Livre, feliz e criativo: esse é o seu cérebro ao viajar

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Viajar é mais do que diversão: sua mente agradece pelos novos ares

Resumo: 

  • Que viajar é divertido todos sabemos, mas que é bom também para a nossa saúde mental pode ser uma surpresa; 
  • Tirar férias ao menos uma vez por ano afasta o estresse, a ansiedade e a depressão, e é uma ferramenta incrível para a nossa renovação e melhora em muitos aspectos da vida, inclusive no trabalho; 
  • A criatividade é outro benefício das viagens. Novos ares, pessoas, idiomas e até comidas podem abrir a nossa mente para o novo; 
  • Veja abaixo seis razões que fazem do viajar um combustível tão forte para a felicidade.

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Você se sente estressado? Para baixo? Tirar férias é mais do que uma folga das tarefas do dia a dia. Há toda uma gama de evidências científicas que mostram como viajar faz bem para a saúde mental.

Na última década, em especial, pesquisadores fizeram descobertas que explicam essa relação. Psicólogos que estudam a economia da felicidade chamam isso de o Paradoxo de Easterlin: o dinheiro pode nos trazer felicidade, mas só até certo ponto. O paradoxo toma o nome emprestado de seu autor, o economista e professor universitário Richard Easterlin, que analisou os fatores da felicidade no capítulo de um livro de 1974.

Um estudo de 20 anos feito por Thomas Gilovich, professor de psicologia da Universidade de Cornell, ouviu pessoas que reportaram a sua felicidade após adquirir coisas materiais notáveis e após determinadas vivências. Num primeiro momento, os participantes viram as duas formas de felicidade praticamente em um mesmo nível. Com o tempo, porém, a satisfação com o material começou a ruir, enquanto crescia a satisfação com as experiências, com as vivências.

  • Viajar diminui o risco de depressão

    A crescente valorização da nossa saúde mental pode estar mudando a forma como aproveitamos as férias. Dos norte-americanos que viajam, gritantes 81% disseram tirar férias pelo “bem estar mental”, e a maior parte (91%) vê as férias como uma chance de recomeçar, apertar o botão de restart e brecar o estresse e a ansiedade, de acordo com o último Expedia Vacation Deprivation Study, uma pesquisa anual sobre o comportamento e as atitudes dos turistas norte-americanos.

    O ruim é que 63% dos americanos disseram passar seis meses ou mais sem férias, e cerca de um quarto (28%) dos entrevistados tem um ano ou mais de intervalo entre as viagens. Isso não é bom. Um estudo de 2005 feito por mais de cinco anos com um grupo de 1.500 mulheres de Wisconsin indicou que as que tiravam duas férias por ano eram menos tensas, depressivas ou cansadas do que as que tiravam férias a cada dois anos. As mais viajadas também reportaram mais satisfação com seus casamentos.

  • Viajar pode renovar seu cérebro

    Cientistas acreditavam que o cérebro mudava apenas na infância, mas agora é amplamente aceito que a neuroplasticidade — a habilidade que o cérebro tem de mudar — está presente em toda a vida.

    No estudo “Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life” (Como a Nova Ciência de Plasticidade do Cérebro Pode Mudar Sua Vida), Michael Merzenich, conhecido como “o pai da plasticidade do cérebro”, explica a importância de sair de sua zona de conforto e abraçar o não-familiar. Pessoas que viajam para lugares diferentes, aprendem outros idiomas e experienciam coisas novas ao envelhecer são menos propensas a uma decadência cognitiva, de acordo com a pesquisa de Merzenich.

    Quer maximizar a neuroplasticidade do cérebro? Uma mudança de cenários acorda seu cérebro e o tira do piloto automático. Você precisa pensar sobre as pequenas coisas quando está em um lugar não-familiar. Aprender palavras de uma língua diferente, fazer um tour por um lugar novo, ou provar uma comida podem fazer seus neurônios disparar.

  • Antecipar uma viagem já pode trazer felicidade

    Quando pensamos no futuro para fazer algo divertido, liberamos dopamina, um neurotransmissor que ajuda a controlar a recompensa do cérebro e os prazeres centrais.

