Qual a importância de sair do centro e olhar para a periferia

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Visita de empresários ao Gerando Falcões, onde há contato com a realidade local e interação com os programas sociais

Cidadania, além de ser uma das palavras mais belas, carrega o maior significado do mundo. Vale mais do que um diploma na Insper, em Harvard ou em Stanford. Vale mais do que qualquer prêmio e título. O maior título que alguém pode obter em vida é a sua cidadania.

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E cidadania é se importar, participar da vida ativa do seu país, construir engajamento em causas humanitárias. Cidadania basicamente é se recusar a virar as costas para os grandes problemas do seu país.

As pessoas mais lembradas não estão cravadas em nosso imaginário porque conquistaram cinco diplomas e foram dormir, mas pelo uso profundo da sua cidadania. Elie Horn, fundador da Cyrela, é admirado não apenas porque é bilionário, mas porque assinou um documento pelo qual doa 70% de todo seu patrimônio, em vida, para corrigir problemas sociais.

Em um país como o nosso, onde 14 milhões de pessoas vivem em favelas, e uma parte relevante delas abaixo da linha da pobreza, é impossível ser cidadão apenas da Faria Lima e da avenida Paulista.

O desafio é ser cidadão pertencente dos Jardins, Morumbi e também das favelas e periferias. Se for apenas do centro, a sua cidadania não está completa. Está manca. As favelas também são um território pertencente à sua cidade, ao seu Estado e ao seu país. E também pertencem a você.

Todos os sábados, trago empresários para viverem um dia comigo em uma das favelas da Zona Leste de São Paulo. Eles andam nas ruas de terras, veem o esgoto a céu aberto. Mostro a realidade local, mas também levo para interagir com os programas sociais, onde eles veem o sonho de pé e inabalável. Crianças pintando, dançando, cantando, jogando tênis, futebol. Jovens programando na sala de tecnologia, falando inglês e construindo um futuro, com acesso a emprego e renda.

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Foi em um destes encontros que recebi um grupo de empresários, liderado por Nelson Filho e sua esposa, Ana Cury. Essa dupla é apaixonada pela favela. Eles a empurram para frente. Criam resultados. Sem medo. Ali nasceu a ideia de realizar um jantar de captação de recursos para a Rede Gerando Falcões, instituição social que criei na periferia de São Paulo.

O primeiro, em 2017, foi no restaurante Figueira Rubayat. O segundo, será nesta segunda-feira, 26 de novembro, no Hotel Four Seasons. Serão mais de 300 pessoas, entre empreendedores, executivos e suas famílias, doando para mudar a realidade das favelas.

Em uma época em que o WhatsApp é usado para criar “fake news”, Nelson e Ana, que que estão à frente do Fórum Brasileiro da Família Empresária-FBFE, montaram um grupo organizador com dezenas de empresários e empresárias, no “zap zap”, para criar “good news”. Foi de lá que nasceu a ideia de ter um pocket show do comediante Tom Cavalcante no evento, além de o evento ser apresentado por Isabela Fiorentini, que toca o “Esquadrão da Moda”, no SBT. Foi de lá que surgiu também um almoço com o economista Ricardo Amorim, a prancha do campeão mundial de surfe Gabriel Medina, a entrada no campo no final do Campeonato Brasileiro e o estojo de criação Karl Lagerfeld, por Faber Castell, para ser leiloado.

O jantar deste ano, mesmo antes do evento, já superou a arrecadação do ano passado. Somente com este recurso, vamos aumentar em 400% o atendimento de crianças na unidade Gerando Falcões de Poá.

O nome disso: cidadania. Neste grupo do WhatsApp, todos têm a consciência de que não são cidadãos apenas do centro, mas também da periferia. Eles são cidadãos digitais, engajados com as questões sociais.

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Costumo dizer que eu não tenho esperança. Eu sou a esperança. Um dos meus papeis é despertar esta compreensão dentro das pessoas, de que apenas ter esperança não basta. É preciso ser a esperança. Este grupo de amigos compreendeu o que significa ser a esperança na carne. Agir. Transformar. São os incomodados que mudam o mundo.

Este grupo não vai acabar depois do jantar. Ele vai continuar. Porque cidadania é igual atividade física. Você tem de exercer todo dia. Ou a sociedade sente o retrocesso. Para frente, mano!

Para homenagear meus amigos, deixo abaixo o nome de todos que estão no grupo, liderando o futuro: Nelson Cury Filho e Ana Andrade, Isabella Fiorentino, Regina Moraes, Otto Baumgart, Rafael Hawilla e Adriana Hélu, Ruz Gonzalez, Christian Saigh, Marcus Hadade e Claudia Savassi, e Fernanda Salzano.

Faço ainda um agradecimento especial às parceiras Triplex, Breton e Castelatto, que assinam a Sala dos Sonhos nos programas de educação da ONG Gerando Falcões, nas periferias de São Paulo e, aos doces da Nininha Sigrist, que adoçarão a noite do dia 26, no Jantar dos Falcões.

 

 

Edu Lyra é autor do livro “Jovens Falcões” e fundador do Instituto Gerando Falcões. Foi selecionado pelo Fórum Econômico Mundial como 1 dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo, como parte do Global Shapers. Saiu na lista Under 30 da FORBES como um dos destaques do Brasil com menos de 30 anos.

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