HBO, a série “Game of Thrones” pode funcionar como um modelo para empreender mudanças na carreira

Resumo:

  • Em pesquisa feita com 32 mil estudantes, apenas um terço disse acreditar que sairá da faculdade com as habilidades necessárias para ter sucesso no mercado de trabalho;
  • Segundo pesquisa feita com 500 gerentes, 87% deles gostariam de ter feito mais treinamentos antes de assumir o cargo;
  • O acesso à informação faz com os profissionais se sintam pressionados a ter todas as respostas e conhecimento sempre;
  • Conhecimento aprendido nas universidades ajuda o profissional a ser mais resiliente, buscar informações e administrar o tempo;
  • A experiência acontece no campo da tentativa.

Programa de maior sucesso da história HBO, a série “Game of Thrones” pode funcionar como um modelo para empreender mudanças na carreira. Na estreia da temporada final da série inspirada nos livros de George R. R. Martin, os personagens principais, Daenerys Targaryen e Jon Snow, preparam-se para voar em dragões que cospem fogo. Montar em dragões era algo novo para Jon Snow, que se entrega: “Eu não sei montar um dragão”. Daenerys, experiente na atividade, é rápida no gatilho: “Ninguém sabe até montar um dragão”.

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Aqui está um fato impressionante: uma pesquisa realizada em 2017 com 32.000 estudantes universitários da Strada-Gallup constatou que apenas um terço dos estudantes acredita que se formará com habilidades e conhecimento para ser bem sucedido no mercado (34%) e no local de trabalho (36%).

A confiança na formação não aumenta muito quando esses profissionais são promovidos. Uma pesquisa de 2016 com 500 gerentes da plataforma de aprendizado online Grovo constatou que 44% se sentiam despreparados para o papel, e 87% gostariam de ter feito mais treinamentos antes de assumir a posição.

A força de trabalho atual é mais instruída do que nunca, mas se sente menos preparada. O que está acontecendo? Quanto mais informações tivermos ao alcance de nossas mãos, mais pressão sentiremos para estar prontos, com respostas para qualquer coisa. O Google ajudou a criar um mundo em que a solução para tudo está a uma pesquisa online de distância.

E se o problema que estamos resolvendo for tão complexo quanto gerir uma carreira? Como os dragões, as carreiras se movem rapidamente, são difíceis de se manter no ar e tendem a agir de forma imprevisível. Você pode treinar como montar um dragão por décadas e não estará preparado até pular em um.

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Eu consegui um cargo de vendas na General Electric depois de me formar em engenharia. O conteúdo do curso não me preparou para fazer centenas de chamadas em um dia. Eu li prateleiras de livros sobre o assunto, mas só aprendi de fato ao adquirir experiência prática, semana após semana. Cada pequeno revés era uma oportunidade para adaptar e modificar minha abordagem. Eu sofri a cada rejeição até que as rejeições começaram a se transformar em pedidos de compra.

Como a graduação me preparou para o primeiro emprego? A faculdade me ensinou a ser resiliente. O horário me obrigou a administrar o tempo, a me organizar. Essas habilidades me ajudaram a enfrentar o primeiro ano em uma grande corporação.

Após vários anos de alto desempenho, tive a oportunidade de me candidatar a um cargo de gerência. Conversei com o vice-presidente e ele me disse, com franqueza, que sua preocupação era minha pouca idade e falta de experiência em liderança.

Frustrado pelas duas preocupações estarem fora do meu controle, argumentei: “Se eu voltar daqui a dois anos, ainda serei jovem e minhas ideias ainda não estarão testadas. Por isso, alguém terá que arriscar, já que só posso ganhar experiência na prática”.

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Ele então me contou que não estava preparado para o primeiro cargo administrativo e que aprendeu quase tudo ao trabalhar. A liderança em uma organização é um dragão imprevisível e desafiador, é preciso pular nele. Em um ponto da carreira, alguém lhe deu uma chance. Pedi que me desse a mesma oportunidade e agradeço por tê-la recebido.

Já trabalhei com muitas pessoas que repassaram oportunidades por falta de prontidão. Elas pensaram, erroneamente, que passar mais tempo no posto em que estavam as prepararia para uma nova posição. O que não perceberam é que estamos todos despreparados para o próximo nível até que tentemos.

A próxima vez que você hesitar diante de uma oportunidade, considere se mais tempo em sua função atual irá de fato prepará-lo mais do que fazê-lo perder uma grande chance. Você pode chegar à conclusão de que a única maneira de descobrir é montar no dragão e aprender a pilotá-lo durante o voo.

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