Que presidente você quer para o Brasil?

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Cada brasileiro que pode e tem o direito de votar deve ter na cabeça o modelo ideal de líder da nação

Saber exatamente qual parte do futuro pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo, segundo o escritor francês Victor Hugo.

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Se eu pudesse escolher, seria alguém com o perfil de Barack Obama, para ficar em alguém recente. O ex-presidente americano imprimiu no seu governo uma imagem de modernidade e demonstrou ser um dos grandes estadistas dos últimos tempos. Como está aposentado da política lá nos Estados Unidos, bem que poderia dar uma forcinha por aqui. Se isso é improvável ou impossível, que a postura e a atuação de Obama sirvam de modelo para muitos de nossos pré-candidatos à Presidência. Como estadista, Obama passou tranquilidade ao mundo ao comandar a maior potência do planeta. Como governante, transmitiu uma mensagem corajosa ao tratar de forma inovadora muitas questões internas.

O velho modelo está em xeque. Políticos tradicionais não têm resposta para as grandes questões

Mas está longe, ainda bem, de ser unanimidade. Não conseguiu fazer sua sucessora. Uma boa parcela do eleitorado americano se mostrou insatisfeita com a atuação do ex-presidente e demonstrou isso nas urnas ao eleger Donald Trump, candidato de perfil completamente diferente do dele. Mas Obama saiu do governo deixando para o mundo uma imagem de seriedade, competência e elegância. E, em muitas situações, saudade.

Mas valho-me de Obama para entrar nessa questão: que presidente queremos para o Brasil? Em princípio, parece uma questão fácil. Afinal, cada brasileiro que pode e tem o direito de votar deve ter na cabeça o modelo ideal de líder da nação. Todos parecemos saber exatamente do que o país precisa – portanto, não deveria haver dificuldade na escolha. É importante saber que características desejamos encontrar nesse novo representante do Poder Executivo. Os pré-candidatos declarados correspondem às nossas expectativas? Talvez sim, talvez não. Mas, independentemente de legenda e ideologia, um deles será legitimamente escolhido pelos brasileiros. É, portanto, mais uma oportunidade que temos para acertar o passo.

O velho modelo está em xeque. Os políticos tradicionais parecem não ter resposta para as grandes questões. Ao mesmo tempo que vemos aqui mesmo, nesta edição da FORBES, grandes administradores do setor privado, vivemos um descompasso de ideias e de atuação na administração pública.

E não são poucas as questões que precisam ser debatidas. Recentemente, o país se viu paralisado por uma greve de caminhoneiros, de alguns dias apenas. Uma única categoria provocou uma crise de abastecimento generalizada, mexendo até com o índice de inflação.

Sem pretensões de discutir as reivindicações dos caminhoneiros e as atitudes do governo para estancar a crise, o fato demonstrou a dependência do país em relação ao sistema rodoviário e a precariedade da rede de infraestrutura de transportes brasileira, que muito pouco evoluiu nas últimas décadas.

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Essa é apenas uma das questões que devem ser colocadas nos eixos. Não pelo fato de uma categoria ter tamanho poder, a ponto de parar quase tudo no país. Mas pelo atrelamento da economia a um sistema de transporte que faz nossa produção agrícola custar mais e demorar mais para ser escoada, interna e externamente.

Como disse, essa é apenas uma questão que pode nos ajudar a refletir sobre o perfil de nosso próximo presidente. Afinal, que líder você quer para o Brasil? Como na campanha de TV, se a população pudesse gravar um vídeo com essa pergunta, por certo, não faltariam respostas como “honesto”, “bom administrador”, “alguém que acabe com os problemas na saúde, no transporte, na segurança”… A lista repetiria melancolicamente nossas infindáveis mazelas, em múltiplas direções.

Mas o que precisamos, de fato, é de alguém que tenha capacidade de diagnosticar e atacar os problemas do presente com o olhar no futuro. E aqui vale repetir a definição de Victor Hugo, genial autor de Os Miseráveis: saber que parte do futuro pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo. Com isso em mente, façamos a nossa parte escolhendo com sabedoria o presidente que queremos para o país.

Coluna publicada na edição 60, lançada em julho de 2018.

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