Indústria nacional cai pelo 2º mês seguido em agosto

Ricardo Moraes/Reuters
Refinaria em Barcarena, no Pará

A indústria brasileira foi pressionada em agosto pelos bens intermediários e registrou uma nova contração, em meio a um ambiente de atividade econômica fraca e incertezas às vésperas da eleição presidencial. A produção caiu 0,3% em comparação com julho, de acordo com os dados divulgados hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi o segundo negativo consecutivo, após queda de 0,1% no mês anterior, o que não acontecia desde o final de 2015. O dado também contrariou a projeção em pesquisa da Reuters com economistas de alta de 0,2%.

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“Na série histórica da indústria, é possível observar que, sempre que tem um movimento de queda, de alguma forma, ele é compensado, no mês seguinte, com crescimento. Desde setembro a dezembro de 2015, não se viam dois meses em sequência de resultados negativos”, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo.

Em relação ao mesmo mês do ano passado, o setor apresentou avanço de 2% na produção, terceira leitura positiva, porém mais fraca que a expectativa de crescimento de 3,2%.

A leitura mensal foi pressionada principalmente pela queda de 2,1% na produção de intermediários, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento na produção. Também apresentou perdas a categoria de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, de 0,6% sobre julho. Por outro lado, a produção de bens de capital, uma medida de investimento, avançou 5,3%, enquanto os bens de consumo duráveis tiveram aumento de 1,2% na produção.

Entre os ramos, 14 dos 26 pesquisados apresentaram perdas, com destaque para a queda de 5,7% de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, após registrar avanços desde março.

O ambiente no país é de fortes incertezas com o ritmo fraco da atividade e com as eleições presidenciais, o que vem prejudicando tanto o consumo quanto o ímpeto de investimento dos empresários. A última pesquisa Focus realizada pelo Banco Central com economistas mostra que a expectativa para o crescimento da indústria neste ano é de 2,78%, com a projeção para o PIB em 1,35%.

 

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