Facebook remove contas no Brasil por venda de engajamento

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As pessoas envolvidas na compra e venda de engajamento aparentemente são jovens

O Facebook disse hoje (15) que removeu páginas e contas de suas plataformas no Brasil por falsamente amplificarem o engajamento na rede social por meio da compra e venda de reações, seguidores e páginas.

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A rede social removeu 72 grupos, 50 contas e cinco páginas por violarem as políticas de autenticidade e de comunidade da plataforma. Outras 51 contas do Instagram também foram removidas, por vínculo com as atividades que o Facebook caracterizou como “comportamento inautêntico coordenado”.

“Nossa investigação descobriu que uma entidade identificada como PCSD, baseada no Brasil, usou uma rede de grupos, contas e páginas onde as pessoas podiam comprar e vender reações, seguidores e páginas, violando repetidas vezes nossos padrões de comunidade”, disse a empresa em comunicado.

O movimento é resultado de investigações conduzidas pelo Digital Forensic Research Lab sobre atividades de falsa amplificação de páginas políticas nas últimas eleições mexicanas. O laboratório norte-americano, que pertence ao Atlantic Council, está trabalhando em parceria com a rede social para combater campanhas de desinformação.

Embora as atividades investigadas no México tenham fundo político, até o momento não há indícios de que o PCSD tenha motivações partidárias ou relação com o grupo ativista de direita Movimento Brasil Livre (MBL).

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No final de julho, o Facebook removeu 196 páginas e 87 contas administradas por membros do MBL, citando participação em uma rede coordenada com o objetivo de espalhar desinformação.

Entretanto, em seu relatório o Digital Forensic Research Lab entende que o esquema para influência eleitoral no México foi coordenado por brasileiros, e que, portanto, as atividades com motivações políticas podem ser reproduzidas durante as eleições no Brasil.

RELATÓRIO FORENSE

Segundo o relatório divulgado no site do laboratório, as pessoas envolvidas na compra e venda de engajamento aparentemente são jovens em idade escolar e universitária e muitas das contas foram criadas em setembro de 2017.

A discrepância entre o número de postagens de uma conta no Instagram e seu número de seguidores, e a grande quantidade de seguidores asiáticos em páginas do Facebook foram alguns dos indícios que apontaram para uma rede de engajamento artificialmente amplificado, segundo a publicação.

Por meio de conversações entre usuários e fotos de boletos, os pesquisadores também conseguiram comprovar os pagamentos em troca de engajamento. Uma página com 121 mil curtidas foi vendida por R$ 300, enquanto 10 mil curtidas para uma página foram compradas por US$ 60.

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