Bilionário presidente da Blackstone doa US$ 25 milhões para combater gene de câncer

The Gray Fundation
Investimento da família Gray é em financiamento de pesquisas de mutações nocivas

Resumo:

  • Ao todo, Jonathan e Mindy Gray já doaram US$ 175 milhões em filantropia, além de mais US$ 100 milhões em pesquisas;
  • O foco deste investimento é prevenir a proliferação do BRCA mutante, que é genético;
  • As mutações no gene elevam o risco de câncer de mama para 72% e de útero para 44%;

Ontem (23), o magnata do capital privado Jonathan Gray e sua esposa Mindy anunciaram a doação de US$ 25 milhões em financiamento para pesquisas sobre mutações genéticas nocivas que podem levar ao câncer de mama e de ovário. O auxílio é mais um ação na prevenção a doença. Nos últimos sete anos, o casal investiu US$ 55 milhões em pesquisas para o gene BRCA, no Basser Centre, da Universidade da Pensilvânia, o primeiro centro do mundo dedicado ao estudo de cânceres relacionados a mutações BRCA. As doações serão divididas entre sete equipes de pesquisa em todo o mundo, elevando o total de contribuições filantrópicas do casal para mais de US$ 175 milhões, incluindo mais de US$ 100 milhões em pesquisa.

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“Isso me lembra de como é investir, quando você é um investidor de alta convicção”, diz Jon Gray, que fez seu nome como barão imobiliário da Blackstone e foi promovido a número 2 do co-fundador Steve Schwarzman como diretor de operações, em 2018. “ Você acredita em uma motivação, eu acredito na logística global ou acredito em ativos midstream ou seja lá o que for. Encontro uma grande equipe administrativa e entro com tudo nisso ”.

Identificadas em meados da década de 1990, as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem levar a taxas drasticamente mais altas de câncer de mama e ovário em mulheres, bem como risco elevado de câncer de próstata (em homens) e pâncreas. Enquanto a média das mulheres tem uma chance de 12% e 1,3% de desenvolver câncer de mama e de ovário, respectivamente, as mutações BRCA prejudiciais aumentam esse risco para até 72% e 44%, de acordo com o National Cancer Institute, dos EUA. Embora o câncer de mama possa ser examinado por meio de mamografias e exames de ressonância magnética, os testes e a prevenção para o câncer de ovário ainda são pouco conclusivos, e a doença geralmente pode ficar indetectada até estágios mais avançados.

“Não há como analisar o câncer de ovário, a menos que você abra o corpo de uma mulher”, diz Mindy Gray. “Para uma jovem ter que remover profilaticamente seus ovários é muito emocional e também tem implicações, pois você entra imediatamente na menopausa.”

Algumas mulheres com genes BRCA defeituosos adotaram uma abordagem muito proativa. A atriz Angelina Jolie, que herdou essas mutações genéticas, anunciou em 2013 que fez uma dupla mastectomia preventiva para reduzir o risco de contrair câncer de mama. Ela removeu seus ovários dois anos depois.

Os Grays estão dispostos a mudar o alcance de suas mais recentes doações de pesquisas, acreditando que os cânceres relacionados ao BRCA podem ser drasticamente reduzidos por meio de testes avançados que detectam a doença antes que o câncer se forme. Sua jornada começou em 2000, quando Faith Basser, irmã de Mindy, foi diagnosticada com câncer de ovário. Ela morreu da doença dois anos depois, aos 44 anos.

“Minha irmã Faith era como uma mãe e uma melhor amiga”, lembra Mindy. Da primeira geração de imigrantes da Europa Oriental, os pais de Mindy não mantinham históricos médicos familiares. Até a morte da irmã, a família não sabia que portava os genes BRCA mutantes. “Soubemos então que não queríamos que outras famílias sofressem como nós. Queríamos criar um centro que ficasse focado nessa mutação, que proporcionasse pesquisa, suporte e cuidado, e é por isso que fundamos o Basser Center.”

Para ampliar e organizar seus esforços filantrópicos, os Greys trouxeram Chi Van Dang, ex-diretor do Abramson Cancer Center, da Universidade da Pensilvânia, para ser o principal conselheiro científico da Fundação Grey, em 2018. O veterano pesquisador de oncologia rapidamente apresentou a ideia de sediar um simpósio onde os principais especialistas em BRCA pudessem se reunir e discutir questões no campo. Depois de organizar a reunião em setembro passado, a fundação buscou propostas de financiamento de pesquisadores de todo o mundo. Dang e um grupo de cientistas independentes analisaram mais de 50 currículos para escolher sete equipes, com pesquisadores de Harvard a Cornell (universidades norte-americanas), até QIMR Berghofer, na Austrália, e o britânico Wellcome Sanger Institute.

“O que saiu da reunião foi que ainda há muito trabalho a ser feito no estágio pré-câncer. Sabemos muito quando os pacientes apresentam câncer, sabemos o que eles têm, quais são as mudanças genéticas que levam ao câncer. A questão é o que está à espreita no tecido normal que começa a se parecer com câncer, e como nosso sistema imunológico reage a essas células anormais antes de desenvolvê-lo”, diz Dang. “O objetivo aspiracional seria entender o processo de desenvolvimento do câncer cedo o suficiente e, em seguida, procurar maneiras de intervir, erradicar, prevenir o câncer até mesmo de se desenvolver.”

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“O que queremos fazer é construir um atlas pré-câncer para o BRCA, estabelecer um roteiro para todos no mundo usarem”, continua o especialista. “Nós tivemos um engenheiro do MIT na reunião, e eles estão de prontidão para trabalhar com os outros grupos e dizer: ‘se vocês encontrarem alguns sinais de câncer precoce, nós podemos construir novos medicamentos que buscarão essas células especificamente para erradicá-las’”.

“Isso é mais investimento proativo do que reativo”, diz Mindy Gray. “Estamos pedindo que pensem fora da caixa.” Os donatários (alguns dos quais estão analisando tecidos pré-cancerosos enquanto outros estão trabalhando em métodos de detecção precoce) se reunirão novamente no final do ano para discutir e colaborar em suas descobertas. A esperança é que, eventualmente, os cânceres relacionados ao BRCA possam ser rastreados e tratados em seus estágios iniciais, tornando as cirurgias de redução de risco obsoletas.

“A parte difícil disso é a natureza multigeracional. Você está passando isso para a frente. Por isso, há essas famílias com multi gerações de câncer, a avó, a mãe, as filhas. O peso psicológico disso é muito significativo para as famílias”, diz Jon Gray, que vê mais simpósios e fundos de pesquisa no futuro de sua fundação. “Estamos todos nisso. Planejamos fazer mais, até encontrarmos um jeito de as pessoas poderem dizer que podem viver com uma mutação BRCA”.

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