O luxo de não ter nada

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O aluguel de peças é a nova aposta das lojas de roupas

Resumo:

  • A busca por uma economia mais consciente traz inovações para indústria, como o aluguel de grandes marcas;
  • Essa prática se mostra cada vez mais frequente no mercado e mais adotada por consumidores;
  • Entenda como o aluguel pode ser um serviço que chegou para ficar no varejo.

Cada vez mais pessoas acreditam na ideia de que ter menos é mais – literalmente. Começando com pioneiros como o Rent the Runway, o mercado de aluguel de roupas é um dos segmentos que mais cresce na indústria do varejo, devendo ultrapassar os US$ 2,5 bilhões nos próximos quatros anos.

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Por que as pessoas aceitam dividir suas roupas com estranhos?

O crescimento desse segmento mostra uma mudança na indústria que é vista repetidamente em várias categorias: os consumidores atuais estão mudando. Essa mudança independe de idade, salário ou local. Todos os consumidores estão mudando, e o ramo de aluguel de roupas representa bem transformações que não param de evoluir, como consciência ambiental e a expectativa de que fazer compras vire uma experiência integrada.

Lojas e marcas estão se adaptando à vontade de compartilhar

Pessoas compartilham. Elas compartilham suas casas por uma semana. Compartilham seus carros com estranhos por uma carona. Agora, compartilham também suas roupas.

Nós podemos não perceber completamente, mas compartilhar virou o centro do mercado consumidor. O mais óbvio é o desejo inerente das pessoas em dividir suas vidas (incluindo férias e experiências divertidas nas redes sociais), criando uma grande demanda pelas experiências certas e pelos visuais certos. Plataformas de compartilhamento como a Joymode – que dá ideias e meios de uma pessoa realizar diversas atividades como ir acampar – permitem que pessoas aluguem qualquer coisa, de um liquidificador moderno a um berço a um console de videogame. Por que não tentar novas experiências já que tudo o que você precisa está acessível e não exige muito esforço?

Aluguel é mais uma manifestação da economia circular

Alugar é essencialmente o mesmo que reutilizar, que é a base da maioria dos esforços ecológicos. Alguns consumidores se preocupam com os impactos da “fast fashion” (moda de produção em massa), ou com o desperdício de itens que não usam mais, mas eles ainda desejam experimentar coisas novas ou parecer relevantes no Instagram. Quando marcas populares como a Free People, Vince ou Rebecca Taylor oferecem programas de aluguel, os consumidores conseguem isso sem desperdiçar roupas.

Essa economia circular, um termo que a indústria do varejo continua a ouvir, parece mais próxima ao desejo de consumir conscientemente. Além disso, se consumidores estão alugando, eles se preocupam menos com o preço de artigos de luxo, como um suéter de US$ 500 da marca de um designer. Com uma assinatura, eles podem vestir sem possuir e já começar a pensar no próximo look. Em uma economia circular da moda, consumidores montariam um guarda-roupa básico com as roupas mais necessárias e que quase nunca mudam, e o incrementariam com roupas mais sazonais, que depois serão reutilizadas por outras pessoas no programa.

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O aluguel remove a última barreira das compras: custo

A era digital fez do ato de comprar uma camiseta algo absolutamente simples. Você pode fazer isso às 3h, da sua sala ou do seu escritório, e a camiseta chegará na porta da sua casa amanhã. É quase irreal de tão fácil. Mas tem uma realidade com a qual compradores devem se conformar: dinheiro. Consumidores ainda têm uma quantidade finita de dinheiro (ou de crédito) para fazer compras, e essa pode ser a única barreira impedindo as aquisições. Mas o aluguel muda isso. Consumidores podem basicamente comprar e abandonar a compra. E fazer tudo de novo, sem ter de se preocupar com os preços inconvenientes.

Em teoria, quatro vestidos da marca Rebecca Taylor custam mais de US$ 1.600 no total. O aluguel deles é US$ 159. Parece uma experiência mágica para os consumidores. Também é fácil perceber que, se o mercado derruba uma barreira, é esperado que a demanda suba. Isso significa mais consumidores usando uma marca que antes era inacessível. Novos fãs de determinadas marcas surgirão, o que implicaria mais compras reais ou a possibilidade de aumentar o canal de aluguel com mais opções.

Talvez seja por isso que varejistas que lançaram ofertas de aluguel não se preocupam com ameaças entre canais. Além disso, o aluguel permite que marcas entendam mais os hábitos de seus consumidores: o que eles alugam mais de uma vez, como eles priorizam suas escolhas, quais tendências eles experimentam com ou sem limites financeiros.

Em uma indústria integrada em constante desenvolvimento, novas ofertas vêm e vão. Ainda assim, porque o aluguel está tão relacionado com o que os consumidores preferem e querem, ele pode se tornar um canal permanente para mais marcas e lojas.

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