O que as mulheres realmente querem no Dia das Mães

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Muito mais do que flores e massagens, elas querem a mudança de direitos trabalhistas

Resumo:

  • Flores e massagens são bons presentes, mas o que as mães realmente querem é uma mudança sistêmica nas diretrizes formais do trabalho;
  • Segundo uma pesquisa da socióloga Caitlyn Collins, as mães não esperam nenhum tipo de apoio e costumam se culpar por não serem capazes de “fazer tudo”;
  • Mulheres que recebem suporte para lidar com duas vidas profissionais e pessoais trazem retorno econômico e político para as empresas nas quais trabalham.

Não me entenda errado, eu amo flores, principalmente gerberas rosas.

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No entanto, esse não é o presente que eu quero de Dia das Mães. Transformamos a data comemorativa em outra meramente comercial. Embora seja bom dar um banho de amor nas mães, estamos perdendo a oportunidade de pensar sobre o que elas realmente precisam em 2019.

Em vez de flores e um bom brunch, o que realmente precisamos é de uma mudança sistêmica para mães trabalhadoras, especialmente para aquelas que não são remuneradas. Em comparação aos pais, elas – ainda – passam muito mais tempo cuidando das crianças e das tarefas domésticas. Esse “trabalho invisível”, composto por todas as horas não pagas da vida de uma mãe, vai se acumulando.

O “muro materno” (termo utilizado para denominar os estereótipos e as formas de discriminação enfrentados por uma mãe) é uma coisa muito real. Aproximadamente quatro a cada 10 mães que trabalham dizem que reduziram suas horas no escritório para cuidar dos filhos – o que, inevitavelmente, afeta o processo de ascensão na empresa e mantém as mulheres longe dos cargos de liderança. Se queremos apoiar nossas mães e seus objetivos de carreira, deve haver uma mudança estrutural concreta.

Para falar sobre as transformações em nossa cultura e na estrutura de trabalho de modo a apoiar as famílias, recorri à socióloga Caitlyn Collins, autora do livro “Making Motherhood Work” (sem tradução para o português).

Ela fez algumas recomendações que podem soar como senso comum, mas são altamente relevantes na sociedade em que vivemos.

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Os Estados Unidos, assim como diversos países ao redor do mundo, têm benefícios menos generosos e um compromisso público menor com pessoas que precisam cuidar de outras pessoas. Além disso, o país tem uma das mais altas diferenças salariais entre homens e mulheres e está entre as nações ocidentais com as maiores taxas de pobreza materna e infantil. Para completar, a pesquisa de Caitlyn surpreende ao mostrar que mães norte-americanas não esperam nenhum tipo de apoio e costumam se culpar por não serem capazes de “fazer tudo”.

Eu, por exemplo, já me senti exatamente dessa maneira. Acreditava ser essa mulher poderosa e profissional que conseguiria facilmente trabalhar mais do que 40 horas por semana se tivesse os truques certo para cuidar dos filhos. Quando me encontrei no meio disso, sem dormir e fazendo visitas frequentes ao hospital, percebi que estava exausta demais para me dar conta de que mães trabalhadoras deveriam receber mais apoio, que é o caso de alguns países.

Podemos aprender muito com outras nações que dão esse tipo de suporte, mas temos um longo caminho a percorrer até que todos os países ofereçam o que todas as mães merecem.

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De acordo com Caitlyn, algumas recomendações básicas podem fazer muita diferença para as mães:

– Licença parental remunerada para mães e pais: isso é óbvio;

– Acesso universal a creches: isso começaria com o maternal e, depois, avançaria para outras etapas de ensino, como jardim da infância;

– Mudar a expressão “equilíbrio entre a vida profissional e pessoal” para “justiça entre a vida profissional e pessoal”: existem vantagens políticas e econômicas quando apoiamos as famílias por meio de diretrizes formais, que valorizam a capacidade de equilibrar família e trabalho.

Se olharmos para as estatísticas, não há como negar que as mães são as pessoas responsáveis por fazer a maior parte das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos. As mães que trabalham são as que mais se beneficiariam dessas políticas de assistência infantil e licença parental remunerada.

Então, qual é o melhor presente para o Dia das Mães deste ano? Compre flores, reserve uma massagem, mas também pense fora da caixa. Pense no que tornaria a vida realmente mais fácil para sua mãe (e para todas as mães).

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