Mulher negra está 50% mais vulnerável ao desemprego

Nacho Doce/Reuters
Manifestantes contra o racismo em São Paulo

Mulheres negras estão 50% mais suscetíveis ao desemprego do que outros grupos, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada ontem (30). O estudo, que utiliza como base dados da Pnad Contínua, mostra que, a cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego de uma unidade federativa, a desocupação de mulheres negras daquela mesma unidade sofre, em média, um aumento de 1,5 ponto percentual. O instituto distingue os dados entre homens brancos, homens negros, mulheres brancas e mulheres negras.

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Além disso, entre o segundo trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2017, mulheres negras representaram a fatia com maior aumento absoluto na taxa de desemprego, uma variação de 8,8 pontos percentuais. Segundo o Ipea, a taxa de desemprego entre mulheres negras é 80% superior àquela encontrada antes do início da recessão de 2015-2016. Entre homens brancos, a variação no período foi de 4,6 pontos percentuais. Entre negros do sexo masculino, o desemprego cresceu 7 pontos percentuais no mesmo intervalo de tempo. A disparidade ocorre desde antes da queda do PIB em 2015-2016.

“Os resultados indicam que a resposta da taxa de desemprego dos grupos durante a recessão não foi alterada”, diz trecho do estudo. “A recessão não afetou de maneira heterogênea a sensibilidade dos grupos socioeconômicos ao aumento da taxa de desemprego.”

Na avaliação do Ipea, não foram encontrados discrepâncias muito grandes no comportamento da taxa de desemprego quando comparadas as mulheres brancas e negras, há uma pequena diferença de 0,2 ponto percentual na desocupação mas “não é significativa do ponto de vista estatístico”.

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“O mesmo pode ser dito em relação à diferença entre as mulheres brancas e os homens”, diz um trecho do estudo. “Não há diferença de resposta entre os dois grupos masculinos.”

Ao investigar como o desempenho da economia afeta cada um dos grupos de diferentes idades e cor da pele, o Ipea aponta que períodos de maior dificuldade econômica, como a recessão de 2015-2016 afetam tanto “o número de pessoas que passam a buscar emprego quanto…o tempo em que os desempregados se mantêm nessa condição”.

“Assim mesmo, é possível notar um padrão de heterogeneidade entre os grupos semelhante ao verificado para a taxa de desemprego, isto é, com as mulheres negras experimentando um resultado mais adverso que os homens brancos, o mesmo se passando na comparação dos jovens com os adultos.”

Faixa etária

Jovens de 18 a 29 anos estão entre os mais afetados, com uma relação de 1,7 em relação à taxa geral de desemprego. Ou seja, a cada um ponto percentual de aumento na taxa de desemprego, há um avanço de 1,7 ponto percentual na desocupação desta faixa etária. Na faixa etária de 30 a 64 anos, a relação é de 0,7 ponto percentual, segundo o Ipea.

“Conhecer em que medida as oscilações da economia afetam o desemprego dos diferentes grupos socioeconômicos é uma tarefa importante, pois permite que se (re)desenhe a política pública de forma mais adequada às heterogeneidades desses grupos no mercado de trabalho”, afirma a pesquisa.

“Embora haja alguma heterogeneidade entre os grupos nas respostas às mudanças nas condições do mercado de trabalho em geral, essa heterogeneidade não se altera de forma expressiva em momentos de recessão.”

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