Lições de viagem

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“O que difere coragem de loucura é o resultado.”

Em minhas palestras e eventos, gosto muito de usar a frase acima, que lapidei ao longo dos anos, com histórias de empreendedorismo que tenho conhecido pelos mais distantes cantos do nosso país. Viajo muito pelo Brasil, o que acaba proporcionando uma visão do macroambiente socioeconômico nacional.

Há quase 20 anos, passo boa parte do meu tempo percorrendo constantemente as mais diferentes regiões em visitas às filiais de nosso escritório espalhadas por todos os estados brasileiros.

Essas viagens não são para mim apenas um dever profissional. Representam, principalmente, um sopro de ar fresco, de onde retiro, muitas vezes, inspiração e coragem para continuar a empreender, pois tenho a oportunidade de conversar com pessoas das mais diferentes origens e especialidades empresariais. Mais recentemente, estive na capital de Roraima, em Boa Vista, onde me encontrei com o empresário Carlos “Wizard” Martins, que se mudou para aquele estado para acolher venezuelanos numa missão pessoal e espiritual.

Conto isso para dizer que aprendi, com a experiência, a me conectar com outros pontos de vista, outras realidades. De alguma maneira me sinto próximo ao sentimento do grande navegador Amyr Klink, que escreveu um ensinamento: “Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver e apreender”.

De fato, essas viagens me quebram a arrogância. A cada visita, tenho a oportunidade de conhecer pessoas que se tornaram referência em suas áreas de atuação. Exemplos de superação e empreendedorismo. Empresários bem-sucedidos, longe dos grandes centros urbanos conhecidos. Sinto- -me privilegiado com essa oportunidade. Essas viagens me fazem sair do “círculo de preconceitos do próprio país”.

Às vezes, ficamos presos à visão territorial de nossos umbigos. Por isso, entendo bem a determinação desses empreendedores que, mesmo longe do eixo Rio-São Paulo, prosperam, tornam-se grandes, que saem dos modelos pré-fabricados. Por méritos, competência e, claro, coragem. Afinal, como disse Aristóteles e foi repetido por Winston Churchill, “a coragem é a primeira das qualidades humanas, porque garante todas as outras”.

Em muitos aspectos, a minha caminhada para me tornar advogado e empresário resvalou nos mesmos obstáculos e preconceitos. Já tive oportunidade de contar aqui um pouco de minha trajetória. Vim do interior do Paraná, de uma família de pequenos agricultores, de pais semianalfabetos. Com muito esforço e superação, consegui me formar advogado e ascender em uma área marcadamente conservadora e tradicional. Rachel Maia, que também está nesta edição, é outro modelo de quebra de barreiras.

Rachel, eu (permitam-me minha inclusão) e tantos empreendedores espalhados pelo interior mostramos que é possível superar uma condição adversa e tornar- -se uma pessoa bem-sucedida, ser um referencial extrafronteiras. Sem mimimis!

Aproveito esse espaço para exaltar esses empreendedores e mostrar que, apesar das dificuldades econômicas, há grandes grupos sendo formados fora dos principais polos de negócios do país, graças ao dinamismo e à visão de empreendedorismo.

Em uma das principais escolas de negócios do mundo, a Wharton School, um curso prepara jovens profissionais para suas primeiras experiências como chefes com base em situações práticas. Uma das lições do curso diz que, como chefe, você não é um superempregado. Acho que essa colocação pode ser revertida também para esses empreendedores. São pessoas com foco, que, de uma lojinha de móveis numa cidade pequena, fazem uma rede em sua região; de um consultório médico, uma rede hospitalar; de uma oficina, uma rede de concessionárias.

Discretos e silenciosos, grandes empreendedores estão muitas vezes longe dos holofotes, sendo exemplo e reforçando a ideia de negócio de Michael Dell: “Você não precisa ser um gênio ou um visionário, nem mesmo alguém com pós-graduação para ser bem-sucedido. Você só precisa de um modelo de trabalho e um sonho”. Este é um Brasil auspicioso.

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