Farnborough Airshow já registra pedidos de US$ 20 bi

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A fabricante europeia Airbus e a rival norte-americana Boeing têm desfrutado de quase uma década de crescimento

Fabricantes de aeronaves anunciaram hoje (16) mais de US$ 20 bilhões em negócios no primeiro dia do Farnborough Airshow, sugerindo que a demanda por novos jatos de passageiros continua saudável, apesar das preocupações com as tensões comerciais e do Brexit.

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Os pedidos foram fechados enquanto o Reino Unido tenta convencer a cética indústria aeroespacial sobre seus planos de deixar a União Europeia, dizendo que as cadeias de fornecimento continuarão a funcionar tranquilamente e prometendo dinheiro para um novo programa de caça militar.

A fabricante europeia Airbus e a rival norte-americana Boeing têm desfrutado de quase uma década de crescimento, graças ao avanço em mercados emergentes e a uma necessidade entre as companhias aéreas ocidentais de atualizar suas frotas.

Os preços mais altos do petróleo, o aumento das taxas de juros, as tensões comerciais globais e a incerteza sobre o Brexit levantaram preocupações de que a demanda pode desacelerar.

Mas os negócios foram anunciados rapidamente no primeiro dia do show aéreo, de 16 a 22 de julho, embora os analistas observem de perto quantos contratos são novos e quantos envolvem o ajuste de modelos anteriores de negócios ou de comutação – algo nem sempre fácil de identificar no início.

Mesmo antes de as primeiras exibições terem sido iniciadas nos céus do sul da Inglaterra, a Boeing disse que a empresa de entrega DHL, parte do Deutsche Post DHL Group, fez um pedido US$ 4,7 bilhões por 14 cargueiros 777 e direitos de compra de sete cargueiros adicionais.

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A encomenda foi seguida de um acordo de US$ 3,5 bilhões para 30 aeronaves 737 MAX 8 de corredor único para a empresa norte-americana de leasing de aviões Jackson Square Aviation, enquanto a Qatar Airways finalizava um pedido de cinco cargueiros 777.

Enquanto isso, a Airbus anunciou um memorando de entendimento com a startup de Taiwan StarLux Airlines para a venda de 17 de seus aviões de grande porte A350 no valor de cerca de US$ 6 bilhões a preços de tabela, e outro memorando com uma empresa de locação não identificada para 80 jatos A320neo de corredor único no valor de US$ 8,8 bilhões.

A Embraer, por sua vez, recebeu um pedido firme da companhia aérea norte-americana United Airlines para 25 jatos E175, no valor de US$ 1,1 bilhão com base no preço atual de lista.

O Farnborough Airshow é o maior evento do setor neste ano. Alterna com o Paris Airshow e, coletivamente, os dois eventos respondem por mais de um quarto dos pedidos da indústria a cada ano.

BREXIT

Abrindo o evento a sudoeste de Londres, a primeira-ministra britânica, Theresa May, procurou assegurar aos executivos da aviação de que seu plano para o Brexit não vai atrapalhar suas cadeias de abastecimento. “Vamos retomar o controle de nossas fronteiras, nossas leis e nosso dinheiro. Mas faremos isso de uma maneira que seja boa para os negócios e boa para nossa prosperidade futura”, disse ela.

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As empresas estão ficando cada vez mais frustradas com a falta de clareza sobre as futuras relações comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia menos de nove meses antes do dia do Brexit em 29 de março de 2019.

A Airbus, que emprega cerca de 15 mil pessoas no Reino Unido, alertou no início do mês que a possível saída do Reino Unido da UE sem um acordo – o chamado “Brexit” – poderia resultar na paralisação das fábricas.

Também no airshow, o ministro da Defesa do Reino Unido, Gavin Williamson, revelou um modelo de um novo jato de combate chamado “Tempest” que o país planeja construir.

Ele anunciou £ 2 bilhões (US$ 2,7 bilhões) de financiamento para o projeto até 2025 e disse estar procurando outros países para se unir à iniciativa, com um alto funcionário da Royal Air Force dizendo que a Suécia era o parceiro mais provável.

O projeto enfrenta a concorrência de um rival europeu, depois que a França anunciou em junho que assumiria um papel de liderança em um novo programa de caça, dizendo que iria começar como um esforço bilateral com a Alemanha, que poderia ser expandido posteriormente.

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Do lado civil, o show aéreo deve confirmar a demanda por jatos de corredor único de companhias aéreas como a mexicana VivaAerobus.

Mas tanto a Airbus quanto a Boeing estão sob pressão para aumentar os pedidos de alguns de seus jatos de corredor duplo devido a uma recente desaceleração nessa parte do mercado. Uma exceção é o Boeing 787, após um esforço de vários anos para acabar com os atrasos e os custos excedentes.

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