Fusões e aquisições de empresas no Brasil devem desacelerar

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Investidores evitam assumir riscos devido à volatilidade do mercado antes da eleição presidencial

Executivos de bancos esperam que a geração de novos negócios com a compra e venda de empresas no Brasil encolha nos próximos meses, à medida que investidores evitam assumir riscos devido à volatilidade do mercado antes da eleição presidencial de outubro e dúvidas sobre a recuperação econômica.

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O volume financeiro de fusões e aquisições anunciadas no primeiro semestre caiu 26% ante mesmo período de 2017, segundo dados da Thomson Reuters, para US$ 26,3 bilhões.

A menos de três meses da eleição, o cenário continua indefinido, com mais de um terço dos eleitores indecisos ou com intenções de anular o voto. Os candidatos líderes têm sido até agora vagos sobre suas propostas econômicas, levantando dúvidas sobre a possibilidade do próximo governo prosseguir com reformas econômicas propostas pelo impopular presidente Michel Temer.

Excluindo o maior negócio do ano passado, a conversão de US$ 21 bilhões das ações da Vale numa única classe de ações, a atividade de fusões cresceu 84%.

“A volatilidade do mercado na maior parte do primeiro semestre não foi tão alta como agora, por isso não impactou muito o nível de atividade”, disse Alessandro Zema, diretor de banco de investimento do Morgan Stanley no Brasil.

As maiores transações deste ano, como a compra da fabricante de celulose Fibria pela rival Suzano e a aquisição da empresa de educação Somos pela Kroton evidenciarem a busca da consolidação para reduzir custos em diferentes segmentos, acrescentou Zema.

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Outros negócios evidenciam a expansão de empresas brasileiras em países vizinhos depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aumentou o rigor na análise de negócios e bloqueou aquisições em áreas como educação e petróleo e gás.

A Raízen, joint-venture entre Cosan e Shell, adquiriu as operações de distribuição da Shell na Argentina, incluindo uma rede de postos de gasolina e uma refinaria, por US$ 1 bilhão.

O Itaú Unibanco liderou o ranking de assessores financeiros das operações, quando consideradas apenas aquelas que tiveram empresas brasileiras como alvos; O Morgan Stanley, que assessorou o acordo com a Raízen, lidera se qualquer envolvimento de empresa brasileira for considerado.

Os fundos de private equity desaceleraram seus investimentos neste ano, já que a volatilidade no mercado de câmbio diminuiu as chances de obterem alto retorno em dólares em novos investimentos.

Segundo dados da Anbima, o número de fusões e aquisições envolvendo fundos de private equity caiu no primeiro trimestre do ano para cerca de 3%, muito abaixo dos 15% ao longo do ano passado.

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“É muito mais difícil prever retornos de investimentos quando a taxa de câmbio é tão volátil”, disse o diretor de fusões e aquisições do Itaú BBA, Eduardo Guimarães.

O membro do conselho do Abvcap, que representa as empresas de aquisições, Mario Malta, disse que a volatilidade também está reduzindo as ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), que são a estratégia de saída mais comum dos fundos. Como resultado, os fundos têm cerca de R$ 28 bilhões em dinheiro disponível para aplicações.

A única grande transação anunciada no último trimestre por um fundo de private equity foi a da unidade brasileira do Walmart pela Advent. Embora a Advent não tenha pago ao Walmart, ela se comprometeu com milhões de dólares em investimentos nos supermercados brasileiros da rede norte-americana.

Os especialistas esperam que outros grandes negócios, como a aquisição da petroquímica Braskem pela LyondellBasell, sejam concluídas neste ano.

“Alguns dos maiores negócios estão progredindo bem, vemos um efeito maior da volatilidade no valor do acordo global no ano que vem”, disse Bruno Amaral, diretor de fusões do BTG Pactual, líder em número de negócios na primeira metade do ano.

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