Google e Facebook monitoram a atividade de usuários em sites pornográficos

Reprodução Forbes/Getty Images
Pesquisa da Microsoft diz que as empresas rastreiam tráfego secretamente

Resumo:

  • Mais de metade dos adultos acessa sites pornô;
  • O principal é o Pornhub, que teve quase 33,5 bilhões de visitas e 962 buscas por segundo, em 2018;
  • Pesquisa analisou 22.484 sites, dos quais 93% fornecem informações para terceiros;
  • Além do Facebook e do Google, a empresa de hardware, softwares e de banco de dados Oracle também rastreia sites adultos.

Se você é um dos mais de 50% dos adultos que acessam pornografia on-line, então uma nova pesquisa liderada pela Microsoft o deixará desconfortável com toda a certeza: é muito provável que você esteja sendo rastreado por quase todos os sites em que entra. E, esqueça: usar a guia anônima para se proteger também não adianta. Os gigantes da tecnologia sabem quem você é e onde você esteve.

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Enquanto estávamos todos desnecessariamente preocupados se a Rússia estava usando o FaceApp (aplicativo viral que modifica fotos, deixando a pessoa com aparência de velho) para coletar dados privados de milhões de pessoas ao redor do mundo, um artigo de pesquisadores da Microsoft, da Carnegie Mellon e de universidades da Pensilvânia relatou que, na verdade, o Facebook e o Google estavam fazendo exatamente isso. Outra vez.

E, enquanto o FaceApp foi apenas acusado (erroneamente) de acessar galerias de fotos e nomes de usuários, a natureza desse outra outra revelação vai além, a lugares mais sombrios da internet. Isso porque, segundo os pesquisadores no estudo, “a análise de 22.484 sites de pornografia indicaram que 93% vazam dados dos usuários para terceiros”.

Apesar das políticas de privacidade que “foram escritas de maneira que educação universitária pode ser necessária para entendê-las” e da falsa sensação de segurança que a navegação privada oferece -“isso apenas garante que o histórico de navegação não seja armazenado no computador”. Pesquisadores descobriram que o Google e seu ecossistema estavam rastreando quase 75% dos sites de pornografia, a Oracle quase 25% e o Facebook 10%.

Vamos relembrar a enorme escala de tráfego e uso. O líder de mercado é o Pornhub, que registrou quase 33,5 bilhões de visitas e 962 buscas por segundo, em 2018. Segundo alguns cálculos, o tráfego relacionado a pornografia agora é responsável por quase um terço de todo a circulação da internet, “mais do que Netflix, Amazon e Twitter juntos”. Além disso, o “YouPorn usa banda seis vezes mais larga que o Hulu“.

E a natureza dos dados expostos não poderia ser mais pessoal para os indivíduos envolvidos.

“Esses sites pornográficos precisam pensar mais sobre os dados que possuem”, disse Elena Maris, da Microsoft, ao “The New York Times”, “e como é algo tão sensível quanto informações sobre saúde, proteger esses dados é crucial para a segurança de seus visitantes. O que vimos sugere que esses sites e plataformas podem não ter pensado nisso tudo como deveriam”.

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Não é de surpreender que a boa manutenção da internet não esteja no topo da lista dos sites pornográficos, mas a pesquisa descobriu que apenas 17% dos sites usam criptografia, tornando a chance de exposição ainda maior.

“O fato de o mecanismo de rastreamento de sites adultos ser tão semelhante, por exemplo, ao varejo online, deveria acender um enorme alerta vermelho”, disse Maris. “Não é o mesmo do que olhar um suéter e vê-lo em todas as páginas da web. Isso é muito mais específico e profundamente pessoal”.

Google e Facebook minimizaram o relatório. O Google disse ao “The New York Times” que “não permitimos anúncios do Google em sites com conteúdo adulto e proibimos perfis personalizados de publicidade com base nos interesses sexuais de um usuário ou de atividades relacionadas online. As tags dos nossos serviços de publicidade nunca podem transmitir informações pessoalmente identificáveis ​​para o Google”. Já o Facebook acrescentou que suas diretrizes comunitárias, cada vez mais divulgadas, proíbem rastreadores de publicidade em sites de sexo e que esses sites são bloqueados por processos de coleta de dados. A Oracle não respondeu às solicitações.

O relatório descreveu o rastreamento de usuários em sites pornográficos como endêmico. “Os 93% das páginas que foram encontradas ‘vazaram dados de usuários para terceiros’, fizeram isso para uma média de sete domínios”. Além disso, 79% das páginas tinham “cookies de terceiros (geralmente usados para rastreamento).” No total, os pesquisadores “identificaram 230 diferentes empresas e serviços rastreando usuários” nos sites testados.

Além do Google, Oracle e Facebook, rastreadores de redes Cloudflare, Yadro 7%, New Relic e Lotame 6% também foram encontrados. Havia também “rastreadores específicos de pornografia”, como os sites de monetização exoClick, JuicyAds e EroAdvertising. As páginas dentro dos sites incluem URLs que “sugerem fortemente que o conteúdo inclui ou segmenta uma ou mais identidades ou orientações sexuais específicas, e/ou tópicos de interesse/foco”.

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Convenhamos, para os mais de 50% dos adultos que assistem pornô, isso não é algo que queiram compartilhar..

No Reino Unido, quando um mal recebido bloqueio pornográfico foi anunciado pelo governo para proteger os menores de acesso a esses sites, um dos maiores clamores contra os planos era o risco de vincular a navegação pornográfica a indivíduos reais. Esta última pesquisa valida o risco dessa tecnologia oculta

Com a pressão contínua para uma reforma das mídias sociais e também mais transparência em seus modelos de negócios baseados em dados, essa notícia pode ser a ficha que faltava cair para milhões de pessoas pelo mundo. Sabemos que estamos sendo rastreados – cookie por cookie – quando fazemos compras, navegamos e exploramos. Mas será que isso não foi demais?

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