Por dentro do luxo e da arte em uma grande ilha do Havaí

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Existem quatorze ahu, ou santuários, no local. Essas estruturas históricas baseadas em rochas já foram um ponto focal de cerimônias que honram os espíritos ancestrais e também serviram para alertar os viajantes de que estavam entrando em “uma nova terra”.

Antes de Kohanaiki, uma comunidade privada de 450 acres, ser construída entre os antigos fluxos de lava na costa de Kona, no Havaí, os ativistas locais resistiram à sua chegada. Após negociações com o desenvolvedor, um acordo para preservar a herança cultural e a natureza da área foi fechado. Hoje, 100 acres de costa são mantidos em parceria pelo clube e pelo Condado do Havaí. “Estamos sempre tentando prestar homenagem àqueles que estiveram aqui antes de nós”, disse David Reese, gerente-geral da Kohanaiki. “Desde o início, trabalhamos muito para aderir à cultura havaiana. Famílias locais nos ajudaram em um comitê consultivo para melhor preservar tudo, com mais respeito.”

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A propriedade tem uma equipe dedicada para proteger e manter peixes havaianos tradicionais e mais de 200 lagoas de anchovas, onde os níveis de água sobem e descem com a maré. Existem quatorze ahu, ou santuários, no local. Essas estruturas históricas baseadas em rochas já foram um ponto focal de cerimônias que honram os espíritos ancestrais e também serviram para alertar os viajantes de que estavam entrando em “uma nova terra”.

O clube também funciona como um centro de artes, que conta com uma coleção de pinturas raras. Uma enorme canoa de casco, chamada Holokai (que significa marinheiro), fica na entrada como uma escultura, representando de muitas maneiras o coração arrojado da comunidade local. Várias obras do artista local Edwin Kayton podem ser vistas em toda a propriedade, bem como uma grande pintura a óleo das canoas de viagem Hokul’a e Makali’i.

Outra fascinante série de gravuras do historiador e artista Herbert “Herb” Kawainui Kane, líder do renascimento da cultura havaiana nos anos 1970, retrata as lendas do povo indígena daquela terra. Grande parte do seu trabalho contempla a ideia de cultura através da fé e, inversamente, a fé através da cultura de uma maneira simples, mas vívida. Os belos retratos de Kane foram apresentados em inúmeras exposições e selos postais, incluindo um comemorativo do 50º aniversário do Estado do Havaí, em agosto de 2009.

Mas um dos tesouros artísticos mais distintos de Kohanaiki pode estar escondido em uma sala de vinhos privativa. Desfrutando de uma degustação com Kirk Emmons, o sommelier residente, descobri uma incrível coleção de garrafas Château Mouton Rothschild, com rótulos personalizados, ilustrados pelos artistas mais célebres do mundo, incluindo Pablo Picasso, César, Andy Warhol, Pierre Soulages e Balthus, Francis Bacon, Jeff Koons e Miquel Barcelò. A idéia de criar rótulos personalizados veio ao Barão Philippe de Rothschild, em 1924, depois que ele contratou o famoso designer Jean Carlu para criar uma obra de arte exclusiva.

Em todo o resto da ilha, uma revitalização artística é evidente. O Centro Cultural East Hawaii é um excelente exemplo do esforço local para promover a expressão criativa e cultural. Sua lista de exposições, performances e programas educacionais é em grande parte gerida por voluntários locais. Atualmente, o que está em exibição é uma homenagem ao vulcão Maunakea, feita por artistas que residem ali. Isso leva o visitante a uma viagem inspirada por diferentes áreas deste importante marco natural e espiritual: Wao Akua reservado para cerimônias, Wao La’ala’au usado para observação de aves e colheita de madeira, e Kilo Hoku, um antigo local de astronomia. Fazendo a ponte entre o criador local e o comprador global, uma loja-conceito no centro da cidade, SPACE, oferece obras de arte com preços que variam entre US$ 36 e US$ 3.600.

Outro ponto cultural que vale a pena ser visto no Havaí é o Kona Hawaiian Quilt Museum and Gallery. Sendo o único museu do Estado a focar exclusivamente no acolchoado havaiano, o espaço recém-inaugurado abriga uma infinidade de desenhos de colchas vintage e contemporânea de artesãos locais. Iniciado na década de 1820, as primeiras colchas de retalhos encontradas na ilha foram reunidas em kapa moe, o tecido indígena fabricado em camadas, tiras de casca de árvore que resultam em um pano macio. A camada superior de um kapa moe é então tingida, e cada ohana (família) cria seus próprios selos de design únicos, caracterizando um centro floral. Embora o artesanato tenha gradualmente incorporado materiais originários daquela área, como o algodão, a tradição ainda tem significado emocional e cultural. É uma oportunidade única para aprender sobre a cultura havaiana indígena através de tecido e arte.

O traço comum que liga essas iniciativas criativas e imobiliárias tem um papel importante no cultivo da ilha como destino de luxo, arte e cultura. Contemplando o passado, enquanto antecipa o futuro, o Havaí cria um legado criativo que sustenta as tradições sagradas.

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