Mercado de jogos de tabuleiro oferece oportunidades de carreira

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Segmento faturou R$ 665 milhões na indústria de brinquedos nacional, em 2018

Resumo:

  • Para ingressar na área, é possível ser um game designer, empreender em negócios na área, trabalhar em áreas relacionadas e até produzir conteúdo;
  • Segundo a Pesquisa Game Brasil 2019, 28% dos brasileiros se divertem com os chamados “boardgames” e 34% com jogos de cartas;
  • A Ludus Luderia, a Gorilla 3D e a Ludotable são empresas que oferecem novas experiências aos jogadores.

A indústria de jogos de tabuleiro brasileira está avançando diversas casas. Segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), quase 10% do total de R$ 6,871 bilhões do faturamento do setor de brinquedos vieram dos jogos analógicos. Ao todo, 421 “boardgames” já estão à venda ou em desenvolvimento, no Brasil.

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O segmento tem atraído a atenção não só de quem quer jogar, mas também dos que gostariam de usar a área para subir na carreira. Segundo o Censo Ludopedia 2018, que mapeia interesses de jogadores pelo país, metade dos entrevistados (51%) tem interesse em criar seu próprio jogo.

Para o game designer e professor do curso de Tech (voltado a tecnologia da informação e com créditos específicos ligados ao desenvolvimento de jogos) da ESPM Vicente Martin, o primeiro passo para entrar no mundo de boardgames é experimentar diversos tipos de jogo para criar um repertório de conteúdo e ter paixão por eles. “Jogue os digitais, analógicos, infantis, feios, bonitos, brasileiro ou não. Depois disso, comece a estudar sobre eles”, orienta.

Para quem quer criar um jogo, Martin recomenda que, após desenvolver uma ideia, regras e mecânicas, o idealizador faça protótipos do game. “Dê vida às criações. Proporcione uma experiência em que as pessoas possam interagir com ela”, explica o veterano que já produziu e fez parte do desenvolvimento de mais de 40 jogos.

É preciso também levar os protótipos para os amigos testarem e em encontros de game designers; para coletar um feedback sobre as funcionalidades da obra em desenvolvimento. “Depois de muitos testes e alterações nos protótipos, é a hora certa para levar para as grandes empresas nacionais e até mesmo internacionais. Além disso, recomendo também montar uma marca própria e publicar de forma independente em plataformas de financiamento coletivo”, explica o profissional.

Mas criar um jogo não é a única forma de entrar no mercado de “boardgames”. “Não há uma regra exata do que fazer para iniciar uma carreira na área. É possível trabalhar em comunicação, marketing, design e em diversas outras áreas. Cursos focados também são uma boa opção de formação”, adiciona Vicente. O professor comenta também que a produção de conteúdo é uma forma de se aproximar do ramo. De acordo com o Censo Ludopedia, cerca de 87% dos jogadores consomem análises de jogos analógicos em vídeo (64,89%), texto (19,87%) e podcasts (2,33%); o que reforça a dica.

Empreendedorismo

Um modelo de negócios popular e que reúne diversos jogadores são os bares temáticos de jogos de tabuleiro. A Ludus Luderia, cujo nome virou marca registrada, criada por Lucy Raposo, em 2007, é pioneira no ramo. “No começo, o mercado ainda era pequeno. Houve uma ascensão nos últimos anos, e eu acredito que o bar foi um dos fatores para o crescimento”. Por mês, a casa recebe entre 2.500 e 3.000 pessoas

O estabelecimento conta com mais de 1.200 jogos de tabuleiro brasileiros e internacionais, de diversas editoras, que também são parceiras do estabelecimento. Segundo a empresária, os clientes sempre querem saber qual a empresa responsável pelo jogo, para poder comprá-lo futuramente.

Reprodução/Acervo Pessoal
O empreendimento fica na R. Treze de Maio, 972 – Bela Vista, São Paulo

Lucy também abre espaço para game designers independentes. Há eventos focados em receber desenvolvedores e pessoas interessadas em testar protótipos. “Se o jogo é bom, ele pode ficar aqui na Luderia. Assim, os monitores trabalham com ele da mesma forma que com os das grandes empresas”, explica. A empresária diz ainda que, quando um protótipo vai bem, ela mesma fala com as grandes companhias sobre ele e o seu desenvolvedor.

Dentro do bar, há dois tipos de monitores: funcionários para manutenção, reposição e conferência das peças e os que ensinam os visitantes como jogar. “Para trabalhar aqui, não é necessária experiência, a equipa da casa ensina, mas, antes de começar, a pessoa terá de aprender pelo menos cem jogos”.

