Dólar tem alta e fecha a R$ 4,14

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Investidores preferem candidatos mais comprometidos com o ajuste das contas públicas

O dólar encerrou hoje (18) em alta ante o real, com alguma correção após o forte recuo da véspera, enquanto investidores aguardavam pesquisa eleitoral do Ibope à noite, mas sem tirar o exterior do foco, onde os EUA anunciaram que vão adotar tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.

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A moeda norte-americana avançou 0,41%, a R$ 4,1422 na venda, depois de fechar ontem (17) com queda de 1%, a R$ 4,1252. O dólar futuro rondava a estabilidade.

“O mercado já vê com bons olhos um segundo turno entre Bolsonaro e PT, porque há grandes chances do deputado vencer”, comentou o operador Jefferson Laatus, sócio da LAATUS Educacional, ponderando, entretanto, que o movimento da véspera foi um pouco exagerado “e o mercado tentava corrigir um pouco nesta sessão”.

Ontem, o dólar recuou ante o real após pesquisa CNT/MDA mostrar o fortalecimento de Bolsonaro no segundo turno.

Investidores preferem candidatos mais comprometidos com o ajuste das contas públicas e sua primeira opção é o tucano Geraldo Alckmin. Mas como ele não tem conseguido avançar nas pesquisas, o mercado já tem aceitado Bolsonaro como alternativa a candidatos com perfil mais à esquerda.

“Ciro Gomes não está morto ainda [na disputa] e o risco de no segundo turno ter um [candidato com viés] de esquerda que não seja o PT existe”, acrescentou Lattus, ao ponderar que, neste cenário, Ciro, candidato do PDT, é mais forte para derrubar Bolsonaro.

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Além da pesquisa Ibope prevista para a noite de hoje, a semana ainda inclui levantamentos Datafolha, na quinta-feira, e XP/Ipespe, na sexta.

“Dada a polarização [das eleições], espero muita abstenção, assim como um resultado apertado… Isso significa que o apoio político do vencedor será muito pequeno, com 1/3 das pessoas contra ele [devido à ruptura ideológica] e 1/3 à espera de um alívio econômico que pode não vir como esperado”, ponderou o diretor de tesouraria de um banco estrangeiro ao citar os números ainda embolados na disputa eleitoral.

Enquanto novos números não vêm, o cenário externo foi monitorado, após os Estados Unidos elevarem as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos da China a partir de 24 de setembro, de 10%.

As medidas, entretanto, já eram esperadas e, desta forma, as moedas de países emergentes, em sua maioria, se fortaleceram ante o dólar e contiveram uma correção maior por aqui.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 5,995 bilhões do total de US$ 9,801 bilhões que vencem em outubro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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