Versace já é de Michael Kors, em negócio de US$ 2 bi

Getty Images
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O grupo de moda americano Michael Kors anunciou hoje (25) a compra da grife Versace, negócio antecipado ontem pelo jornal italiano “Corriere della Sera”. O negócio, que valoriza a Gianni Versace SpA em US$ 2,1 bilhões, coloca os dois pés do estilista, mais conhecido por sua linha de bolsas de luxo acessíveis e pela participação como jurado do reality de moda “Project Runway”, no mercado de luxo. No ano passado, Kors deu o primeiro passo nesse mercado, com a aquisição da grife de sapatos inglesa Jimmy Choo for US$ 1,2 bilhão.

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No tabuleiro da indústria da moda de luxo, hoje dominado por conglomerados europeus como os franceses LVMH, do qual fazem parte a Louis Vuitton, a Fendi e a Givenchy, e Kering, dono da Gucci, Balenciaga e Saint Laurent, o movimento coloca Michael Kors lado a lado com a rival Tapestry, a proprietária da Coach, que nos últimos anos adquiriu a marca de bolsas Kate Spade e a Stuart Weitzman. Os Estados Unidos ainda não tem um conglomerado que se compare à LVMH ou Kering em termos de escala e recursos, mas ele pode estar para surgir. Foi uma jogada e tanto, que dará a Kors acesso ao tapete vermelho dos principais eventos do mundo e será marcada pela troca de nome do grupo americano. A empresa passará a se chamar Capri Holdings.

Por outro lado, Michael Kors vai às compras para compensar as perdas nas últimas vendas. Apostar em descontos em massa prejudicou a imagem da marca americana. A Versace chega para reabilitar a credibilidade da companhia no mercado de luxo.

O clã Versace

Uma das mais glamourosas grifes do mundo, a Versace, que se destaca pelo design ousado ​​e pelo logotipo da Medusa, faz parte de um grupo de marcas italianas de propriedade familiar citadas como alvos atraentes em uma época em que a indústria de luxo tem uma alta demanda por parte da China.

Ícone da moda italiana, a grife passou a integrar uma lista de ativos disponíveis no mercado da moda desde que o grupo de private equity Blackstone comprou uma participação de 20% em 2014 para financiar sua expansão no exterior. Depois de investir na Versace, a Blackstone achou o retorno insuficiente para justificar um novo aporte. O grupo financeiro, então, se dedicou a persuadir a família a vender a marca, e apresentou ao clã uma série de compradores, entre eles Michael Kors.

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Apesar do acordo com o Blackstone, a família Versace seguia no comando da marca, da qual era sócia majoritária. Os últimos dozes meses foram importantes para a marca italiana, que teve um tributo publicado no Instagram em setembro de 2017, durante a Semana de Moda de Milão, a partir da coleção do programa criativo de Donatella Versace. O tributo marcou os dez anos da morte de Gianni Versace, irmão de Donatella, assassinado em um crime que já virou programa de TV. A empresária assumiu os negócios depois da morte do irmão, a grande mente criativa da família. Ela se saiu bem e foi homenageada com o prêmio internacional pela CFDA.

Recentemente, a Versace anunciou que deixaria de trabalhar com peles de animais, decisão tomada também por Kors, que assim reforça sua sustentabilidade em um mercado que valoriza o ativo.

 

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