A medicina é a arte de individualizar

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Cada paciente é único e deve ser olhado dessa forma. Na dermatologia não é diferente. A formação do médico dermatologista é extensa. São seis anos de faculdade de medicina e mais três em programas de residência médica, além da necessidade de aprovação no Exame do Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Associação Médica Brasileira (AMB). Quando terminamos a faculdade de medicina, fazemos um juramento de ética, lealdade, compromisso e atendimento de excelência para cada paciente. Na área da dermatologia cosmiátrica é assim também. Mas hoje, com a banalização dos procedimentos estéticos, infelizmente observamos um crescente descaso com os pacientes.

O médico dermatologista é o especialista em pele, cabelos e unhas. A pele é o maior órgão do corpo humano e merece cuidados. Cabe a esse especialista cuidar da pele como um todo, da prevenção ao diagnóstico e tratamento de uma série de condições e doenças, respondendo também pela realização de procedimentos estéticos e cirúrgicos. Sendo assim, todo paciente deve passar por uma consulta médica e um exame físico completo para definição do tratamento e/ou procedimento a ser realizado – que deve ser decidido junto com o dermatologista, que irá avaliar e prescrever o tratamento e o número de sessões necessárias, de forma personalizada para cada paciente, segundo as características e o histórico médico de cada um.

Portanto, diga “não” às condutas e tratamentos predefinidos. Não há protocolos-padrão nem “receitas de bolo”. A queixa de um paciente pode ser a mesma queixa de outro, mas a resposta de sua pele e de seu organismo ao tratamento pode ser diferente por várias razões. Cabe ao médico especialista fazer anamnese completa do paciente para avaliar as indicações e excluir possíveis contraindicações (doenças autoimunes, por exemplo) para determinados tratamentos. É fundamental ainda que o profissional tenha profundo conhecimento da anatomia da região a ser tratada, domine a técnica escolhida e esteja ciente e preparado para intervir em caso de possíveis complicações. E cabe ainda ao dermatologista acompanhar, passo a passo, a evolução do paciente ao tratamento para manter ou alterar a conduta terapêutica inicialmente adotada.

E aqui vai um alerta importante: procedimentos estéticos, por mais simples que pareçam ser, podem gerar complicações sérias. Quando feitos por profissionais não habilitados, sem a técnica adequada e com equipamentos sem a devida manutenção, eles podem até piorar determinada queixa ou causar queimaduras, cicatrizes, manchas resistentes e, nos casos mais graves, levar à cegueira ou mesmo à morte do paciente. Hoje, graças ao avanço da medicina em nossa área, podemos contar com uma série de tecnologias avançadas voltadas à saúde e à beleza da pele. São técnicas não cirúrgicas capazes de atingir as camadas mais profundas da pele, muitas vezes chegando à fáscia muscular. Portanto, se não forem realizadas por um especialista devidamente capacitado e com a estrutura necessária para o atendimento, podem acarretar danos à saúde e à vida do paciente. Exija do profissional a qualificação adequada.

Antes de realizar qualquer procedimento, certifique-se de que o profissional em questão possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Dermatologia. Opte sempre por médicos credenciados pela SBD e com RQE. A busca por um profissional confiável e devidamente habilitado pode ser feita através de uma consulta rápida e gratuita no site do Conselho Federal de Medicina (portal.cfm.org.br) ou da SBD (www.sbd.org.br).

Nesse sentido, o CFM vem tentando impedir que dentistas e biomédicos realizem procedimentos estéticos por julgar que a formação deles não é suficiente para tal. Imaginemos o contrário: um dermatologista fazendo procedimento odontológico ou realizando uma cirurgia plástica. As chances de erros e complicações seriam infinitamente maiores. Regionais da SBD, em conjunto com Conselhos Regionais de Medicina, já conseguiram liminares recentes em alguns estados do país para suspender cursos de capacitação em toxina botulínica e preenchimento facial, ministrados a odontologistas. Mas o desafio que temos pela frente ainda é grande e depende também da adesão e conscientização dos próprios pacientes. Com a saúde da pele não se brinca. Não se deixe levar por publicidade enganosa, por dicas e palpites de não médicos na internet ou pelo número de seguidores de determinados profissionais nas redes sociais. Seja responsável. Informe-se, pesquise e cuide da sua pele com quem melhor entende dela.

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