De Pyongyang a Brasília… sem Trump

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Nos EUA, sobressaem os reflexos da taxa de desemprego mais baixa desde a Segunda Guerra, de um crescimento de mais de 3% ao ano, de uma inflação de 2% e de um dólar novamente valorizado

O mês de maio deste ano suplantou os nossos sempre complicados agostos, famosos pelas pelejas políticas que, nestas terras, nem sempre acabam bem. Mas, como tudo o que é negativo neste país piora com a velocidade da luz, agendamos para maio a greve dos caminhoneiros french style, no nosso calendário político e econômico.

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Se pensamos que só o Brasil é instável, vejamos alguns dos países da União Europeia, como os chamados Phirgs – Polônia, Hungria, Itália, Romênia, Grécia, Espanha. É um bom consolo. Nós somos 27 “países” constituindo uma nação que fala a mesma língua e tem as mesmas raízes. Na União Europeia são 27 nações (antecipando a efetiva retirada do Reino Unido) que não chegam a formar uma federação, ou os “Estados Unidos da Europa”, contrariamente ao que pensava Jean Monnet. E, pois, sem base orçamentária ou étnica comum, navega a Europa sob os ventos da velha esquerda sem horizontes, ou do populismo crescente, ou, finalmente, do desânimo que a burocracia gerou em Bruxelas e que terminou no Brexit, hoje saudável arejamento da velha Albion.

No Brasil, o que é negativo piora com a velocidade da luz. Mas não somos o único lugar instável do mundo. Alguns países da União Europeia nos servem de consolo

Portanto, entre mortos e feridos, embora arranhados pela incapacidade política de Brasília em qualquer de seus ramos de poder, sobrevivemos, pelo diálogo, no convívio de tão esdrúxulos ramos que hoje enfeixam desde criminosos e traficantes até uma classe política alvo de já incontáveis operações policiais e um poder civil incapaz de, apesar dos escorchantes e absolutamente irracionais impostos, dar segurança nas ruas às mães e aos pais de família, dar aos enfermos hospitais decentes, dar aos jovens salas de aula minimamente confortáveis, dar moradia digna àqueles que, afligidos pela miséria, se veem obrigados a viver à beira de rios e córregos imundos.

Contudo, houve no emblemático maio de 2018 alguns sinais de bom senso global, como a retomada das conversações entre Coreia do Norte e Estados Unidos.

Mas em que isso nos afeta?

No balanço do poder, realçou-se a democracia diante de um dos baluartes dos regimes fechados; a abertura ao mundo da Coreia do Norte, por sua vez, reforçou a mensagem aos bolivarianos de que o caminho da opressão e das ditaduras está passando. Sinais que valem para os brasileiros que querem eleições livres e honestas agora e sempre.

Sinais de que estranhos sonhos de verão, como tivemos há não muito tempo na América Central (com radiações para a do Sul) estão a se desfazer diante da realidade e das aspirações dos povos por liberdade e justiça. Sinais, por fim, que servirão como ponto de arrefecimento de guerras comerciais causadas por economias fechadas e que, perdendo a competitividade, perdem também sua importância relativa no ranking das nações mais desenvolvidas do planeta.

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Sob o ponto de vista americano, sobressaem os reflexos da taxa de desemprego mais baixa desde a Segunda Guerra, de um crescimento de mais de 3% ao ano, de uma inflação de 2% e de um dólar novamente valorizado. Fica a certeza de anos de progresso que, com a melhoria da massa salarial e a aplicação de políticas sociais que priorizem a educação, diminuirão as diferenças ainda absurdas entre os mais pobres e a classe média. E que terão, como reflexo, um mercado em crescimento – mercado esse que, infelizmente, o Brasil sempre preteriu, buscando investir e “propinar” obras em portos, metrôs e rodovias em países que nos devem e não nos pagarão jamais.

Mas a vida nos ensina lições que, espero, os governantes que venham a ser eleitos tenham aprendido – e que, ao analisá-las, lembrem-se de que não há almoço grátis.

Coluna publicada na edição 60, lançada em julho de 2018.

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