O que estresse, mudança e isolamento causam no cérebro

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Em tempos estressantes, mais do que pacíficos, sentimos o desejo de ser vistos, ouvidos e reconhecidos em meio a todo esse isolamento

Mudanças acontecem na vida de todo mundo. Adversidades e conflitos também. E isso significa que seu cérebro e seu corpo precisam lidar com isso.

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O cérebro libera hormônios do estresse, como o cortisol, que aciona citocinas de sinalização celular excessivas que alteram a fisiologia. De repente, sua capacidade de regular seu comportamento e emoções fica comprometida. Sua habilidade de prestar atenção é afetada. Sua memória, aprendizado, paz e felicidade são prejudicados.

Por quê? Porque a mudança fez com que o sistema fosse sobrecarregado com o estresse. E o estresse em excesso faz, normalmente, com que desistamos ou nos retiremos para nos acalmar, tentar lidar com a situação, desacelerar e diminuir os estímulos, já que estamos sobrecarregados.

Mas, então, temos um novo estresse: o da desconexão. Desconexão possivelmente de você mesmo, dos outros, do seu propósito, do seu lugar no grande esquema das coisas e até mesmo seu relacionamento com a natureza. Hoje, vemos um aumento do caos, da desconfiança, da agressividade e de muitos outros desafios comportamentais em nosso mundo devido à desconexão causada pelo estresse excessivo.

E, em tempos estressantes, mais do que pacíficos, sentimos o desejo de ser vistos, ouvidos e reconhecidos em meio a todo esse isolamento. Queremos sentir que pertencemos a alguma coisa. Em meu trabalho de coaching de liderança e cultura, vejo um isolamento gigante causado pelo estresse da mudança.

O que acontece dentro de você quando há estresse do lado de fora

A dopamina é o neurotransmissor acionado quando recebemos uma recompensa inesperada, sentimos prazer ou somos elogiados. Contudo, dopamina em excesso é um problema. Ela inibe nosso córtex pré-frontal (PFC), que afeta nossa capacidade de tomar boas decisões, de nos concentrar, de resolver problemas, e nos ajuda a regular muito mais emoções e comportamentos.

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Recebemos quantidades excessivas de dopamina constantemente ao verificar e-mails, mensagens de texto e outros alertas – e, em cenários de medo e mudança, verificamos constantemente se estamos seguros. Quando o PFC é inibido, observamos maior risco irracional, obesidade, agressão, dependência e esquizofrenia porque a estimulação sensorial aumentou e a estimulação cognitiva (no PFC) diminuiu. É um grande negócio.

O FOMO (fear of missing out ou o medo de perder) não é necessariamente algo ruim. Sim, isso nos leva a uma necessidade viciante de checar constantemente nossas mensagens, e-mails, redes sociais etc. No entanto, o que há por trás disso é o desejo de se conectar. É o desejo de calor, de ser visto, de estar seguro, de pertencer e importar. Nós estamos realmente desejando oxitocina, o hormônio do amor, para nos ajudar a saber que não estamos sozinhos.

Veja, na galeria de fotos abaixo, 3 maneiras de curar o isolamento baseado no estresse:

  • 1. Aproxime-se

    Os seres humanos são tribais. Estar junto com outros é como sobrevivemos por séculos. E, no entanto, a tecnologia, na tentativa de nos unir, na verdade nos afastou. Todos nós queremos estar na “multidão” e não fora dela. No entanto, estamos vendo mais e mais separação. Isso torna a mudança ainda mais difícil porque, quando os tempos são incertos, precisamos uns dos outros mais do que nunca.

  • 2. Pratique a compaixão

    Quando nos deparamos com pessoas que estão com raiva, não devemos julgar. É melhor nos aproximarmos e oferecermos nossa experiência para ajudar a restabelecer sua capacidade de se conectar, levar segurança, fazer com que sinta que tem importância e, além de tudo isso, proporcionar uma vivência positiva de conexão. Isso pode fazer com que a pessoa consiga se reconectar a si mesma e aos outros por toda a vida.

  • 3. Gerencie sua energia durante mudanças e estresse

    Para onde vai sua energia em tempos de mudança? Você entende como as histórias que contamos sobre mudança podem afetar a experiência de uma pessoa? Como nós, como líderes, podemos realmente afetar a fisiologia de uma pessoa, o disparo de neurotransmissores, os hormônios liberados? Quão incrível é essa responsabilidade?

    A mudança provoca estresse que, muitas vezes, resulta em isolamento. Os impactos fisiológicos do estresse e do isolamento afetam nossa capacidade de navegar pelas mudanças e, uma vez que estamos cientes disso, podemos nos conectar com outras pessoas para reduzir esses impactos.

    A mudança requer muita energia. Certifique-se de administrar a sua! Quando ela aparecer, saiba que o estresse e o isolamento podem ser evitados ao aumentar a conexão, observar as histórias que está contando a si mesmo e aos outros sobre ela e gerenciar sua energia por meio de suas emoções.

1. Aproxime-se

Os seres humanos são tribais. Estar junto com outros é como sobrevivemos por séculos. E, no entanto, a tecnologia, na tentativa de nos unir, na verdade nos afastou. Todos nós queremos estar na “multidão” e não fora dela. No entanto, estamos vendo mais e mais separação. Isso torna a mudança ainda mais difícil porque, quando os tempos são incertos, precisamos uns dos outros mais do que nunca.

 

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