Como a inteligência artificial deixa o “Fortnite” mais divertido

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Dados analíticos podem aumentar o engajamento dos jogadores

Resumo:

  • O “Fortnite” é um jogo com serviço (GaaS), cuja fonte de renda vem da venda dos passes de batalha e de outros itens disponíveis dentro do jogo;
  • Em, 2018, o faturamento do battle royale foi de US$ 3 bilhões;
  • Diariamente, durante os horários de mais acesso no jogo, 40 GB de informação são enviados aos servidores da Epic Games.

O battle royale multiplayer “Fortnite” é o game mais popular do mundo, com mais de 250 milhões de jogadores.

Ele também representa um paradigma relativamente novo em jogos – um que alterou o panorama do software até se tornar quase irreconhecível nos últimos anos. Conhecido como “jogos como um serviço” (game as a service – GaaS), o “Fortnite” é financiado por assinaturas dos passes de temporada e transações regulares feitas por seus jogadores, em vez de uma compra inicial.

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Embora isso possa não parecer tão novo para aqueles com idade suficiente para lembrar dos gastos de moedas em “Pac Man” e “Space Invaders”, o GaaS significa que o fluxo contínuo de receita financia o desenvolvimento contínuo e a melhoria do jogo.

E sua hospedagem baseada em nuvem (juntamente com a vasta base de usuários) significa que enormes quantidades de dados estão disponíveis para os desenvolvedores Epic Games – o jogo gera um escalonamento de dois petabytes por mês. Tudo isso pode ser extraído para obter insights sobre o que mantém os jogadores engajados – e contribuiu para repetir os US$ 3 bilhões em lucro gerados em 2018.

Os dados são o combustível da inteligência artificial. Os players geram informações ao interagir uns com os outros. Agora, a plataforma pode ser analisada com algoritmos inteligentes e usada para tornar o jogo mais divertido e imersivo, o que, por sua vez, ajuda a aumentar a base de usuários.

Essas análises – executadas em ferramentas que incluem o Amazon Sagemaker – são usadas para identificar os KPIs, como o tempo que os jogadores estão online – seja de horas por dia ou sessões por semana – e entender o que fornece o “gancho” para manter a frequência.

Feito isso, a empresa pode fazer alterações na estrutura interna do jogo, como implantar diferentes modos, incentivando os jogadores a interagir de diferentes maneiras, para impulsionar o crescimento em suas principais métricas.

Grande parte da infra-estrutura da Epic dedicada ao “Fortnite” é construída no serviço de nuvem AWS, da Amazon. O diretor de plataforma da empresa, Chris Dyl, disse no AWS Summit em Nova York: “Nós usamos os dados para tudo, de ARPU (receita média por usuário) a análise de jogos e melhorias”.

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Nos horários de pico, o pipeline analítico do “Fortnite” inunda 40 GB de dados a cada minuto no repositório Epic, que até o ano passado era de 14 petabytes e estava crescendo ao ritmo de petabytes por mês.

Os detalhes precisos de como os dados são usados para melhorar a jogabilidade e direcionar o envolvimento dos gamers são mantidos em sigilo. Mas as ferramentas e serviços relacionados à análise de dados incluem o Amazon S3, a estrutura de computação em cluster do Apache Spark e o software de visualização Tableau.

Tal como acontece com outras operações de GaaS, é provável que a Epic use as informações de que dispõe para equilibrar a jogabilidade nos torneios de battle royale do “Fortnite” – o free-for-all onde 100 jogadores competem até sobrar apenas um deles.

Além disso, decisões de design, como a implementação de novos modos de jogo, serão baseadas no que é aprendido sobre os tipos de batalha que são populares na base de usuários.

Como as batalhas no “Fortnite” são relativamente livres, em vez de serem estruturadas em torno de missões ou objetivos – como é a norma nos videogames -, a Epic pode usar análises e inteligência artificial para fazer observações psicológicas interessantes sobre o comportamento dos jogadores. Será que eles tendem a fazer isso sozinhos ou formarão alianças e pactos temporários para trabalhar juntos em metas autodeterminadas – como derrubar jogadores mais fortes ou manter um terreno estrategicamente importante? Que nível de risco os jogadores estão dispostos a assumir quando se trata de se expor ou deixar cobertura, para coletar melhores armas e equipamentos? A IA pode ser usada para monitorar essa jogabilidade “emergente” e adaptar o desafio para se adequar ao estilo dos jogadores.

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A jogabilidade emergente não é novidade nos jogos e marca uma tendência para além dos games, onde cada elemento individual foi criado manualmente por designers de jogos, no sentido de permitir que os usuários desenvolvam regras para si mesmos em um ambiente de “sandbox” (modo de jogo no qual é preciso criar). A IA é um próximo passo natural nessa evolução, possibilitando a perspectiva de “árbitros virtuais” que podem se adaptar ao que os jogadores estão fazendo e garantir que a infraestrutura do jogo também se adapte para lidar com esse comportamento.

A Epic também desenvolveu grande parte de sua própria infra-estrutura muito antes de o “Fortnite” existir – seu Unreal Engine era um dos mecanismos de gameplay mais usados tanto no design independente quanto no “triple-A” dos grandes estúdios de games.

Seguindo essa tradição, a Epic Online Services – uma plataforma para criação, manutenção e gerenciamento de jogos massivos baseados em nuvem para múltiplos jogadores – tornou-se disponível gratuitamente.

A mudança para a nuvem e a tecnologia AI da Epic são impulsionadas pela parceria com a Tencent, que investiu US$ 330 milhões em troca de uma participação de 40% da empresa em 2012. Entre as companhias chinesas de tecnologia, a Tencent é a mais focada em jogos. Foi pioneira no desenvolvimento da infraestrutura de nuvem, móvel e microtransação implementada pelo “Fortnite” e, agora, está sendo adotada em toda a indústria de games.

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