Imigrantes apontam Brasil como lugar mais perigoso para viver

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Apesar da beleza, o Rio de Janeiro está longe de ser seguro

O Brasil é o lugar mais perigoso onde um estrangeiro pode estar no mundo hoje. É a conclusão de uma pesquisa realizada com 18.135 imigrantes e expatriados de 187 territórios e países — da Alemanha à Groenlândia — pela InterNations, empresa especializada em levantamentos e serviços relacionados a quem mudou de território. Dos entrevistados, 8.855 eram mulheres. O estudo traz diferentes rankings, e o Brasil lidera logo dois deles: a lista geral de países mais perigosos para se viver e a de países mais perigosos para as mulheres. A pesquisa recolhe e reúne informações sobre como é viver e trabalhar em 68 localidades, com foco em tópicos como qualidade e custo de vida e trabalho, entre outros.

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Dos imigrantes que adotaram o Brasil como casa ouvidos para a 2018 Expat Insider Survey,  56% classificaram mal a segurança pessoal no país. Um colombiano que fixou residência em solo brasileiro disse que há problemas com “segurança pública, falta de infra-estrutura e injustiça social”. A situação política também gera preocupação para quem veio de fora: 65% dos expats, como são chamados os expatriados em inglês, apontaram a instabilidade política como algo nocivo.

Os rankings que o Brasil encabeça pertencem à subcategoria Segurança e Proteção, parte do Índice de Qualidade de Vida, um dos capítulos do estudo. Ela leva em conta três fatores: tranqüilidade, segurança pessoal e estabilidade política, que são avaliados dentro de uma escala de um a sete.

 

Tristes trópicos

A América Latina, aliás, aparece em peso nas listas que indicam vulnerabilidade. Argentina, Peru e Colômbia também figuram nos rankings, com destaque para o México. O narcotráfico, a corrupção e a criminalidade levaram o país à 65ª posição entre os 68 pesquisados. Um em cada cinco estrangeiros residentes em solo mexicano (21%) diz temer por sua segurança pessoal. “A incapacidade do governo de lidar com a corrupção e a violência dos cartéis tornam o país uma constante ameaça à vida”, diz ao levantamento um americano que mora no México.

Apesar disso, o México é classificado como um dos melhores lugares do mundo para um estrangeiro viver — é o 4º nessa lista. Malte Zeeck, fundador e co-CEO da InterNations, atribui essa aparente contradição ao fato de o país se classificar bem em outras áreas que não proteção e a segurança. “Segurança e proteção são um fator importante da vida de um emigrante”, diz ele. “Mas isso mostra como há muitos outros aspectos que podem fazer da vida no exterior uma experiência positiva.”

Outro país muito mal classificado entre os 68 pesquisados é a África do Sul, atrás do Brasil nas duas listas de vulnerabilidade. Ali, 55% dos estrangeiros dizem se sentir inseguros. “A segurança dos cidadãos é questionável”, diz um egresso do Zimbábue, enquanto uma emigrante britânica se queixou do crime, que considerou “desenfreado devido à situação econômica”. O clima político do país contribui para a sensação de in segurança: 48% vêem a atual situação atual como preocupante.

 

Até o Tio Sam

Você não vai acreditar onde os Estados Unidos se encontram na lista de países menos seguros na opinião de emigrantes. Tanto no ranking global como no feminino, o país está entre os 15 mais perigosos para se viver no mundo. De acordo com a InterNations, os expatriados não estão convencidos de que o “American Dream” ainda exista, e somente 67% se consideram seguros nos EUA. “A satisfação dos expatriados com segurança nos EUA piora a cada ano”, diz Malte Zeeck.

Ele destaca que três em cada dez estrangeiros estão insatisfeitos com a política americana. “Os desenvolvimentos na política do país após as eleições e a posição do governo sobre vários tópicos podem ter desempenhado um papel nessa tendência”, diz. “Muitos dos entrevistados se mostram preocupados com o clima político, a questão do controle de armas e a frequência de tiroteios no país.”

Portanto, não surpreende que outra forte preocupação diga respeito à segurança das crianças. Apenas 17% dos entrevistados acham que é seguro para os menores nos EUA, o que representa 27 pontos percentuais a menos que a média global (44%).

 

Os 15 lugares mais perigosos para se viver

  • 1. Brasil (68º lugar entre 68 países) -“Eu não me sinto seguro e a economia passa por um um período ruim”, disse à pesquisa um italiano residente no país. “Eu gostaria de me sentir mais seguro aqui.”

