WEG entra no segmento de baterias de grande porte

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Empresa está de olho em um mercado com significativo potencial para aplicações em vários países

A WEG anunciou hoje (2) a entrada no segmento de sistemas de baterias de grande porte para empresas de energia elétrica, no qual obteve um primeiro contrato junto a uma distribuidora de eletricidade nos Estados Unidos, de olho em um mercado com significativo potencial para aplicações em vários países, inclusive no Brasil.

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A companhia, maior fabricante de motores elétricos do Brasil, acertou parceria com a norte-americana Northern Power para a entrega de um conjunto de armazenamento de energia em baterias de lítio que serão operadas pela Viridity Energy Solutions, dos Estados Unidos.

O sistema será usado pela distribuidora norte-americana Vermont Electric Cooperative para aprimorar a gestão da infraestrutura da companhia em momentos como horários de pico.

“É uma área nova para a WEG. O projeto nos EUA vai ser referência importante para clientes e vai abrir portas para nós, trazer know how para fazermos isso no Brasil e em outros países”, disse João Paulo Gualberto da Silva, diretor de novas energias da fabricante brasileira.

Segundo Silva, a WEG já produz soluções de armazenamento de energia, mas são produtos de porte menor, voltados a aplicações como manter o funcionamento de estações rádio-base de operadoras de telefonia celular durante apagões. O sistema vendido à Viridity é muito maior.

“Apenas as baterias são do tamanho de dois a três contêineres e os inversores são mais dois contêineres”, disse o executivo. “Ele poderá abastecer 2.100 casas ao mesmo tempo durante 1 minuto.”

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A Vermont Electric, que contratou o banco de baterias, deverá se beneficiar com menores riscos de blecautes na rede atendida pelo sistema. Ela ainda poderá receber energia extra dos equipamentos justamente em momentos em que a eletricidade está mais cara, nos horários de pico, o que reduz custos, disse Silva.

Ele comentou que as baterias do sistema são produzidas pela Samsung e importadas da Coreia do Sul, enquanto os equipamentos para a operação serão produzidos por uma unidade da WEG nos EUA em parceria com a Northern Power. O software de gerenciamento de carga e descarga das baterias é proprietário da Viridity Energy, uma subsidiária da israelense Ormat Technologies, cliente da WEG.

“As baterias estão ficando cada vez mais densas e tem havido evoluções nessa área provocadas pelo carros elétricos. E, com isso, as baterias ficaram mais baratas… Isso permite que as distribuidoras possam avançar em projetos de armazenamento de energia de fontes intermitentes como solar ou eólica”, adicionou Silva.

Ele explicou que outra vantagem da tecnologia é permitir a instalação de bancos de energia mais próximos de grandes consumidores, o que ajuda no planejamento das redes das distribuidoras.

Segundo o executivo, a WEG tem condições de produzir o sistema no Brasil, com exceção das baterias e do software de gerenciamento, algo que a empresa pode suprir por meio de aquisições ou parcerias.

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No caso do sistema fornecido nos EUA, o contrato está na casa dos milhões de dólares e o conjunto tem potência instalada de 1,9 megawatt, com capacidade de armazenamento de energia de até 5,3 MWh. A previsão de entrada em operação é em junho de 2019.

No Brasil, a WEG tem sido atualmente consultada por distribuidoras como Copel, CPFL e Celesc para um projeto de pesquisa e desenvolvimento sobre armazenamento de energia promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), disse Silva.

Ele comentou, no entanto, que o novo negócio não deve ser uma fonte relevante imediata de receitas para a WEG. “Estou esperançoso de que poderemos fazer os primeiros negócios [no Brasil] ainda este ano, por causa do projeto de P&D da Aneel. Mas não será relevante do ponto de vista de receita, serão experimentais… É um mercado que não existe ainda no Brasil e nos EUA começou há cerca de um ano.”

No Brasil, a Eletropaulo chegou a estudar ainda neste ano um projeto de instalação de baterias em São Paulo que poderia envolver cerca de R$ 30 milhões, mas a distribuidora posteriormente avaliou que a instalação não seria economicamente viável no momento.

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