Andrea Iorio lança guia de competências humanas para a era digital

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Ex-country manager do Tinder e líder digital da L’Óreal fala sobre as habilidades que executivos precisam ter para modernizar suas organizações

Foi na total desconexão da Chapada dos Veadeiros que o influencer italiano Andrea Iorio teve a ideia que daria origem ao seu primeiro volume, que chega às livrarias, com competências comportamentais essenciais para liderar a transformação digital.

Naqueles dias de isolamento no planalto central, Iorio, até então country manager do Tinder e hoje chief digital officer na divisão de produtos profissionais da L’Óreal, percebeu que sua formação de economista combinada com a experiência em lançar e liderar o aplicativo de paquera na América Latina renderiam insights úteis para executivos brasileiros.

“O trabalho no Tinder era muito focado na observação do contato humano. Virei um especialista nisso e pensei em uma visão diferente do profissional necessário para fazer a inovação acontecer,” constata Iorio, que veio para o Brasil em 2011 e atualmente mora no Rio de Janeiro.

“A transformação digital não tem a ver com tecnologia, e sim com comportamento humano. Ela nunca vai acontecer só porque uma empresa contratou o melhor software ou consultoria,” afirma. “É um assunto de liderança.”

No livro “6 Competências para Surfar na Transformação Digital”, da editora Planeta, Iorio traz atributos críticos para líderes da atualidade, como flexibilidade cognitiva e altruísmo digital. As habilidades descritas refletem o estudo de tendências do executivo, combinado ao interesse de seus mais de 40 mil seguidores no LinkedIn.

“Percebi que os profissionais que me seguem estão muito mais interessados e tem muito mais dificuldade em desenvolver competências humanas, e não o ferramental tecnológico,” aponta.

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Ideias inovadoras viraram commodity e que o realmente interessa é a capacidade de execução de empresas, segundo Iorio, que usou este conceito de execução inovadora para construir sua própria persona de influenciador digital.

“Quando comecei a entender que minhas teorias poderiam ser interessantes e que o meu jeito de liderar poderia ser compartilhado em plataformas como o LinkedIn, comecei criando pequenos artigos e textos, que foram validados e serviram como base para o livro,” conta.

“Meu processo foi pautado na construção de pequenas etapas e na criação de objetivos de curto prazo, que me deram a capacidade de execução para criar o livro. Este é um modelo que eu aplico em toda a minha vida,” complementa.

Colocar em prática ideias que podem transformar um negócio digitalmente pode ser um tortuoso, já que depende da quebra de uma série de paradigmas. Para ajudar a transpor estes desafios, Iorio explica um método que aprendeu na escola de negócios sueca Hyper Island, o “porcotipo”.

“A ideia é criar pequenos protótipos ‘porcos’, que removem o medo de arriscar e são o ponto de partida da inovação. No meu caso, os ‘porcotipos’ para o livro foram os artigos no LinkedIn e as palestras que fiz,” detalha.

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Esse medo de arriscar na inovação visto comumente em empresas, segundo Iorio, é inerente ao ser humano. O cérebro define e estabelece mecanismos para que a energia gasta seja minimizada. Isso gera hábitos, que, no contexto corporativo, criam rotinas estabelecidas que nunca são questionadas.

“Nossa tarefa, como novos tipos de profissionais, é desenvolver este entendimento de competências digitais e analisar como podemos quebrar antigos mecanismos para fazer a novidade entrar em nossas empresas,” aponta.

No Brasil, Iorio diz que empresas que nasceram digitais têm vantagem na nova economia por conta de suas estruturas horizontais e características como flexibilidade cognitiva, mas as organizações tradicionais ainda têm chance.

“Ainda há um desafio grande [para empresas estabelecidas], mas muitos tem vantagens como dominância de mercado ou marcas muito fortes,” afirma. “Isso faz com que estas empresas, mesmo diante da ameaça digital, tenham enormes chances de se transformar. Mas elas precisam querer isso e se mexer.”

 

Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

 

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