Escolheu a carreira errada? 4 dicas para mudar

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Um novo começo significa novas possibilidades

Resumo:

  • Você tomou um rumo errado em algum ponto e percebeu que o problema não é o emprego, mas, sim, o caminho escolhido;
  • Negação, repressão, medo e uma série de outros fatores podem entrar em jogo — e você pode levar anos para enxergar a verdade;
  • Se as questões em sua cabeça são constantes — e desgastantes –, talvez seja hora de mudar de carreira;
  • Dê a si mesmo permissão para aprender e lembre-se: um novo começo significa novas possibilidades.

O zumbido baixo na cabeça o mantém acordado à noite. É a aflição que permeia seus pensamentos, assim como a agonia que o persegue toda segunda-feira de manhã, sem falta. Você não pode mais ignorar: não está apenas no emprego errado, mas no campo errado. Você tomou um rumo que não deveria em algum ponto da carreira, e recomeçar outra vez parece ainda mais aterrorizante do que seguir nesse caminho. O que fazer, então?

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Não é fácil encarar um erro profissional desses. Para muitos, aceitar que errou é um processo lento e árduo. Negação, repressão, medo e outros fatores podem entrar em jogo — e pode-se levar anos para enxergar a verdade. Eu mesma levei uma década inteira para deixar o setor financeiro e investir na psicologia. Dez anos é muito tempo de espera. Muito tempo com o zumbido na cabeça.

Eu me formei em economia e, ao procurar meu primeiro emprego, escolhi o campo da mesma forma que outros: fiz o que era “esperado”. Logo consegui um trabalho em uma empresa renomada, onde me rodeei de expectativas. Por mais embaraçoso que seja admitir, entrei na área de investimentos para impressionar meus amigos e deixar minha família orgulhosa. Aos 22 anos, a validação dos que me rodeavam importava muito. Talvez até demais.

Eu acreditava ter feito a escolha certa e entrei no mercado de trabalho com todo o fervor de um jovem adulto. Não demorou, no entanto, para a novidade passar e ser substituída pelos primeiros sussurros daquele baixo zumbido. Pouco a pouco, ele cresceu; seu volume subia lentamente.

Cinco anos depois, eu enfrentava a realidade complicada da infelicidade. Queria — talvez fosse mesmo necessário — fazer algo totalmente diferente com meu tempo, com a minha vida. Eu estava totalmente infeliz? Não, e era isso que tornava a situação ainda mais difícil. Eu estava moderadamente infeliz, e ninguém deixa um bom emprego se estiver assim. Ou deixa?

Mais cinco anos e, depois de muita busca, desabafo, lamento silencioso e contemplação dos meus desejos, ouvi minha voz: a psicologia era o meu destino. A ideia de me tornar uma terapeuta havia surgido durante meus anos de sofrimento em finanças, e parecia já antiga. Essa é a parte engraçada de descobrir uma verdade: quando a aceita, percebe que sempre esteve lá.

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Quando contei à minha chefe dos meus planos de fazer mestrado em psicologia, ela não ficou impressionada ou chateada. Pareceu apenas preocupada por ter de preencher minha vaga e acumular mais trabalho. E, mais do que isso, ela estava preocupada comigo. “Erika, as pessoas não saem dessa empresa”, ela me disse. “Você está se arriscando muito. Já pensou como isso afetará seu futuro?”

Ela não estava errada. Eu estava prestes a deixar a segurança do único campo que havia experimentado na vida. Eu dava as costas ao salário fixo, a um pacote robusto de benefícios e bônus anuais. Além disso, dois ou três anos de pós-graduação e seu alto preço me esperavam. Como meu objetivo era entrar em um consultório particular como conselheira de casais, eu pisaria no frágil campo de pequenos negócios, com todos os riscos associados. Uma mudança de carreira tão grande quase parecia irracional ao pesar os prós e contras. Mas havia o zumbido incessante.

Saltar do setor financeiro para a psicologia foi algo radical, mas alguns de nós mudarão de campo, ao longo da vida, de uma forma ou de outra. Para os poucos sortudos, a razão da mudança são sinais claros e impossíveis de ignorar. Para o resto, pode ser mais complicado.

Veja, na galeria de fotos abaixo, 4 dicas para uma mudança de carreira bem-sucedida:

  • Ouça o zumbido na cabeça

    Quanto tempo você gasta sonhando com uma nova carreira? Quantas horas por semana desperdiça tentando se convencer de que deve permanecer onde está? Todos nós pensamos em uma grande mudança ocasionalmente, mas, se a sua mente está sempre agitada, essa questão pode estar consumindo energia demais sua. Este é um tipo de ansiedade em espiral. Se a luta é desgastante, talvez seja hora de mudar de carreira.

  • Olhe para fora, não para frente

    Você já sabe o que pode esperar de seu campo de trabalho: aumentos anuais, novos cargos, funções gerenciais e, quem sabe um dia, a maior sala da empresa. Já olhar para fora dá uma perspectiva mais ampla, o que exige perguntas maiores e mais ousadas ao seu respeito — como o que você pode realizar em um novo campo, em oposição ao que pode ganhar no atual.

    Quando você olha para o que pode vir nessa transformação, outros fatores — que não dinheiro ou segurança — entram em jogo. Realização é alcançar satisfação por meio do trabalho. É ter uma carreira alinhada com motivação, ética e propósito. Ao se imaginar em seu novo campo, deixe a curiosidade e a paixão mostrarem o caminho. Faça um brainstorm. De que forma um salto na carreira contribuiria para a sua felicidade?

  • Encontre clareza

    Sonhar é uma coisa, mas, se você pensa seriamente em trocar de campo, precisa fazer a lição de casa antes de tomar a decisão final. Faça uma lista de perguntas difíceis: “Quanto preciso investir em novos estudos ou treinamento?”, “Posso fazer cursos enquanto permaneço no meu trabalho atual?”, “Que ganhos financeiros posso esperar para a transição?, “O que isso significará para a minha família?”, “Meu parceiro apoiará a decisão?”.

    Em seguida, faça uma pequena pesquisa. Abra alguns livros, leia artigos, conheça suas opções. Consulte um conselheiro de carreira, se puder, ou marque uma conversa com alguém da área pretendida. Quando entender melhor os fundamentos básicos, você pode começar a entrar em contato com seu sistema de suporte. Discuta o que aprendeu com seu parceiro. Converse com sua família e amigos. Encontre a clareza de que precisa.

  • Seja humilde

    Se for mudar de campo, seja humilde. Aceite que vai começar de novo, independentemente das conquistas anteriores ou da idade. Reconheça que todos em seu novo meio terão mais experiência do que você, pelo menos por um tempo. Respire a novidade. Dê a si mesmo permissão para aprender. E lembre-se: um novo começo significa novas possibilidades.

    Você não pode protelar a infelicidade para sempre. A nuvem de descontentamento profissional pairará sobre a sua mente até que você se coloque a caminho de céus mais azuis. Mesmo que não tenha a opção de deixar seu emprego no final do expediente, você tem a opção de confrontar esse incômodo de frente e descobrir o que isso quer dizer. O primeiro passo é escutar a própria sabedoria interior.

Ouça o zumbido na cabeça

Quanto tempo você gasta sonhando com uma nova carreira? Quantas horas por semana desperdiça tentando se convencer de que deve permanecer onde está? Todos nós pensamos em uma grande mudança ocasionalmente, mas, se a sua mente está sempre agitada, essa questão pode estar consumindo energia demais sua. Este é um tipo de ansiedade em espiral. Se a luta é desgastante, talvez seja hora de mudar de carreira.

 


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