Empresa faz sucesso com aposta em couro de abacaxi

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Bolsa de couro de abacaxi da marca vegana Alexandra K, que é aprovada pelo PETA: € 329

“É sustentável, mas é horrível” e “ecologicamente correto não combina com luxo” são algumas das frases que surgem quando alguém propõe a utilização de matérias-primas alternativas no segmento de alto padrão. Houve avanços nos últimos anos, é claro, mas ainda prevalece na indústria a impressão de que essa equação não foi ainda devidamente resolvida. Daí a importância de produtos como o couro feito de abacaxi, usado nos produtos que ilustram este texto, criado pela espanhola Carmen Hijosa e totalmente amigo do meio ambiente.

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Carmen trabalhou no segmento de couro — o de animais mesmo — durante 15 anos, até decidir buscar substitutos à altura. Foi numa viagem às Filipinas, quando não só percebeu que a qualidade da matéria-prima animal vinha caindo como se deu conta de que as inúmeras plantações de abacaxi locais jogavam fora volumes enormes de folhas.

Assim surgiu a semente do negócio que virou seu grande propósito profissional.

Aos 62 anos, criou a start-up Ananas Anam (fica o exemplo para quem se sente velho demais para empreender!), fabricante do material que batizou de Piñatex. Antes disso, encarou sete anos de estudos sobre a indústria têxtil na Royal College of Art, em Londres, de onde saiu Ph.D. No mercado desde 2015, aprimorou o material e atraiu marcas grandes como a Hugo Boss. Em seguida, foi finalista do Initiative Women’s Awards, da joalheria Cartier.

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Tênis da grife Hugo Boss fabricados com Piñatex

Produzir um metro quadrado de Piñatex requer 460 folhas. O que não é um problema para a marca, que estima que o material orgânico que vai para o lixo nos dez maiores produtores de abacaxi seria suficiente para substituir 50% do couro animal usado no mundo. O processo de fabricação é todo ecocorreto, e o metro quadrado do produto é vendido a preços entre €25 e €40.

Dá para dizer que o couro de abacaxi substitui COM PERFEIÇÃO o bovino? Não, não dá. Mas chega bem perto disso, e pode virar produtos excelentes como os da galeria de imagens a seguir. É uma alternativa interessantíssima, que merece ser aprofundada. Sobretudo numa era em que a moda começa a atender à demanda dos consumidores jovens por produtos mais conscientes — outro dia mesmo, a Chanel anunciou que não vai mais usar peles e couros de animais exóticos.

  • As primeiras versões do produto ainda não tinham cor, mas já rendiam peças interessantes

  • Atualmente há versões douradas…

  • …e com cores fortes

  • Essa aqui não tem quem diga que não é couro animal, vai

  • A característica rústica do material ainda pode ser mais trabalhada, como se nota nesta bolsa…

  • …e nestas sapatilhas

  • Mas a variedade de usos é grande, pois serve mesmo como estofado de carros…

  • …pulseiras de relógio…

  • …e roupinhas para bichos de estimação

As primeiras versões do produto ainda não tinham cor, mas já rendiam peças interessantes

 

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