Dólar segue exterior e cai com correção

O dólar recuou 0,45%, a R$ 4,1044 na venda, acumulando na semana valorização de 4,85%, maior ganho semanal desde novembro de 2016.

O dólar finalmente rompeu uma sequência de sete altas consecutivas e terminou o dia (24) em queda, mas ainda no patamar de R$ 4,10, em um movimento de correção favorecido pelo humor favorável no mercado externo mas que somente não foi maior pela cautela na seara eleitoral local.

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O dólar recuou 0,45%, a R$ 4,1044 na venda, acumulando na semana valorização de 4,85%, maior ganho semanal desde novembro de 2016. O dólar futuro recuava cerca de 0,25% no final da tarde.

“Powell não trouxe nenhuma surpresa… frisou o gradualismo”, afirmou o operador da H.Commcor Corretora Cleber Alessie Machado.

Ele referia-se ao discurso do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, pelo qual afirmou que aumentos constantes da taxa de juros pelo banco central norte-americano são a melhor maneira de proteger a recuperação econômica dos Estados Unidos e manter o crescimento do mercado de trabalho o mais forte possível e a inflação sob controle.

Endossando a postura de política monetária do Fed poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter criticado as altas de juros, Powell usou o simpósio anual de Jackson Hole para “explicar hoje porque meus colegas e eu acreditamos que esse processo gradual… continua apropriado”.

Trump, em entrevista recente à Reuters, disse que não estava “animado” com Powell por causa dos aumentos de juros e que o Fed deveria ser mais expansionista e ajudar na atividade econômica.

O Fed já subiu os juros duas vezes neste ano e o mercado acredita que outras duas altas virão ainda, dentro do cenário de movimento gradual ressaltado pela própria autoridade monetária em meio à força que a maior economia vem mostrando e ações do governo para impulsioná-la ainda mais.

No exterior, o dólar recuava ante uma cesta de moedas e também caía ante divisas de países emergentes, entre elas o peso mexicano.

A moeda norte-americana, entretanto, terminou bem longe da mínima do pregão brasileiro, quando superou 1% de desvalorização, a R$ 4,0723.

“A torcida do mercado continua pesando a favor do Alckmin. Isso quer dizer que ainda tem espaço para o dólar piorar”, afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, ao justificar que muitos investidores foram às compras durante a tarde para se proteger no final de semana.

Nos últimos sete pregões, o dólar havia acumulado elevação de 6,62% e ido a R$ 4,12 depois que pesquisas de intenção de votos mostrarem que o candidato preferido do mercado, Geraldo Alckmin (PSDB), seguia sem ganhar tração e com avaliações de que o PT poderia ir para o segundo turno.

Nesta manhã, saiu nova rodada de pesquisa semanal da corretora XP Investimentos, mas mostrou poucas mudanças na preferência do eleitorado, com oscilações dentro da margem de erro e o candidato Jair Bolsonaro (PSL) mantendo a liderança na disputa em cenário sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no páreo.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 4,32 bilhões do total de US$ 5,255 bilhões que vence em setembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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