Outro caminho para entrar no mercado foi o encontrado por Daniel Vieto e seu pai, o marceneiro Antônio Vieto. Em junho de 2017, eles começaram a Ludotable, que fabrica mesas personalizadas para jogos analógicos. Hoje, a empresa possui quatro modelos disponíveis e também produz pedidos personalizados. Desde a fundação, foram feitas 128 mesas próprias para “boardgames” e RPG.

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Parte do sucesso da Ludotable vem das redes sociais. “Investimos bastante na produção de peças de marketing e engajamento com o público, sobretudo via stories do Instagram e ações promocionais”, explica Daniel. Os empreendedores têm ainda parceria com produtores de conteúdo, para atingir o público que assiste a vídeos sobre jogos de tabuleiro.

Reprodução/Acervo Pessoal
Os pedidos podem ser feitos pela página do Facebook da empresa

Vendo o crescimento na popularidade das impressoras 3D, em 2018, Margareth Liegel e sua sócia Mirhelle Farias viram na indústria de tabuleiros uma oportunidade. As fundadoras da Gorilla 3D começaram fazendo peças e componentes adicionais para seus jogos pessoais. Hoje, produzem acessórios e miniaturas extras para mais de 50 “boardgames” de diversas editoras; os kits são comprados por jogadores interessados em dar uma cara nova aos itens dos jogos.

Há algumas dificuldades enfrentadas por elas, além da manutenção técnica das impressoras. “Nós mesmas criamos os produtos, mas é preciso contratar modeladores profissionais para elaborar os arquivos para impressão”, ressalta Margareth. Ela aponta isso como um dos fatores responsáveis por aumentar o custo de produção.

Reprodução/Gorilla3D
Os itens de “Guerra dos Tronos” estão entre os mais vendidos pela companhia

“A renovação do portfólio também é um desafio. Todos os dias recebemos solicitações de desenvolvimento de peças para jogos específicos. Também temos a necessidade de acompanhar uma enxurrada de novos jogos lançados no mercado nacional”, comenta.

Veja aqui cursos universitários para quem quer trabalhar com desenvolvimento de jogos e, na galeria abaixo, instituições que oferecem aulas direcionadas ao desenvolvimento de “boardgames”:

  • Rivers – Escola de Games e Design

    Localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, o “Board&Dices – Curso de Board Games”, da Rivers, tem duração de um ano, carga horária de 96 horas e mensalidade de R$ 420. Os seis módulos abordam mecânicas, elaboração de protótipo, criação de narrativa, balanceamento, como pensar o jogo como produto e a publicação da produção (financiamento coletivo e vendas). A próxima turma começará em setembro, com aulas às terças-feiras, das 20h às 22h. A idade mínima para se matricular é de 12 anos, e a inscrição pode ser feita pelo site.

  • Senac RJ

    As unidades Santa Luzia, Barra da Tijuca, Botafogo, Madureira e Niterói possuem o curso presencial: “Criando meu primeiro jogo de tabuleiro (Boardgame)”. Com carga horária de 48 horas, as aulas ensinam a definir o tema, gênero, regras, desenvolvimento de personagens e roteiro do jogo. Ao final do curso, os alunos entregam um protótipo próprio de “boardgame”. Ainda não há turmas abertas, mas os interessados podem receber novidades se cadastrando no site.

  • Game Academy

    O curso online de Game Design possui oito semanas de duração, cerca de 4 horas de videoaulas e 20 horas de carga horária. Com valor de total de R$ 199, os conteúdos do curso abrangem: como é a carreira de um game designer, desafios e etapas para a elaboração de um jogo, aprender sobre perfil de jogadores, prototipagem e teste. Além das videoaulas e materiais didáticos -baseados em 33 livros sobre Game Design-, há conferências semanais com o professor, para tirar dúvidas e correções de exercícios. Tudo é feito pelo portal da escola online.

  • Universidades

    Em várias cidades, faculdades como Anhembi Morumbi, Cruzeiro do Sul, Estácio, FAM, Faculdade Melies, FMU, FSG, Metodista, Unicid, Unifran e Unip possuem cursos tecnológicos presenciais e a distância, com duração de até cinco semestres, de design de jogos. As mensalidades tem valor inicial entre R$ 142,76 a R$ 1.125,21.

Rivers – Escola de Games e Design

Localizado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, o “Board&Dices – Curso de Board Games”, da Rivers, tem duração de um ano, carga horária de 96 horas e mensalidade de R$ 420. Os seis módulos abordam mecânicas, elaboração de protótipo, criação de narrativa, balanceamento, como pensar o jogo como produto e a publicação da produção (financiamento coletivo e vendas). A próxima turma começará em setembro, com aulas às terças-feiras, das 20h às 22h. A idade mínima para se matricular é de 12 anos, e a inscrição pode ser feita pelo site.

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