Como a Suitsupply se tornou a grife que une moda e religião

O que Bruno Mars, Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio têm em comum? Além da fama, eles estão entre os mega-influenciadores da Suitsupply, uma marca de moda masculina, que, desde 2000, é um dos pilares do guarda-roupa da geração millennial e tem conquistado discretamente jovens profissionais de estilo urbano em todo o mundo.

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Embora o dress code no escritório esteja cada vez mais livre, por conta da economia digital, ainda é responsável por uma grande parte do mercado multimilionário de moda masculina, que em breve deverá superar o de moda feminina. A Suitsupply, fabricante de roupas holandesa fundada por Fokke de Jong, em Amsterdã, como uma alternativa atraente às marcas tradicionais de luxo, acaba de abrir sua centésima filial internacional, em Boston (EUA).

As marcas entendem a crescente importância de ter um discurso socialmente relevante. Nos últimos anos, a Suitsupply provou ser uma verdadeira provocadora, ao lançar uma série de campanhas controversas, que incluíram imagens que chamam a atenção e levantam questões sobre o poder da sexualidade e a dinâmica do poder de gênero.

Nesta temporada, a grife estreou um novo tópico: religião. Para celebrar a diversidade, a campanha publicitária de outono/inverno 2018 da marca se baseia em algumas das maiores comunidades religiosas do mundo. A criação artística arrojada está alinhada com o espírito de vencer limites e reafirmar o mantra: “Não se encaixe, encontre o seu próprio ajuste perfeito”. “Achamos importante mostrar estilos de vida representativos”, diz Jong sobre os anúncios mais recentes. Moda e religião são companheiros de longa data. Os mais de 1,4 milhão de visitantes que foram à exposição de moda “Heavenly Bodies”, por exemplo, fizeram do Metropolitan Museum, em Nova York (EUA), o museu mais visitado de todos os tempos.

O prestígio da marca tem sido justificado. Em um teste cego feito pelo “Wall Street Journal”, o terno Sienna de US$ 699 da Suitsupply empatou em primeiro lugar com uma opção de US$ 3.600 da Armani.

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A coleção Outono/Inverno 2018 apresenta uma mistura de tons terra e tons de joias inspirados nas vistas atemporais dos Alpes Biellese, na Itália, que abrigam fábricas têxteis de gerações mais antigas. Uma variedade de grampos de alfaiataria criados a partir de alpaca de moleskin, ultra-soft baby, flanela escovada e veludo grosso honram o premiado artesanato italiano. Algumas peças se destacam: uma bomber jacket feita de lã pura, um casaco de caxemira rosa e um terno verde-esmeralda trespassado com uma lapela de bico largo. Para um olhar perspicaz, as roupas acrescentam um toque de moda ao poder de se vestir.

FORBES conversou com Jong para falar sobre as campanhas controversas da marca, a possibilidade de competir com gigantes de luxo e o que está no horizonte da grife:

FORBES: Na temporada anterior, a marca celebrou o amor entre pessoas do mesmo sexo. Agora você segue com uma campanha focada na religião, que muitas vezes é extremamente intolerável em relação à homossexualidade. O que fez a Suitsupply explorar esses tópicos?

Fokke de Jong: A marca essencialmente celebra a diversidade. Faz parte do nosso DNA. Nossa coleção quebra linhas arbitrárias desde o início. Liberar campanhas polêmicas é uma consequência de conversar com nossa diversificada base de clientes. Estamos orgulhosos de criar com sucesso um ambiente de inclusão e esperamos inspirar maior tolerância.

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F: Alguns compararam sua abordagem de marketing com os primeiros anos da Diesel e de marcas similares que usaram a polêmica para alavancar vendas. Essa perspectiva combina com o senhor?

FJ: Nosso mantra é: “Não se encaixe, encontre seu próprio ajuste perfeito”. É uma mensagem de não-conformidade. A alfaiataria tem uma longa tradição de enviar uma mensagem de engessamento por meio de trajes uniformes e invariáveis. O Suitsupply tem sido um disruptor deste costume que, por si só, tornou-nos polêmicos. Se o mundo continua a criar nichos que dizem como as pessoas deveriam estar vivendo ou se vestindo, então, suponho que continuaremos controversos. O efeito positivo subsequente que a polêmica tem sobre as vendas, em alguns aspectos, deve ser a representação da ressonância de pessoas que pensam como você.

F: Como sua campanha foi recebida pelas comunidades religiosas?

FJ: Tivemos que reduzi-la para as maiores religiões representadas em todo o mundo. Caso contrário, poderíamos levar décadas para capturar completamente o espectro da fé e nunca teríamos roupas suficientes para cobrir todas elas. Filmamos a campanha em Nova York e fomos calorosamente recebidos em vários locais de culto. Eles ficaram felizes em ajudar a facilitar a realização do projeto e recebemos comentários positivos dos clientes. Muitos consumidores ficaram satisfeitos em celebrarmos suas próprias religiões.

F: O que podemos esperar da Suitsupply no futuro?

FJ: Estamos em um período de grande crescimento. Vemos homens colocando mais ênfase em se vestir melhor. No horizonte imediato, temos nossas visões definidas em Detroit. Com isso dito, planejamos levar a Suitsupply para mais cidades, enquanto expandimos os serviços de alfaiataria na loja. Também estamos trabalhando no fortalecimento da linha feminina Suistudio. As campanhas de outono “Not Dressing Men 2017” e “Heavy Lifting 2018” colocam as mulheres na frente e no centro, o que é algo importante para nós.

F: Na era dos influenciadores, quem o senhor gostaria de ver vestido de Suitsupply no tapete vermelho?

FJ: Seria divertido vestir alguém como Elon Musk! Ele é um pouco irreverente e incorpora nosso mantra.

Veja na galeria abaixo, imagens da campanha Religion da Suitsupply:

  • A campanha baseia-se nas maiores comunidades religiosas do mundo.

  • Segundo Fokke de Jong, os clientes se sentiram acolhidos e representados pela coleção.

  • A campanha foi filmada em Nova York em reais locais de culto.

  • A marca celebra diversidade e prega inclusão e tolerância.

A campanha baseia-se nas maiores comunidades religiosas do mundo.

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