  • 2. África do Sul (67º) – “O crime está desenfreado devido à situação econômica, por isso tenho receio pela segurança pessoal”, diz um britânico que mora no país. “Há uma forte instabilidade política, com impacto sobre todos os aspectos da vida”, diz outro britânico.

  • 3. Quênia (66º) – “Você não pode simplesmente sair e passear onde ou quando quiser”, diz um britânico. “Você precisa ser cauteloso.”

  • 4. Peru(65º) – Malte Zeeck diz: “Quase um terço dos imigrantes no Peru (32%) consideram ruim a questão da segurança pessoal, contra a média mundial de apenas 9%”.

  • 6. Argentina (63º)- Um brasileiro que migrou para o país vizinho aponta “a enorme inflação e a grande corrupção” como entraves. “Este país está piorando a cada dia. Cada dia mais caro. Cada dia mais perigoso.”

  • 7. Índia (62º) – Uma entrevistada egressa da Zâmbia diz: “Na Índia, as mulheres em geral não estão realmente seguras. Em algumas regiões, não é seguro nem caminhar na rua ou andar sozinha”.

  • 8. Egito (61º) – Malte Zeeck diz: “Segurança e política desempenham um papel significativo no ranking do país. De fato, apenas 64% dos expat se sentem seguros no Egito, o que é 18% menor do que a média global (82%) ”.

  • 9. República Dominicana (60º) – Um americano afirma: “Há uma falta de segurança e a necessidade de segurança privada em todos os momentos.”

  • 10. Colômbia (59º) – Um emigrante da Geórgia diz: “Há insegurança. Nenhuma segurança pessoal. Assaltos são muito comuns e eu tenho que tomar cuidado com as minhas coisas o tempo todo. Além disso, estou restrito a andar fora de certas horas. Você precisa conhecer muito bem os bairros ”.

  • 11. Filipinas (58º) – Um egresso dos EUA diz: “A falta de segurança e a política instável me preocupam”.

  • 12. México (57º) – Um alemão diz: “Existem problemas reais de insegurança devido a conflitos e questões do governo”. E um americano: “Eu não me sinto completamente seguro. E me sinto mesmo como estrangeiro”

  • 13. EUA (56º) – Um expatriado alemão diz: “Há um grau mais alto de violência armada e violência em geral do que em meu país de origem”. Outro expatriado alemão diz: “A corrente de violência e a atual administração são minhas principais preocupações”. “Eu não gosto do clima político atual, da falta de controle de armas e da prevalência de tiroteios em escolas.”

  • 14. Mianmar (55º) – Um emigrante australiano diz: “Há muitos problemas não resolvidos. O governo é muito corrupto, desconsidera a segurança e o bem-estar da população como um todo”.

  • 15. Indonésia (54º) – Diz um sueco: “Não gosto do cenário político do país”.

1. Brasil (68º lugar entre 68 países) -“Eu não me sinto seguro e a economia passa por um um período ruim”, disse à pesquisa um italiano residente no país. “Eu gostaria de me sentir mais seguro aqui.”

 

 

Os 15 países mais perigosos para as mulheres

(As Filipinas ficaram fora desse recorte da pesquisa, pelo número insuficiente de entrevistadas)

1. Brasil (classificado em 67º lugar geral)
2. África do Sul (66 no geral)
3. Quênia (65 no geral)
4. Argentina (64 no geral)
5. Peru (63 no geral)
6. República Dominicana (62 no geral)
7. Egito (61 geral)
8. Índia (60 no geral)
9. Turquia (59 no geral)
10. Colômbia (59 no geral)
11. Mianmar (57 geral)
12. México (56 total)
13. EUA (55 no geral)
14. Rússia (54 no geral)
15. Arábia Saudita (53 total)

 

Os 15 lugares mais seguros para se viver

1. Luxemburgo
2. Suíça
3. Noruega
4. Nova Zelândia
5. Finlândia
6. Cingapura
7. Canadá
8. Japão
9. Emirados Árabes Unidos
10. Omã
11. Portugal
12. Países Baixos
13. Dinamarca
14. Taiwan
15. Estônia

 

Os 15 lugares mais seguros para as mulheres

1. Luxemburgo
2. Omã
3. Noruega
4. Nova Zelândia
5. Suíça
6. Finlândia
7. Cingapura
8. Dinamarca
9. Emirados Árabes Unidos
10. Canadá
11. Estônia
12. Países Baixos
13. Portugal
14. Japão
15. Taiwan

 

 

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