Campbell Soup vai se desfazer de unidades

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O conselho da Campbell manteve viva a possibilidade de uma venda completa, dizendo que “permanece aberta e comprometida com a avaliação de todas as opções estratégicas para aumentar o valor no futuro”.

A Campbell Soup anunciou hoje (30) que planeja vender suas unidades internacional e de alimentos frescos refrigerados e deixou em aberto a possibilidade de colocar toda a empresa à venda, seguindo uma revisão de meses e a pressão dos investidores de fundos de hedge para que seja vendida.

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Não está claro se o plano vai apaziguar o investidor ativista Dan Loeb, cujo fundo de hedge Third Point anunciou, em 9 de agosto, deter uma participação de 5,65% na companhia e imediatamente defendeu a venda de toda a empresa para um concorrente. O Third Point não respondeu aos pedidos de entrevistas feitos hoje.

Se não for atendido, Loeb poderia escalar seu ataque para nomear uma chapa de diretores nas próximas semanas para ser votada na reunião anual da Campbell no final deste ano, disseram fontes familiarizadas com o assunto à Reuters nesta semana.

O conselho da Campbell manteve viva a possibilidade de uma venda completa, dizendo que “permanece aberta e comprometida com a avaliação de todas as opções estratégicas para aumentar o valor no futuro”.

No entanto, o presidente-executivo interno, Keith McLoughlin, minimizou a perspectiva de uma venda de toda a empresa. “Não quero exagerar, porque estamos absolutamente comprometidos com a execução desse plano”, disse ele hoje à Reuters em entrevista. “O conselho concluiu que este plano atual é o melhor para maximizar o valor”, acrescentou.

As ações da Campbell, que tem um valor de mercado de cerca de US$ 12 bilhões, caíram cerca de 2,2% no início dos negócios hoje.

Juntamente com os resultados de sua revisão, Campbell também previu lucro por ação para o ano fiscal de 2019 abaixo da estimativa média de Wall Street.

A empresa de 149 anos, que revolucionou a indústria de comida caseira com as sopas fáceis de preparar e técnicas de produção de baixo custo, tem lutado para atrair os jovens consumidores para as famosas sopas, biscoitos Pepperidge Farm e outros alimentos e bebidas.

Sua última incursão em alimentos frescos falhou, enquanto a dívida e os custos aumentaram. Suas ações caíram em um terço nos últimos dois anos.

A Campbell disse que usaria os recursos das vendas da unidade para reduzir sua dívida e aumentou sua meta de economia de custos em US$ 150 milhões, para US$ 945 milhões até o final do ano fiscal de 2022.

NOVA ESTRATÉGIA

A venda dos negócios internacional e de alimentos frescos marca uma mudança em relação à estratégia da ex-presidente-executiva Denise Morrison, que queria que a Campbell tivesse um portfólio diversificado com foco em saúde e bem-estar.

Denise deixou o comando da empresa abruptamente em maio depois de uma série de resultados ruins. No mesmo dia, a empresa anunciou uma revisão abrangente de seu portfólio e o membro do conselho Keith McLoughlin foi nomeado presidente interino.

As vendas das unidades podem tornar a Campbell um alvo de aquisição mais atraente, pois volta suas atenções para seus principais negócios de sopa e salgadinhos, os pilares da empresa.

As duas empresas colocadas à venda atualmente geram cerca de US$ 2,1 bilhões em vendas anuais, cerca de um quarto da receita total da Campbell.

A Campbell International inclui a marca de biscoitos australianos Arnott’s e Kelsen Group, juntamente com as operações de produção na Indonésia e Malásia e negócios em Hong Kong e no Japão. A Campbell Fresh inclui a Bolthouse Farms, a Garden Fresh Gourmet e o negócio de sopas refrigeradas da empresa.

A companhia contratou o Goldman Sachs Group e a Centerview Partners para vender as unidades.

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