Dólar sobe 1% e volta a R$ 3,80

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Moeda foi influenciada pelo cenário externo e pela política local

O dólar encerrou em alta de 1% e retomou o patamar de R$ 3,80 diante de um ambiente de maior cautela com a cena eleitoral local e os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros.

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A moeda norte-americana avançou 1%, a R$ 3,8034 na venda, maior nível desde 19 de julho, quando terminou em R$ 3,8448. Na máxima, foi a R$ 3,8225. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,80%.

“O Brasil está entrando em um momento ímpar e parece que os players do mercado em seus diversos segmentos estão em um ‘corner’, diante de tantas incertezas e dúvidas no noticiário diariamente”, disse o economista Sidnei Nehme, sócio da NGO Corretora, em comunicado para clientes.

As informações sobre a corrida eleitoral ganham ainda mais importância diante das perspectivas para a atividade econômica e para as contas públicas que hoje se mostram mais desafiadores do que no passado recente, completou Nehme. “Com mais de 30% dos eleitores com votos brancos e nulos, e os indecisos, o evento é visto como uma grande oportunidade para candidatos melhorarem seu desempenho”, escreveu a corretora XP Investimentos em nota, referindo-se ao primeiro debate entre os candidatos à Presidência na noite de hoje (9), na TV Band.

O mercado tem se mostrado bastante sensível à corrida eleitoral, com candidatos que considera mais voltados a reformas e ajustes fiscais sem ganhar tração na preferência do eleitorado, com destaque para Geraldo Alckmin (PSDB).

Em duas recentes pesquisas realizadas apenas no Estado de São Paulo, o tucano e ex-governador paulista aparece em empate técnico com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

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O mercado também não gostou da notícia de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram na véspera aumento de 16,38% em seus salários a partir de 2019, encaminhando a proposta ao Ministério do Planejamento, o que deverá gerar efeito cascata em todo o Judiciário.

Se confirmada, a proposta implicará em gasto adicional total de R$ 4 bilhões em 2019, a ser incorporado como despesa de pessoal, de execução obrigatória, segundo cálculos das consultorias de Orçamento da Câmara dos Deputados e do Senado informados hoje à Reuters.

Segundo o levantamento, a União será impactada em R$ 1,4 bilhão e os Estados em R$ 2,6 bilhões, caso a elevação seja aprovada pelo Congresso Nacional. A meta de déficit primário do próximo ano é de R$ 139 bilhões.

“Aparentemente, os poderes não intuíram a gravidade da situação fiscal brasileira”, afirmou o economista-chefe do Home Broker ModalMais, Alvaro Bandeira.

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No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas e também sobre a maioria das divisas de países emergentes, diante da percepção de que a intensificação na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China afetaria mais as economias voltadas para a exportação.

O dólar disparava ante a lira, diante de preocupações de que a Turquia estaria iniciando uma ampla crise econômica, e subia forte ante o rublo, depois de novas sanções dos EUA.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 1,68 bilhão do total de US$ 5,255 bilhões que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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