Dólar sobe 1,5%, encosta em R$ 4,15

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A moeda até chegou a cair ante o real no início dos negócios, mas o movimento não se sustentou diante da apreensão eleitoral

Após dois pregões em baixa, o dólar voltou a fechar com forte elevação hoje (28), superior a 1% e perto dos R$ 4,15, no segundo maior valor do Plano Real, com a cautela diante das incertezas com o cenário eleitoral doméstico se sobrepondo ao ambiente externo mais tranquilo.

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A moeda avançou 1,48%, a R$ 4,1414 na venda, abaixo apenas dos R$ 4,1655 de 21 de janeiro de 2016, o maior valor registrado no Plano Real. Na máxima, a moeda encostou em R$ 4,15, a R$ 4,1479. O dólar futuro tinha elevação de cerca de 1,4%.

“Há muita coisa pela frente”, justificou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, referindo-se às eleições.

A moeda até chegou a cair ante o real no início dos negócios, indo à mínima de R$ 4,0623, em sintonia com o mercado externo. Mas o movimento não se sustentou diante da apreensão eleitoral.

Na véspera, o Supremo Tribunal Federal (STF) informou que analisará em julgamento virtual em setembro um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra uma decisão do plenário da corte que negou habeas corpus ao petista no início de abril.

Teve início hoje o julgamento, pela primeira turma do STF, de denúncia que pode tornar o candidato Jair Bolsonaro (PSL) réu por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados. Ainda não havia terminado até o mercado cambial fechar.

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Embora não haja qualquer tipo de impedimento à candidatura de Bolsonaro à Presidência caso se torne réu, a situação amplia a cautela dos investidores devido a um cenário de insegurança jurídica.

Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto no cenário em que Lula não está na disputa, também seguirá no foco uma vez que dará entrevista ao Jornal Nacional, um dia depois de Ciro Gomes (PDT) ter inaugurado o ciclo de conversas.

No exterior, o dólar tinha leve queda ante a cesta de moedas após o pacto entre EUA e México para reformular o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). Mas passou a subir ante as divisas de países emergentes, depois de operar em baixa em grande parte da sessão, contribuindo para pressionar o dólar ante o real.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 4,8 bilhões do total de US$ 5,255 bilhões que vence em setembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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