Ex-CEO da VW se omitiu em escândalo das emissões

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Segundo juiz, Martin Winterkorn demorou a tomar decisões no caso

O ex-presidente-executivo da Volkswagen, Martin Winterkorn, demorou a tomar medidas contra fraudes nos testes de emissões de poluentes que levaram a multas dos Estados Unidos, disse hoje (11) um juiz alemão.

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A questão de quem sabia o que e quando será vital para determinar o resultado da ação na qual investidores reivindicam, em tribunal na Alemanha, € 9,2 bilhões por perdas sofridas quando o escândalo se tornou público.

Separadamente, um grupo de defesa do consumidor disse que entrará com uma ação coletiva amanhã (12) contra a montadora por causa da manipulação do software de emissões, buscando indenização para até 2 milhões de donos de modelos a diesel afetados pela fraude.

Os queixosos no primeiro caso dizem que a Volkswagen falhou no dever de informá-los sobre o impacto financeiro do escândalo, que irrompeu quando a Agência de Proteção Ambiental dos EUA emitiu uma notificação de violação em 18 de setembro de 2015.

O juiz Christian Jaede disse que Winterkorn demorou a tomar medidas após uma reunião de diretoria, dois meses antes, ter discutido como lidar com os reguladores norte-americanos, que ameaçavam proibir a montadora devido a níveis excessivos de poluição. Os queixosos dizem que, a partir deste momento, Winterkorn estava ciente da fraude.

“Qualquer um que agisse de boa fé teria dado sequência a essa informação”, disse Jaede no segundo dia de audiências sobre o caso no tribunal regional superior de Braunschweig. “Mas isso parece não ter acontecido.”

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Não ficou claro, o juiz acrescentou, por que a empresa não divulgou uma declaração depois de estabelecer que o software foi manipulado para burlar os testes de emissões de poluentes. Ele também disse que era razoável considerar que Winterkorn sabia sobre as fraudes muito antes.

Mas Thomas Liebscher, advogado da VW, disse ser injusto supor que o executivo soubesse como o software funcionava.

Winterkorn renunciou dias após o escândalo ser revelado. Ele disse a legisladores alemães no início de 2017 que não sabia de nada sobre a fraude antes de a montadora admitir oficialmente a violação. Seu advogado não estava imediatamente disponível para comentar.

O homem de 71 anos enfrenta acusações criminais dos EUA por conspirar para encobrir o escândalo do “dieselgate”. A VW também disse que pode pedir indenização dele.

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