Crise argentina afeta exportações de veículos do Brasil

Reuters
Com a queda nas exportações, a produção de veículos no Brasil caiu 23,5% em setembro

O Brasil deve amargar uma redução de 8,6% nas exportações de veículos neste ano por conta da crise na Argentina, previu hoje (4) a entidade representativa das montadoras brasileiras.

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A previsão é que o Brasil exporte este ano 700 mil veículos, ante estimativa no início do ano de embarques de mais de 800 mil unidades, disse hoje (4) a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Várias de nossas empresas estão ajustando suas produções para a nova realidade das exportações, que é muito menor do que estávamos esperando no começo do ano”, disse o presidente da Anfavea, Antonio Megale, a jornalistas após divulgar dados do setor para o mês de setembro.

“A Argentina representa 70% de nossas exportações e no mês passado a Argentina foi responsável por 50%. Esperamos que as medidas que o governo de lá está tomando permitam à Argentina equacionar as suas dificuldades. Isso é muito importante para nós no Brasil”, acrescentou.

No acumulado do ano, as exportações de veículos do Brasil para a Argentina somam 363,1 mil unidades de um volume total vendido ao mercado externo de 524,3 mil. Um ano antes, as exportações acumuladas para a Argentina nos nove primeiros meses do ano tinham sido de 395,2 mil veículos.

O executivo afirmou ainda que, além da Argentina, o México reduziu muito as importações do Brasil. “Estamos com queda acumulada neste ano de 50% ante o mesmo período do ano passado.” Também no acumulado do ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para o México somaram 34,9 mil unidades ante volume de 69,3 mil vendido no mesmo período de 2017.

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Com a queda nas exportações, a produção de veículos no Brasil caiu 23,5% em setembro ante agosto, para 223,1 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados divulgados hoje (4) pela Anfavea.

Megale comentou que apesar dos ajustes de produção feitos pelas montadoras em um ambiente de demanda menor que a esperada no início do ano o nível de emprego no setor não está ameaçado “de maneira nenhuma”. A indústria automotiva encerrou setembro com 132.480 postos ocupados, um crescimento de 3,6% na relação anual.

Segundo o presidente da Anfavea, as montadoras estão tentando redirecionar produção para outros destinos, que incluem outros mercados na América do Sul, como Chile, Colômbia e Peru. As exportações de veículos e máquinas agrícolas em setembro somaram US$ 990 milhões, queda de 23,6% ante agosto e de 28,6% sobre um ano antes.

Na comparação com setembro de 2017, a produção teve queda de 6,3%. Com o resultado, no acumulado de janeiro a setembro, o volume produzido alcançou 2,19 milhões de unidades, 10,5% acima do total montado no mesmo período do ano passado.

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Os licenciamentos de veículos novos no mês passado caíram 14,2% ante agosto e avançaram 7,1% na comparação anual, para 213,3 mil unidades, segundo os dados da entidade. As vendas nos nove primeiros meses do ano somaram 1,85 milhão de veículos, 14% a mais que o registrado um ano antes.

PESADOS

O destaque das vendas no mercado interno segue sendo o mercado de veículos pesados. As vendas de caminhões em setembro subiram 47,7% na comparação anual, para 6,7 mil unidades, enquanto as de ônibus dispararam 73% frente a números fracos do ano passado.

“Poderíamos estar crescendo mais. Algumas condições econômicas, como financiamento, já permitem isso”, disse Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea sobre o segmento de caminhões.

Questionado se o movimento nas vendas de caminhões é um desdobramento da introdução da tabela de fretes rodoviários, Saltini afirmou que trata-se mais de estratégia de renovação de frotas uma vez que empresas geradoras de carga seguem fazendo consultas sobre aquisições de veículos próprios, mas não estão fechando negócios. “Há muitas consultas, muitas empresas pesquisando preços, mas ainda não houve negócios.”

Sobre o cenário eleitoral, o presidente da Anfavea afirmou que a entidade espera que o ritmo de recuperação da economia “se mantenha para o ano que vem”.

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“Entendemos que não vamos ter uma mudança radical no começo. Estamos vendo que, qualquer que seja o candidato eleito, eles entendem que é preciso fazer ajustes na economia. O nível de otimismo na economia vai depender da velocidade com que as reformas forem implementadas”, disse Megale.

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