Laura Dern esclarece o feminismo e o que realmente importa

Getty Images
Segundo Dern, a disparidade salarial entre atores e atrizes é absurda.

Resumo:

Laura Dern foi criada por mãe solteira, e desde muito nova enxergou a disparidade salarial entre os diferentes gêneros;

Nos Estados Unidos, as mulheres ganham em média 80 centavos para cada dólar recebido pelos homens;

Dern associou-se à NUT-rition para combater as disparidades salariais, oferecendo ajuda e apoio às mulheres.

Laura Dern, atriz da famosa série “Big Little Lies” e do filme “Star Wars: The Last Jedi”, foi criada pelos pais, Diane Ladd e Bruce Dern — dois nomes super talentosos, com carreiras incríveis. Mas, desde cedo, Dern notou a diferença de tratamento recebido por um e por outro na indústria. “Eu vi o quanto a minha mãe lutou na vida, como mãe solteira e atriz em um ambiente hostil”, lembra Dern. “Eu sofria também, via que ela não tinha tempo livre nem podia levar o filho ao trabalho. Passamos meses afastadas”.

LEIA MAIS: Mulheres ganham 20,5% a menos que homens no Brasil

Quando Dern começou a atuar, aos 11 anos, se deu conta da grande diferença entre os salários de homens e mulheres. “Cresci em meio a mulheres fortes, mas vi que muitas não usavam suas vozes, a não ser que isso fosse pedido”, diz a estrela de “Big Little Lies”. “Era assim até pouco tempo, até a comunidade reivindicar que homens e mulheres fossem tratados de forma justa e igual, com as mesmas condições trabalhistas.”

Nos Estados Unidos, as mulheres ganham em média 80 centavos para cada dólar recebido pelos homens. Segundo Dern, a disparidade salarial é maior entre atores e atrizes. “Nunca vi igualdade. Muitas vezes, o ator ganha entre 60% e 80% a mais do que a atriz. Sempre foi assim”, explica ela. “Agora nós damos o nosso preço, e, se não aceitarem o valor, trabalhem com outra pessoa.”

Para denunciar a diferença entre homens e mulheres e conscientizar o público feminino, Dern associou-se à NUT-rition. Ela fez um filme que apresenta a questão de forma explícita e relatável. Escondeu-se uma câmera em um supermercado, onde eram vendidos sacos de NUT-rition, um mix de castanhas, divididos por gênero. Apenas as mulheres tinham permissão para comprar a edição limitada do produto, chamada de “Pacote de Pagamento Igualitário”, de tamanho maior. Os homens só podiam comprar os pacotes com 20% a menos de nozes. Por quê? Por serem homens.

A ação continua fora do supermercado: o faturamento do Pacote de Pagamento Igualitário ajuda a financiar uma linha de apoio legal e gratuito com profissionais qualificados para qualquer pessoa que enfrente um problema de desigualdade salarial. “A disparidade salarial é semelhante ao abuso de poder, não importa a função. Ela afeta as trabalhadoras em todos os setores”. Segundo ela, é tudo uma questão de trabalhar em equipe, a fim de garantir a igualdade, que já esteve mais distante.

FORBES: Você é uma forte defensora da igualdade salarial. O que a levou a falar sobre isso abertamente?

Laura Dern: Não acho que seja uma questão de coragem. Minha força vem das milhares de vozes que soaram antes de mim, e que agora me cercam. O instinto veio da minha avó, uma das mais empáticas que já vi na vida, que me criou. E a paixão veio pelos meus filhos: espero quero que eles não tenham que lutar por igualdade de gênero, mas para salvar nosso planeta. A disparidade existe há muito tempo. Um CEO homem muitas vezes foi criado por uma mãe solteira, que teve três empregos diferentes para dar ao filho a chance de estudar. Presumir que ele não reconheça isso não é mais aceitável. Precisamos entrar em contato com nossos colegas homens para pedir a eles que lutem pelo que é certo, [pr aquilo que eles gostariam que suas mães — e filhas — tivessem.

FORBES: Você pode falar mais sobre a linha gratuita que o NUT-rition criou para ajudar o público feminino?

LD: Eles estão ajudando a financiar uma linha de apoio legal. No site www.paygapisnuts.com, é possível saber mais. No trabalho que fiz com o Time’s Up, aprendi muito sobre ter alguém ao lado. Quando nos sentimos sozinhos, a experiência pode ser aterrorizante. Escutar que você deve se apresentar ao RH e achar que vai ser demitido é assustador. É importante saber que devemos usar a nossa voz e também ter consciência de que existe uma comunidade que pode nos apoiar nessa luta. Uma comunidade é um espaço para obter aconselhamento, ajuda e força. As empresas precisam de nós. Acionistas e salas de diretoria estão cheios de pessoas que agora fazem perguntas do tipo ‘Onde você está na porcentagem? Isso importa’. O consumidor despertou e quer saber.

SAIBA TAMBÉM: 3 maneiras de apoiar as mulheres no local de trabalho

FORBES: Sei que você não pode falar muito sobre a próxima temporada de “Big Little Lies”, mas poderia nos dar uma dica?

LD: Costumamos brincar que somos péssimas fontes de entrevista. Não há nada que possamos dizer. A temporada já vai sair. É emocionante continuar com uma tribo de mulheres que realmente se amam e se consideram uma segunda família. Agora, nós temos outros parentes, entre eles a deusa de todos os tempos, Meryl Streep!

Além disso, agora que conhecemos bem nossas personagens, temos melhor visão. O que exploramos é a voz sobre as mentiras que nos pediram para manter — protegendo a nós mesmos, nossos ambientes de trabalho, nossas famílias. Do mais escandaloso ao mais sutil, tudo se baseia em como as mulheres aprendem a usar a voz, apoiando umas às outras. É ser capaz de chegar a um lugar em que nos sintamos seguras o suficiente. Sobre a minha personagem, também posso dizer que me vesti muito bem, e que realmente gosto de vinho.

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Forbes no Facebook: http://fb.com/forbesbrasil
Forbes no Twitter: http://twitter.com/forbesbr
Forbes no Instagram: http://instagram.com/forbesbr

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).