    Isso explica por que basta ter uma viagem num horizonte próximo para nos sentimos felizes. Um estudo de 2002 da Universidade de Surrey, no Reino Unido, acessou o sentimento de bem -estar de dois grupos de pessoas — aquelas com uma viagem planejada e aquelas sem — e descobriram que quem estava para sair de férias era mais feliz com a vida como um todo.

    A lot has been written about how Millennials value experiences over stuff, and science says they’re definitely on to something. A 2014 study by Gilovich and colleagues found that people were happier when they were anticipating an experience than a material purchase.

    Muito já se disse da preferência da nova geração por experiências em detrimento de bens materiais, e há respaldo na ciência para isso.

  • A felicidade não some ao fim da viagem

    Em um estudo recente na Coréia do Sul, pesquisadores entrevistaram 225 turistas que viajaram entre continentes e descobriram que, em média, a satisfação pela vida aparece 15 dias antes da viagem e dura cerca de um mês após o retorno para casa. O resultado final: não é apenas o planejamento de uma viagem que nos faz felizes, os benefícios emocionais seguem por um bom tempo depois da volta ao lar.

  • Viajar pode aumentar a criatividade

    Um estudo de 2014 publicado pela “Academy of Management Journal” procurou conexão entre uma experiência profissional internacional e a criatividade. O time de pesquisadores da Escola de Negócios de Columbia analisou onze anos de trabalho das casas mais fashions do mundo, procurando por relações entre as viagens dos estilistas e suas criações. O estudo descobriu as marcas dos diretores que viveram e trabalharam em outros países tinham designs mais criativos, segundo jornalistas da área e consumidores. Os pesquisadores criaram a teoria de que viajar nos força a pensar de formas diferentes e desenvolve uma “flexibilidade cognitiva”, que é chave para a criatividade.

  • Viajar pode melhorar a sua personalidade

    Nossa personalidade muda quando estamos fora de nossa zona de conforto? Há evidências de que viver fora do nosso país por um período curto pode afetar nossos traços de personalidade — porque ficamos mais “abertos à experiências.” Pessoas com um alto nível de abertura tendem a procurar novas experiências, se sentem confortáveis com o não familiar e são mais introspectivas do que aquelas que podem até ser consideradas como de mente fechada.

    Um estudo publicado em 2013 pelo “Journal of Personality and Social Psychology” examinou um grande número de alemães colegas de classe — alguns estudaram fora por um ou dois semestres enquanto estudantes no grupo de controle continuaram na Alemanha. Antes e depois do período de viagem, foi entregue um levantamento de personalidade a todos os participantes, para medir as 5 grandes dimensões de personalidade (Extroversão, Agradabilidade, Aberto a experiências, Conscientização, Estabilidade emocional). Ao retornar do intercâmbio, os estudantes se mostraram, em sua maioria, mais agradáveis, estáveis emocionalmente e abertos para coisas novas do que o grupo que ficou em seu país. Os pesquisadores atribuíram essas alterações às mudanças nas relações sociais como um resultado de viajar. Em resumo, pessoas que viajam tendem a conhecer pessoas novas e acabar com uma mistura refrescante de amigos.

Viajar diminui o risco de depressão

A crescente valorização da nossa saúde mental pode estar mudando a forma como aproveitamos as férias. Dos norte-americanos que viajam, gritantes 81% disseram tirar férias pelo “bem estar mental”, e a maior parte (91%) vê as férias como uma chance de recomeçar, apertar o botão de restart e brecar o estresse e a ansiedade, de acordo com o último Expedia Vacation Deprivation Study, uma pesquisa anual sobre o comportamento e as atitudes dos turistas norte-americanos.

O ruim é que 63% dos americanos disseram passar seis meses ou mais sem férias, e cerca de um quarto (28%) dos entrevistados tem um ano ou mais de intervalo entre as viagens. Isso não é bom. Um estudo de 2005 feito por mais de cinco anos com um grupo de 1.500 mulheres de Wisconsin indicou que as que tiravam duas férias por ano eram menos tensas, depressivas ou cansadas do que as que tiravam férias a cada dois anos. As mais viajadas também reportaram mais satisfação com seus casamentos.

Então, vá em frente e planeje suas próximas férias. A ciência diz que é bom para você.

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