Recrutam-se padrinhos e madrinhas para a favela

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Empresários e líderes sociais precisam caminhar juntos para mudar o país

 

Existem dois tipos de líderes que mudam o mundo. Os que descem no poço, numa tentativa heróica de salvar quem nunca teve uma oportunidade e agoniza nas teias da desigualdade social. E aqueles que seguram a corda para que o resgate social seja realizado.

Traduzindo. Líderes sociais são os que descem lá em baixo, nos lugares mais inóspitos e arriscados da sociedade para salvar crianças e suas famílias, oferecendo educação, direitos básicos e cidadania. E os empresários, filantropos, são os que seguram a corda com seus músculos econômicos e dão suporte financeiro para que o resgate seja realizado. Uma tabelinha vencedora.

Empresários e líderes sociais precisam caminhar juntos. Fazer as pazes ou o impacto será tímido num país que é a oitava economia do mundo, mas aparece em 75º, quando o assunto é renda per capita da população, segundo o FMI. Não dá para ser indiferente a isso. Segundo o IBGE, dados de 2010, 11,4 milhões de brasileiros vivem em favelas: 6% da população total. Quando me tornei empreendedor social, aos 23 anos, decidi que liderança para mim seria derrubar muros e construir pontes. São as pontes, e não os muros, que mudam o mundo.

Foram essas pontes, e não os muros, que me fizeram trazer para liderar na favela empresas de ponta como Microsoft, Ambev, Itaú, Visa, Vult, IS Entrega, Hershey`s, Accenture e KPMG, que faz a auditoria das nossas contas, entre tantas outras. Se não fossem as pontes, eu estaria indo dormir preocupado em como pagar a conta de luz no fim do mês. Hoje vou dormir preocupado em como levar a Rede Gerando Falcões para todas as favelas do Brasil.

Por essas pontes também vieram grandes líderes empresariais, que tiraram a carteira do bolso para apoiar nosso plano de expansão nas favelas. A ponte é uma recruta. Sair do barraco, onde eu vivia, e juntar ícones como Jorge Paulo Lemann, Elie Horn, Flávio Augusto da Silva, Daniel Castanho, Charles Wizard, Marcos Sanchez e Thiago Oliveira parecia impossível, mas essas pontes foram construídas com muito suor.

Devemos chegar ao fim de 2019 com cerca de 10 unidades instaladas na Rede Gerando Falcões. Trabalhando com educação, focado em esporte, cultura, qualificação profissional e geração de renda para moradores de periferias e favelas. Nós entregamos cidadania para quem sempre teve seus direitos sociais negados. Vamos impactar diretamente quase 50 mil pessoas com métricas construída em parceria com a Ambev e um modelo de gestão arrojado, que traz eficiência na operação.

E agora vamos atrás de mais padrinhos e madrinhas para segurar a corda. Vamos descer mais fundo, em mais poços, mas precisamos de mais suporte, de empresários locais, que tenham credibilidade e histórico de realização e queiram fazer a coisa certa pelo país, tirando mais gente deste poço social aportando recurso, inteligência e influência.

Essa transformação social não é minha. Também não é do Lemann nem do Elie. É de todos nós. Da favela e o do centro. Deixar para depois é a pior escolha. Dizer não posso é covardia. Queremos criar uma grande rede de apoio, composta por padrinhos locais, que acreditem no valor de doar para mudar o país em escala. Gente que tenha a ambição de fazer coisas grandes, não apenas nos negócios, mas também nas periferias e favelas.

Como diz o Elie, quando você faz o bem, Deus ajuda também. Então, que Deus nos ajude. Estamos recrutando padrinhos e madrinhas para a favela. Vamukida.

 

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