Château Lafite Rothschild faz 150 anos

Divulgação
Adega circular idealizada pelo barão Eric de Rothschild

Este é um ano de celebração para a família Rothschild. Ela está comemorando os 150 anos da aquisição, em 8 de agosto de 1868, do Château Lafite pelo barão James de Rothschild. Logo após a compra, ele renomeou a propriedade, que passou e se chamar Château Lafite Rothschild.

LEIA MAIS: O que são e quanto custam os vinhos biodinâmicos

A joia da coroa dos Domínios Barões Rothschild (DBR) é um dos cinco Premier Cru – a mais alta classificação vinícola da região de Bordeaux – e faz parte de um império que compreende oito vinícolas que cobrem 1.200 hectares de vinhedos, espalhados por três continentes e comercializados por 80 distribuidores internacionais. Foi como parte dessas celebrações que a FORBES Brasil foi até a França, mais precisamente à vila de Pauillac, na região de Médoc (a noroeste de Bordeaux), para conhecer onde é produzido aquele que é tido por muitos conhecedores como o melhor vinho da denominação Bordeaux.

Era uma bela e ensolarada tarde do verão europeu quando chegamos ao Château Lafite Rothschild acompanhados por nosso anfitrião, o barão Philippe de Nicolay-Rothschild, e pelo recém- empossado CEO do château, o experiente Jean-Guillaume Prats, que acabara de deixar o posto de CEO da divisão de vinhos da Moët-Henessy, do conglomerado de luxo LVMH.

Mesmo para os menos versados, entrar em Lafite é uma experiência impressionante e inesquecível. Seja pela paisagem, que parece ter sido pintada à mão, seja pela arquitetura imponente do château, seja pelo fato de estarmos diante do terroir responsável por algumas das melhores cepas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot que o mundo pode produzir.

Divulgação
A propriedade dos Lafite foi adquirida pelos Rothschild em 1868

Nosso tour guiado iniciou pelo impressionante cellar da propriedade, onde o moderno e a tradição secular se misturam de forma homogênea. Caminhamos por entre as enormes barricas de madeira, onde o processo de fermentação ocorre, seguindo para o enorme salão onde repousam os barris de carvalho – 2 mil barris são produzidos todos os anos por cinco tanoeiros da DBR, usando carvalho selecionado das grandes florestas de Allier e Nivernais, que secam ao ar livre por dois anos em Lafite, antes de serem trabalhados.

Se a visão do salão repleto de barris já impressionava, a apoteose fica para adega circular do château, idealizada pelo barão Eric de Rothschild, construída sob a supervisão do arquiteto Ricardo Bofill e inaugurada em 1987. Destinada ao envelhecimento dos vinhos em seu segundo ano, é caracterizada por sua forma octogonal incomum e um arco sustentado por 16 colunas. Pode acomodar até 2.200 barris. A sensação é a de estarmos entrando num imponente e silencioso templo. O design inovador permite que os barris sejam “rolados” até o ponto onde são lavados, periodicamente, percorrendo uma distância muito menor que numa adega linear. De tão inovador, passou a ser copiado por outras vinícolas mundo afora.

VEJA TAMBÉM: Primeiros vinhos brasileiros recebem selo por produção

De volta à superfície, caminhamos em direção ao belo Château Lafite para uma degustação, ao ar livre, da deliciosa Champagne Domaines Barons Rothschild acompanhada por popovers e foie gras. Findados os aperitivos, caminhamos lentamente pelas salas ricamente decoradas com o melhor do estilo Rothschild, um dos mais opulentos em decoração de interiores do século 19. Nas paredes, pinturas de membros do clã reforçam a sensação de que estamos, sem dúvida, entre a nobreza.

Jantar no Château Lafite Rothschild só é possível se você for um membro da família ou se estiver acompanhado
por algum deles. Para nossa sorte, estávamos acompanhados pelo barão Philippe, que, depois de saudado pelo gentil staff, pediu que tomássemos nossos lugares à mesa. O sol ainda brilhava forte, por volta das 20h30 – talvez por isso tenhamos demorados a notar que a sala era iluminada exclusivamente por velas, do grande lustre sobre a mesa aos candelabros ao redor da sala (não há energia elétrica naquele exótico ambiente).

Divulgação
Sala de jantar do Château Lafite: luz de velas

Iniciava ali um delicioso passeio por alguns dos vinhos e pratos prediletos de nosso anfitrião. Começamos com um Duhart-Milon 2008 que fazia par com uma delicada massa folhada acompanhada de ovos ao molho de cogumelo e mostarda. Entre uma garfada e um gole, ouvíamos o barão e Jean-Guillaume falarem sobre vinhos, história, tradição e suas experiências com o mercado brasileiro.

O tradicional filet de boeuf au poivre – um dos carros-chefes da culinária francesa – veio acompanhado por um suave e aveludado Château Lafite 1995. Um vinho “feminino”, dedicado às mulheres presentes – Jean-Guillaume afirmou que os Lafite de safras de anos com final 5 tinham essa característica. Pudemos também saborear o Lafite 1986 – considerado pelo barão “uma agradável e grande surpresa”, já que levara 32 anos para mostrar todo seu potencial. Para a sobremesa, um sorvete de vinho tinto, receita preparada pelo chef para ocasiões especiais, acompanhado de um Sauternes Château Rieussec 2007, um Premier Cru que também pertence à DBR.

A sala já começava a escurecer quando Philippe nos convidou para um conhaque em uma sala com paredes forradas de tecido verde, contrastando com os sofás estilo rococó revestidos de veludo vermelho. Era o desfecho perfeito para uma noite inesquecível nos domínios do barão.

Reportagem publicada na edição 61, lançada em setembro de 2018

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).